Após oito meses, duas fases de avaliação e análise de 398 objetos e projetos de 16 estados do país, A CASA museu do objeto brasileiro divulgou, no último dia 20 de outubro, os vencedores do 2° Prêmio Objeto Brasileiro.

Em cartaz até o dia 10 de dezembro, de segunda a sexta, das 10h às 19h na Rua Cunha Gago, 807 – Pinheiros, a exposição 2° Prêmio Objeto Brasileiro reúne 31 objetos e projetos selecionados pelo júri.  Ao destacar de maneira criteriosa os objetos mais significativos de um universo extremamente amplo, é possível iluminar soluções inteligentes e apontar para caminhos inovadores que podem servir de inspiração a todos aqueles que estão envolvidos de alguma forma com o objeto brasileiro.

A exposição é também um convite à discussão. Qual a situação atual do objeto brasileiro artesanal contemporâneo? Onde já avançamos? Onde ainda temos que avançar? Quais os requisitos fundamentais que um bom objeto deve preencher? Como aliar valorização do patrimônio cultural brasileiro, inovação, desenvolvimento sustentável, geração de emprego e renda, qualidade estético-formal, apelo de mercado e funcionalidade?

Os objetos e projetos que compõem esta exposição surpreendem, divertem, emocionam, atiçam a curiosidade. Mas, principalmente, estimulam a reflexão e a troca de idéias.

Confira abaixo os premiados nas quatro categorias:

OBJETO DE PRODUÇÃO AUTORAL

1° LUGAR
Mesa Reverso

Mesa Reverso – Claudia Moreira Salles

O projeto partiu do aproveitamento de tacos de madeira provenientes de demolição. Depois de lixados, os tacos são colados três a três em placas quadradas de Alucobond. Os dois materiais, um quente e outro frio, permitem uma variedade formal do tampo. Estas placas são apoiadas sobre a estrutura da mesa, que é feita de sarrafos de madeira maciça ou folheada, compatível com os tacos.

De acordo com o júri, a virtude da Mesa Reverso é carregar conceitos de sustentabilidade, como o reaproveitamento da madeira, uso inteligente do material e apelo de mercado, e, ao mesmo tempo, ser lúdica, divertida e de grande qualidade estética.

2° LUGAR
Coleção Retrós

Anéis fundidos em prata 950, levemente ondulados, estruturados na forma de uma canaleta em “U”, onde fios de linha de costura comum são enrolados, conferindo cores e texturas diversas. A escolha da linha encontrada em qualquer armarinho surge como um convite à interferência do usuário, ao oferecer múltiplas opções de cores, espessuras e texturas.
O júri destacou o aspecto criativo, a simplicidade e a possibilidade de diálogo entre produto e a pessoa que o utiliza como as maiores qualidades do projeto.

OBJETO DE PRODUÇÃO COLETIVA

1° LUGAR
Fronteiras – Livro em Tipografia e Xilogravura

Fronteiras – Xilo Ceasa

Livro ilustrado com xilogravuras que contam histórias de migração.
O júri considerou o projeto exemplar por retomar uma técnica esquecida e valorizá-la como linguagem e forma de expressão. Além disso, o livro, que traz as histórias das pessoas que o fizeram, dá lugar a um repertório reprimido.

2° LUGAR
Linha de Almofadas de Crochê com Fibra de Banana

Almofadas de crochê com fibra de banana – Instituto de estudos em arquitetura, moda e design

Desenvolvidas em Jaraguá do Sul-SC porSamira Silva Costa, Maria Depin, Ivone Mathias, Zenita Scharuth Ersching, Mara Christina Klain e Orbitato, as almofadas são feitas com fibra de banana e utilizam forro de malha descartada e silicone para o enchimento.
Para o júri, o projeto foi muito bem sucedido ao conseguir realizar um bom produto a partir de um material precário. As almofadas conseguiram valorizar a fibra de banana e a deixaram macia, confortável e aconchegante.

AÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL

1° LUGAR
Projeto ASAS – Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra (Universidade FUMEC – Faculdade de Engenharia e Arquitetura e ASAS AGLOMERADAS)

Veja vídeo do projeto aqui.

O projeto tem por objetivo estabelecer um processo sustentável, coletivo e colaborativo de geração de renda no Aglomerado da Serra, conjunto de vilas e favelas da cidade de Belo Horizonte-MG. Foi proposto o desenvolvimento de produtos a partir da capacitação dos beneficiários em artesanato e design e da montagem de uma oficina de criação e produção em estamparia, costura, encadernação e fotografia pinhole.

De acordo com o júri, trata-se de um projeto completo: os produtos são bem acabados, contam com uma identidade visual própria, etiquetas que conferem valor de marca e um catálogo que explora o contexto em que os produtos foram desenvolvidos. Além disso, o projeto teve o mérito de conseguir utilizar a estética da periferia e do urbano, com todos os seus problemas, em produtos de grande qualidade estético-formal. Finalmente, o projeto obteve êxito ao criar uma coleção coesa fazendo uso das mais diversas técnicas e materiais.

2° LUGAR

Projeto Experiência Design – Cabanos (Carlos Augusto Souza Alcantarino, Flavia Pagotti, Joana Pessoa, Oio Design, Sincrodesign e SuperLimão Studio)

Veja vídeo do projeto aqui.

Realizado em Barcarena-PA, o projeto propôs o desenvolvimento de uma cooperativa de inclusão social utilizando o design como ferramenta estratégica, com o objetivo de transformar resíduos em produtos de valor econômico.

O júri destacou a grande qualidade estética dos objetos produzidos a partir de restos descartados. Além disso, o projeto foi capaz de fazer uma releitura contemporânea de referências culturais tradicionais.

NOVOS PROJETOS

Projeto SIPROAR – Sistema de Proteção ao Artesanato

Projeto SIPROAR – Andréia Sales

Desenvolvido em Salvador-BA, trata-se de um sistema de produção de embalagens protetoras para produtos em cerâmica, evitando a quebra das peças no escoamento da produção. As embalagens têm formato cilíndrico e são produzidas através de técnicas de trançado utilizadas na confecção de cestaria.
O júri considerou o projeto primoroso, uma vez que resolve um dos maiores problemas das comunidades artesanais que trabalham com cerâmica: a quebra das peças durante o transporte. Outro ponto positivo é o fato da embalagem ser charmosa e valorizar o produto que está dentro. Finalmente, o sistema foi pensado de modo que a embalagem possa ser desenvolvida pelos próprios artesãos: é extremamente simples e necessita de poucos recursos de fácil acesso.

Revestimento do Projeto Cadeira que Troca de Roupa

Adrienne Rabelo

Desenvolvida em Belo Horizonte-MG o revestimento foi criado a partir da reutilização de retalhos de couro. Pintadas em diversas cores, os retalhos são cortados em circunferências de vários tamanhos. Coladas, formam um mosaico.
Para o júri o resultado é extremamente criativo e de grande qualidade estética, além de promover o reaproveitamento de materiais.

MENÇÃO HONROSA

Rede Asta

Rede Asta – Associação Instituto Realice

O projeto consiste em promover a venda de produtos artesanais nos moldes das vendas de produtos cosméticos: por meio de visitas domiciliares e apresentação do catálogo de produtos.
De acordo com o júri, o projeto foi capaz de ultrapassar uma barreira com a qual muitos projetos têm dificuldades: a comercialização. O projeto Asta inovou ao levar o modelo de venda da indústria de cosméticos para o artesanato.

Fonte: A Casa

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