O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular / Iphan / Ministério da Cultura inaugurou no dia 10 de junho, no Rio de Janeiro, a exposição da Sala do Artista Popular “Nos Campos do Vale: cerâmica no Alto Jequitinhonha”, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer e adquirir cerâmicas produzidas por artesãs das comunidades de Campo Alegre, Campo Buriti e Coqueiro Campo, situadas nos municípios de Minas Novas e Turmalina, integrantes do Alto Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais. Esta será a sexta mostra que o CNFCP dedica ao Vale do Jequitinhonha, fato que demonstra a importância da região no cenário da produção artesanal do país.

A exposição “Nos Campos do Vale: cerâmica no Alto Jequitinhonha” foi inaugurada no dia 10 de junho, quinta-feira, às 17 horas, na Sala do Artista Popular, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer e adquirir cerâmicas produzidas por artesãs das comunidades de Campo Alegre, Campo Buriti e Coqueiro Campo, situadas nos municípios de Minas Novas e Turmalina, integrantes do Alto Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais. Esta foi a sexta mostra que o CNFCP dedica ao Vale do Jequitinhonha, fato que demonstra a importância da região no cenário da produção artesanal do país. É também a primeira de uma série de sete exposições que contam com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Campo Alegre localiza-se a poucos quilômetros de Campo Buriti e Coqueiro Campo. As três comunidades dividem uma rede de parentescos e diversas histórias de migração, dadas, geralmente, pela via do casamento. Além disso, trocam e vendem, entre si, diferentes tipos de barro, embora utilizem o mesmo barreiro para a extração da matéria.

As poucas oportunidades de trabalho remunerado, aliadas a problemas como a seca, desgaste do solo e contaminação das águas pela mineração, provocam um êxodo rural sazonal durante o período de seis a nove meses em que os homens migram para o interior de São Paulo e Bahia para trabalhar no corte de cana ou na construção civil.
As mulheres permanecem na terra, cuidando da casa, dos filhos, das criações e da roça. Entre os afazeres, produzem belíssimas peças de cerâmica. Nota-se a importância dessa atividade pelo precioso complemento de renda que representa para as famílias da região. Todavia, é mais do que uma alternativa de subsistência. Da retirada da matéria-prima até sua transformação em objeto, as artesãs lançam mão de um saber transmitido oralmente por suas avós, mães, tias e sogras. Memória coletiva que evoca relações simbólicas que sustentam a história e a tradição locais.

Organizadas em duas associações – a Associação de Lavradores e Artesãos de Campo Alegre e a Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo –, as artesãs atuam numa rede de solidariedade e, seja nas encomendas ou na participação em feiras e eventos, encontram a maneira de viabilizar a venda de suas peças.

A técnica

A retirada do barro utilizado para a modelagem das peças é um esforço coletivo. Os homens, munidos de enxadas e picaretas, retiram o barro, enquanto as mulheres o selecionam, carregam e amontoam. Depois de dividido em partes iguais, o barro é seco, socado, peneirado e amassado com água até ganhar a consistência ideal.

Para modelar a cerâmica, as artesãs utilizam, principalmente, a técnica do pavio, em que um rolo de barro é modelado nas mãos e vai sendo sobreposto a outros até dar forma à peça. Por meio de diversas técnicas, extraem do barro também os pigmentos, de diferentes cores e tonalidades, chamados oleios. Os mais utilizados são o oleio branco (tabatinga) e o vermelho (tauá). A partir de combinações entre os oleios, a pedra roxa, a “oca” (rocha de tons cintilantes) e o pó do carvão residual de queima, outras colorações vão surgindo.
Os fornos utilizados na queima das peças são construídos pelas próprias artesãs ou por alguém da família, redondos, de cúpula aberta, e atingem temperaturas médias de 600 a 900°C. A queima pode durar de oito a 12 horas.

Depois de retirar as peças do forno e, em alguns casos, finalizar detalhes da pintura, é hora de guardá-las em casa ou nas prateleiras da associação à espera de um comprador. Em caso de encomendas, as peças são embaladas delicadamente.

A elaboração das peças é repleta de referências da cultura local. A sobreposição de diversas técnicas tradicionais, desde a coleta do barro até a queima, é o que permite a perpetuação dessa prática. Ao mesmo tempo em que as artesãs utilizam técnicas herdadas de seus antepassados, são também protagonistas de inovações e singularidades: as marcas impressas em suas cerâmicas revelam expressões identitárias próprias.

Serviço

SAP – Sala do Artista Popular “Nos Campos do Vale: cerâmica no Alto Jequitinhonha”
Inauguração: 10.06.2010, às 17h
Período: 11.06 a 11.07.2010
Exposição e venda: terça a sexta-feira, das 11 às 18h; sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h

Apoio:
Secretaria de Cultura, Turismo e Comunicação de Minas Novas, MG
Superintendência do Iphan em Minas Gerais

Patrocínio:
Caixa Econômica Federal

Realização:
Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/Iphan/Ministério da Cultura

Informações:
Setor de Difusão Cultural
(21) 2285-0441, ramais 204, 205 e 206
difusao.folclore@iphan.gov.br (Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo)
www.cnfcp.gov.br
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular
Rua do Catete, 179 (metrô Catete), Rio de Janeiro, RJ 22.220-000

Fonte: TVZO (http://www.tvzo.com.br)

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