Marina Lopes – Projetos e Gestão do Conhecimento ArteSol

Marina Lopes responsável pela área de Projetos e Gestão do Conhecimento do ArteSol  foi entrevistada pela revista Ciências Sociais, a primeira edição que está nas bancas no mês de maio.

Marina comenta sobre o consumo consciente em relação à compra de artesanato, que quando valorizamos o artesanato, ajudamos com os aspectos sociais, educativos e econômicos de cada região.  A revista aborda a importância de estarmos preparados para consumir somente o necessário que precisamos a viver e de forma sustentável, assim abandonando os excessos diários de consumo exagerado. Leia aqui a matéria.

Com o crescimento desenfreado do consumo industrializado, acabamos por comprar produtos que não sabemos a origem e se estão envolvidos com exploração. Na compra de um artesanato o consumidor pode se deparar com a questão de pagar mais caro ou até mais barato, mas saber que aquele produto foi feito por um/a artesão/ã que busca oportunidades de inclusão social e de geração alternativa de renda para suas economias. Por trás deste trabalho existe, além do contexto cultural no qual é produzido, a preocupação com a extração da matéria-prima de maneira sustentável, a ausência de exploração infantil e o desenvolvimento humano de cada artesão.

O ArteSol é membro da WFTO (World Fair Trade Organization – Organização Mundial do Comércio Justo) que é um movimento social e econômico criado como uma alternativa ao comércio convencional. Levam-se em conta além de critérios econômicos, valores éticos, sociais e ambientais, preocupando-se com a construção de um mundo melhor, contribuindo com o bem estar dos produtores, com a garantia da justiça social e com o desenvolvimento sustentável das comunidades locais e do mundo como um todo.

No dia 12 de maio de 2012 é comemorado o Dia do Comércio Justo, ao redor do mundo manifestações de apoio serão realizadas por várias organizações. Leia mais aqui.

 

Comércio Justo

O seu objetivo é a criação de oportunidades para os produtores que tenham sido economicamente desfavorecidos ou marginalizados pelo sistema de comércio convencional.

O Comércio Justo visa principalmente à promoção do desenvolvimento sustentável e à justiça social, pois busca garantir os direitos tanto dos consumidores quanto dos produtores (agricultores ou artesãos) nas relações comerciais, fortalecendo a sua cooperação para aumentar a sua viabilidade e reduzir dependências econômicas e, principalmente, garantir uma remuneração justa do trabalho.

Um dos objetivos do Comércio Justo é estreitar o relacionamento entre as partes envolvidas no processo comercial. A partir do momento em que o acesso de pequenos produtores ao mercado é estimulado, torna-se possível envolver consumidores nessa nova proposta, onde eles adquirem a consciência de que os produtos comprados são produzidos e comercializados de maneira responsável, com preço justo, fruto de um trabalho realizado num ambiente favorável ao produtor, cujos recursos naturais para sua matéria-prima são adquiridos e manejados de forma sustentável.

Nos outros países, o Comércio Justo tem os seguintes nomes: Fair Trade (expressão original, falada em países de língua inglesa), commerce equitable (países de língua francesa), comercio justo (países de língua espanhola) e commercio equo e solidale (países de língua italiana).

No Brasil, existem várias traduções para o termo “Fair Trade”: comércio justo, comércio ético, comércio solidário e comércio ético e solidário. Todos estes nomes se referem a um sistema internacional com critérios definidos, distinto de outros conceitos como, por exemplo, “economia solidária”.

Quem se beneficia

Produtores

Os pequenos produtores fazem parte de grupos de artesãos ou agricultores, associações, cooperativas ou grupos familiares que possuem pouco acesso ao mercado. Geralmente estão situados em regiões desfavoráveis ou com algum tipo de dificuldade econômica na parte sul do planeta (hemisfério sul), como a América Latina, África e Ásia

Suas responsabilidades são:

  • Preocupar-se em manter uma boa organização e um ambiente de trabalho agradável e dividido de acordo com as aptidões de cada um;
  • Colaborar com as necessidades de sua comunidade e visar à sua melhoria e desenvolvimento;
  • Aprimorar cada vez mais suas condições de trabalho e preocupar-se com a produção para o mercado local;
  • Seguir a linha de princípios do Comércio Justo em suas ações, principalmente no que diz respeito ao trabalho explorador de menores;
  • Valorizar o trabalho feito por homens e mulheres de maneira igualitária;
  • Ter responsabilidade na produção e entrega de encomendas, cumprindo os acordos predeterminados.

Intermediários

O mercado de Comércio Justo tem uma estrutura diversificada, e os intermediários geralmente são as organizações que apoiam e organizam este tipo de comércio, facilitando a sua ampliação.

Para intermediar os processos, podemos encontrar ONGs de apoio e assessoria aos produtores (como é o caso do ArteSol), organizações de importadores, organizações de certificação, organizações de sensibilização do mercado e defesa de direitos dos pequenos produtores, e organizações de pontos de venda de Comércio Justo.

Entre suas responsabilidades estão:

  • Orientar e dar suporte aos produtores, mantendo-os sempre atualizados sobre as tendências do mercado;
  • Orientá-los para que extraiam a matéria-prima de forma adequada para produção sem degradar o meio-ambiente;
  • Capacitá-los para que sejam associações sustentáveis e para que melhorem gradualmente suas técnicas e produtos;
  • Disponibilizar apoio financeiro para dar suporte às produções.

 Consumidores

Os compradores ou consumidores dos produtos de Comércio Justo são pessoas conscientes das desigualdades sociais e que têm a preocupação de contribuir para que as relações comerciais sejam mais justas para todos. Este consumidor responsável se preocupa com o meio ambiente e com o bem-estar da sociedade, fazendo suas escolhas a partir do que respeitará mais a natureza e as pessoas.

Os consumidores têm como responsabilidades:

  • Adquirir produtos dos pequenos produtores;
  • Evitar ao máximo o contato com os intermediários para esta mediação;
  • Pagar preços justos pelos produtos para que possam cobrir os custos de produção;
  • Incentivar os produtores a dar continuidade a suas produções firmando relações de longo prazo com finalidades comerciais.

 

               Conheça a rede ArteSol pelo Comércio Justo, clique aqui.

Texto: Ananda Moraes
Texto Comércio Justo: Marina Lopes

2 Comentários para "Comércio Justo e o Consumo Consciente"

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