O artesanato de tradição é uma das maiores riquezas da nossa cultura e a ArteSol trabalha para promover e tonar este bem imaterial e o ofício de artesão conhecido, valorizado e  fonte de renda para as comunidades.

A fim de traçar novas ações e projetos e observar de perto as associações e cooperativas de artesãos, a Artesol, representada por Sonia Quintella de Carvalho, diretora do conselho e Sheila Maiorali, Equipe ArteSol, visitou, em outubro, seis associações de artesãos no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

As associações/cooperativas visitadas:

Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo – Minas Novas
Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre  – Turmalina
Associação dos Artesãos de Santa Cruz de Chapada do Norte – Arca  – Chapada do Norte
Associação de Produtores e Artesãos de Poço Grande  – Berilo
ARTELUZ – Associação de Artesãos de Estação da Luz – Itaobim
Associação dos Artesãos de Santana do Araçuaí  – Santana do Araçuaí

 Mãos que tecem o Brasil

por Sonia Quintella de Carvalho (Conselheira, trabalha como voluntária na ArteSol )

Sonia e Sheila com família de Dona Zezinha

Minha paixão pelo artesanato de tradição aumenta a cada viagem que faço para visitar as comunidades que o ArteSol apoia no Brasil há 15 anos. A última, pelo Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, teve um sabor todo especial, pois amo bonecas de cerâmica. Sempre sonhei conhecer estas artistas maravilhosas que esculpem o barro com tamanha perfeição. Chegamos, Sheila Maiorali e eu em Montes Claros, numa ensolarada tarde de outubro. No caminho, imponentes bosques de eucaliptos se integram a uma paisagem castigada pela seca. Nossa primeira parada foi na comunidade de Campo Buriti, roça onde moram a artesã Dona Zezinha e Seu Ulisses. Passamos a cerca e nos deparamos com um jardim repleto de bonecas, cada uma com uma feição diferente, mas todas expressando a sensibilidade e a herança cultural que a Dona Zezinha herdou da mãe e da sogra. Além do padrão estético que realmente nos contamina pela personalidade e beleza, há um rico saber embutido em cada peça: a identificação do barro apropriado, a modelagem, a secagem, os detalhes do acabamento e finalmente a queima por mais de 12 horas. Hoje suas duas filhas já aprenderam a esculpir o barro e seguem o mesmo caminho da mãe Zezinha.

Do lado de Minas Novas, fica o município de Turmalina, onde a Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre se localiza. Lá as mulheres produzem uma cerâmica de feições extremamente particulares. Vasos, potes e vasilhas de cunho mais tradicional confundem-se com bonecas, animais e moringas antropomorfas. A pintura é inspirada na flora local e desenhada em tons terrosos. As diferentes colorações são obtidas de barros diversos, que, tratados conforme técnicas tradicionais produzem os tons que vão do branco ao ocre e marrom avermelhado.

Mestre artesão Seu Zé do Ponto com Sheila e Sonia.

A terceira parada foi em Chapada do Norte aonde visitamos o Seu Zé do Ponto, grande artesão de móveis de madeira trançados em couro e palha de milho. A chegada foi uma festa, fomos recebidas com longos abraços e muita prosa. O Seu Zé é um grande contador de histórias; ali sentadas no sofazinho trançado de couro na beira da estrada, ouvimos causos da região e da sua vida. O Seu Zé começou a produzir caixas de couro aos 12 anos para ajudar seu pai conhecido tropeiro do Vale, na batalha diária de transportar secos e molhados. Entrando na sua oficina é fácil perceber o seu domínio técnico e a criatividade, revelada em cada peça produzida por um artesão nascido a centenas de quilômetros da cidade grande e sem nenhum apetrecho tecnológico.

Mais um pouco de estrada de terra esburacada e chegamos à Berilo, região conhecida pela excelência de sua tecelagem. Esta arte remonta ao século XVIII e as mulheres ao longo de muitas gerações se dedicam a cardar, fiar e tecer o fio de algodão. A tecelagem é feita em tear mineiro esculpido a facão. As tecelãs criam motivos do seu cotidiano e os desenhos são em alto relevo. Impossível não se apaixonar por este trabalho! A Associação repleta de colchas e almofadas é um deslumbramento! São peças que enfeitam qualquer espaço.

Começamos o dia seguinte em Itaobim, conversando com 40 artesãos reunidos na Associação Arteluz. O espaço é repleto de caixas trançadas com a fibra de taboa, planta que cresce e toma qualquer espaço alagadiço. Estas caixas são objetos de decoração e também são perfeitas para embalar qualquer produto.

Dona Isabel Mendes da Cunha e Sonia Quintella

Nessa tarde aconteceu o momento mais especial da minha vida: conheci a Dona Isabel Mendes da Cunha, em Santana do Araçuaí. Artista de 89 anos começou ainda quando criança a modelar o barro, imitando sua mãe que era louceira. A partir da década de 70 iniciou a produção de bonecas grandes que em pouco tempo valorizaram-se em feiras nacionais e internacionais. Dona Isabel formou vários artistas inclusive suas filhas e a neta. A riqueza dos detalhes de cada boneca é encantadora; horas de prosa com a Dona Isabel encheram a nossa alma. Foi um momento divino da vida.

O artesanato de tradição é uma das maiores riquezas da nossa cultura. O ArteSol em parceria com o Iguatemi trabalha para salvaguardar e disseminar o artesanato de tradição enquanto patrimônio cultural, promovendo a autonomia de muitos  brasileiros nos estados brasileiros que tem esse saber precioso, o luxo nacional.

Veja o Álbum de fotos: Visita ao Vale do Jequitinhonha


Leia aqui: ArteSol e Iguatemi visitam comunidades do Nordeste

Para se hospedar no Paraíso das Artes (Hospedagem da Dona Zezinha) – Minas Novas: (33) 91040005

Divulgado em 15.10.2013

2 Comentários para "ArteSol visita comunidades artesãs no Vale do Jequitinhonha"

  1. gostaria de aprender atesanato

    Moro em Vitoria do ES , como Chegarei de Onibus ou Carrro ?
    Quanto custa o curso com hospedagem ?

    • Joselia, tudo bom? Obrigada pelo contato. Essa publicação é de 2013. Não temos cursos atualmente. Um abraço, ArteSol.

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