“O artesanato é um dos meios mais importantes de representação da identidade de um povo. Através dele, não só os materiais e as técnicas, mas também os valores coletivos são fortemente representados.”

Adélia Borges, crítica, curadora e professora, lançou em 2 de fevereiro o livro Design + Artesanato: o caminho brasileiro. Adélia foi curadora-chefe para a Bienal Brasileira de Design e dirigiu durante quatro anos o Museu da Casa Brasileira. Para escrever este livro, a autora viajou e visitou muitas comunidades no Brasil.

O livro versa sobre o encontro e aproximação de artesãos e designers, para um melhor desenvolvimento da indústria e a construção da nossa identidade cultural. Este encontro tem gerado bons frutos: produtos de alta qualidade, melhoria na vida das comunidades e suas famílias e, principalmente, valorizar o produto feito à mão. Adélia aborda a presença do saber fazer artesanal e de que modo este se insere no sistema econômico, social, político e criativo do país. Dar condições para que a produção artesanal desenvolva-se e alcance os mercados consumidores com condições de dignidade para o artesão é importante para o Brasil.

A atuação de diversos atores, tanto como agentes de governo, organizações não governamentais, empresários e cidadãos é explicada e sua energia e protagonismo descritos. É citada a de donos de hotéis e pousadas, e cidadãos que querem ajudar o artesanato e suas comunidades.

Outro forte movimento é dos designers que trabalham junto aos artesãos trocando experiências e beneficiando comunidades. O melhor exemplo é Renato Imbroisi que já coordenou cerca de 140 projetos de desenvolvimento do artesanato em 23 estados, no Brasil.

Os artesãos são pessoas importantes para a construção da identidade nacional. O reconhecimento do valor das culturas materiais locais é uma das formas de colocar o artesão e designer como parceiros.

Os produtos que são feitos têm uma história pra contar. No rastro da tecnologia vivemos em um mundo de massificação e impessoalidade e neste cenário, as pessoas irão buscar aquele objeto que tem valor único, uma história e uma identidade.

“O artesanato envelhece com dignidade, podendo permanecer ao nosso lado por toda a vida, Eles nos contam do lugar preciso, onde foram feitos por pessoas concretas. São honestos, confiáveis. Transmite cultura, memória. Trazem um sentido de  pertencimento. Por tudo isso, pode tocar – e o uso do verbo tocar não é fortuito – o nosso coração, a nossa alma.”

Veja fotos do evento no site Cesar Giobbi.

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