Fonte: JornaldaCidade.Net

Por Moema Lopes

Renda irlandesa

A produção de renda irlandesa em Sergipe não está ameaçada. Foi o que informou a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em Sergipe, Terezinha Oliva. Segundo ela, existe uma preocupação por parte das artesãs com relação à aquisição do lacê (matéria prima para produção da renda irlandesa), que só é produzido pela fábrica Ypu, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. “As artesãs informaram que a fábrica estava passando por dificuldades e ameaçava fechar as portas. Entramos em contato direto com o pessoal da fábrica, é verdade que eles já passaram por alguns problemas, mas disseram que não vão fechar as portas, nem parar a produção do lacê”, afirmou.

Terezinha Oliva disse ainda que o dono da fábrica confirmou que Sergipe é o único comprador de lacê. “Ele disse que não sabia para que Sergipe comprava o lacê. Quando informamos que era para a produção da renda irlandesa, ficou surpreso”, frisou, deixando claro que o IPHAN está acompanhando essa situação. “O Conselho Consultivo vem acompanhando isso. Quando a renda irlandesa foi registrada como Patrimônio Cultural do Brasil, foi o IPHAN quem intercedeu. Nesse processo há o Plano de Salvaguarda, que objetiva proteger o saber, os detentores do saber e verifica as ações dos detentores do saber. Então, em 2010, foi criado o Conselho Consultivo e o Plano de Salvaguarda, que vem sempre se reunindo com as artesãs e discutindo as dificuldades”, explicou.

Na última reunião do Conselho Consultivo com as artesãs, ocorrida na sede do IPHAN, em Aracaju, a reclamação das produtoras da renda irlandesa foi com relação a falta de lacê. No entanto, de acordo com Terezinha Oliva, o que está faltando é um panorama da produção de renda irlandesa nos municípios de Divina Pastora e Laranjeiras, “para uma melhor negociação na compra do lacê”, frisou, ao acrescentar que as rendeiras de Laranjeiras já passaram ao IPHAN informações sobre a produção da renda no município. “Faltam ainda dados de Divina Pastora”, destacou. Outra reclamação das rendeiras é com relação aos tons do lacê produzido na Ypu. “Elas sempre reclamam que quando iniciam uma peça colorida e o lacê acaba, quando pedem outro da mesma cor, o tom nunca é o mesmo. Então é preciso padronizar isso. Estamos tentando conversar com o pessoal da fábrica para uma negociação mais ampla, inclusive com o apoio do governo do Estado”, declarou a superintendente do IPHAN, ao acrescentar que o IPHAN também está tentando contato com outros fabricantes de linha para tentar convencê-los a produzir o lace. “Mas, no momento, não temos uma preocupação com a falta do lacê. Estamos no aguardo das associações de rendeiras de Divina Pastora para saber a quantidade de lacê que elas utilizam”, completou.

Divina Pastora
A secretária de Educação e Cultura de Divina Pastora, Maria do Socorro Rocha, informou que chegou a ir à Nova Friburgo, junto ao Sebrae, para ver a possibilidade de transferir a fabrica Ypu para Sergipe. “Só que por conta de equipamentos muito antigos e em péssimas condições observamos que não seria viável. Sairia muito caro”, explicou, acrescentado que a iniciativa foi justamente por conta da preocupação com a possibilidade de faltar lacê. “Essa realidade não é de agora e até parece que a fábrica passou para uma associação de funcionários”, declarou. De acordo com ela, independente do lacê deixar de ser fabricado ou não, a produção da renda irlandesa no município não vai deixar de existir. “Porque já foram criadas novas técnicas, com outros materiais que podem substituir esta matéria prima”, assegurou Socorro, ao acrescentar que o lacê dá um acabamento mais requintado ao tecido, “tornando-o com detalhes mais nobres, algo que difere a renda irlandesa das demais técnicas de costura. A prefeitura de Divina Pastora vem buscando, junto a outras entidades como o Sebrae e o IPHAN, alternativas para que produção de lacê não deixe de existir”, disse.

Exposição

Para manter a tradição em evidência não somente em Sergipe, mas em outros Estados, acontece a partir do dia 12 de setembro, a exposição Divina Renda, no Centro de Cultura e Artes J. Inácio, na Orla de Atalaia. Na oportunidade serão expostas peças das associações de rendeiras de Sergipe. “Dentro deste evento, haverá uma exposição do IPHAN sobre a renda irlandesa, que vai ser aberta na 2ª Semana de Rendas e Bordados de Sergipe”, frisou Terezinha Oliva. A Exposição Divina Renda é composta por painéis expositores que mostram a arte e as práticas centenárias da técnica de costura que se tornou Patrimônio da Cultura Imaterial do Brasil.

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