O Museu de Artes e Ofícios – MAO traz a Belo Horizonte a beleza e a originalidade da arte popular ceramista de Tracunhaém, pequena cidade da Zona da Mata de Pernambuco. A exposição Mestres que se renovam: a cerâmica popular de Tracunhaém fica aberta ao público, com entrada franca, de 9 de setembro a 10 de outubro. Todas as peças estarão a venda.

Esta é mais uma parceria do Museu com o Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural – PROMOART, vinculado ao Centro Nacional de Cultura Popular e Folclore do IPHAN, que tem o objetivo de valorizar a produção artesanal contemporânea, principalmente aquela que utiliza técnicas tradicionais.

A exposição traz aproximadamente 100 peças esculpidas em cerâmica pelos mestres tracunhaenses. Para Angela Gutierrez, idealizadora do MAO, “a arte popular se identifica muito com o acervo permanente do museu, que preserva a memória de vários ofícios, entre eles o da Olaria, com toda uma parte dedicada à cerâmica. Além de nos oferecer um belo trabalho, esses artistas são os responsáveis por manter vivo um saber fazer riquíssimo, de origem milenar”, ressalta a empresária.

De abrangência nacional, o PROMOART mantém 65 polos em todas as regiões do país. Uma amostra da produção de cada um deles pode ser vista na sede do Programa, no Rio de Janeiro, na Sala do Artista Popular. O MAO é hoje mais uma alternativa de espaço expositivo para esse trabalho, podendo vir a se constituir, a médio prazo, num importante ponto de divulgação do projeto.

Tracunhaém: a cidade e a cerâmica

A cidade de Tracunhaém fica a aproximadamente 48 km da capital, Recife e possui cerca de 13 mil habitantes. Já na entrada, as esculturas de imagens religiosas, vasos, luminárias, bonecos e animais em barro demonstram a importância da cerâmica para a população.

Atualmente, predomina na zona rural de Tracunhaém o cultivo da cana-de-açúcar como alternativa de trabalho e de renda, enquanto na cidade se observa a relevância do artesanato. Desde cedo, nas escolas, as crianças aprendem os ofícios e as técnicas ceramistas.

A história do artesanato em barro relaciona-se à produção de cerâmica estrutural, comum no período colonial. Os engenhos possuíam olarias em suas propriedades, já que a confecção de tijolos e telhas era fundamental para a construção de casas, moinhos e senzalas. Até o início do século XX, entretanto, predominava também a produção de cerâmica utilitária – tigelas, panelas, alguidares, pratos, jarras, moringas, etc.

O artesanato figurativo em barro ganha destaque a partir da década de 1940. Para isso contribuiu bastante o interesse de artistas, intelectuais, colecionadores, comerciantes de artes e de diversas instituições do poder público, que atuaram na divulgação desse artesanato, realizando exposições, feiras e revenda de produtos. Tudo isso foi fundamental para promover a abertura de novos mercados.

Os mestres e artesãos de Tracunhaém acreditam que oportunidades como esta da exposição em Belo Horizonte são muito importantes para preservar a autenticidade de seu estilo que tem origem na observação do cotidiano, nas manifestações da cultura local e nas crenças religiosas.

Segundo Valena Ramos, gestora dos polos de Pernambuco, os mestres e artesãos de Tracunhaém acreditam que oportunidades como esta da exposição em Belo Horizonte são muito importantes para divulgar a autenticidade de seu estilo, que tem origem na observação do cotidiano, nas manifestações da cultura local e nas crenças religiosas. “Eles receberam o convite para a exposição com grande entusiasmo. O objetivo deles é também tornar o nome da cidade conhecido pela tradição da cerâmica, e, quem sabe, num futuro próximo desenvolver um potencial turístico”, completa.

O ArteSol desenvolveu projetos na região para valorizar sua cerâmica popular nos anos 2000 e 2003, onde o saber tradicional do mestre artesão Amaro de Tracunhaém foi transmitido em oficinas para vinte jovens da comunidade. Essas oficinas permitiram novas vivências, experimentos, descobertas, encontros e reencontros com o barro, assim como possibilidades de novos mercados. Mais detalhes sobre a intervenção do ArteSol aqui.

Serviço

Exposição “Mestres que se renovam: a cerâmica popular de Tracunhaém”
Aberta ao público de 09 de setembro a 10 de outubro.
Local: Museu de Artes e Ofícios (MAO)
Endereço: Praça da Estação, s/n° – Belo Horizonte/MG
Entrada Franca
(31) 3248.8600
www.mao.org.br

Horário de funcionamento:
Terça, Quinta e Sexta-feira – das 12 às 19 horas
Quarta-feira – das 12 às 21 horas
Sábado, Domingo e Feriado – das 11 às 17 horas

Fonte: Site do Museu de Artes e Ofícios

Como Apoiar?

×