Foto: Gui Tamburus / AlfaSol

O Festival de Ideias: inovações para o desenvolvimento social, organizado pelo Centro Ruth Cardoso em parceria com V2V, Catarse e Mandalah, e realizado nos dias 20 e 21 de setembro, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, foi mais que um grande evento. Foi uma grande confraternização social por um mundo melhor.

O evento presencial foi a ponta de uma pirâmide construída ao longo de diversas fases. Durante pouco mais de um mês, o site www.festivaldeideias.org.br recebeu a inscrição de ideias inovadoras com propostas a três temas bastante debatidos no Brasil e no mundo: mobilidade urbana, violência e catástrofes naturais.

Ao todo, foram registradas 346 ideias enviadas pelo público, das quais uma comissão curadora selecionou as 20 finalistas: 10 em mobilidade urbana, 6 em violência e 4 em catástrofes naturais. Essas finalistas, exceto duas desistências, compuseram, na Cinemateca, a segunda fase de interação co-criativa, a presencial – a primeira se dava pelo próprio site, que possibilitava envio de sugestões por outros usuários e mudanças contínuas na estrutura das ideias. Aproximadamente 40 apoiadores voluntários estiveram presentes nos dias 20 e 21, ajudando os grupos no aperfeiçoamento e na evolução técnica das ideias apresentadas.

O Festival de Ideias foi aberto ao público em geral, em especial a inovadores, empreendedores, estudantes de Instituições de Ensino Superior, representantes de organizações do Terceiro Setor, empresas parceiras e pesquisadores e gestores de políticas de investimento social.

No início da tarde do dia 21, segundo dia do evento, cada um dos 18 grupos entregou suas ideias finalizadas em forma de vídeo. Todos esses vídeos, que misturaram texto, imagem e informação com um toque de ludismo, foram então reproduzidos ao público, formando um panorama geral do resultado do processo co-criativo. Eles podem ser assistidos por meio da plataforma de crowdfunding e financiamento catarse.me/festivaldeideias, mobilizada para angariar fundos para que as ideias possam sair do papel.

As 18 ideias concluídas foram: Cata-logo, Armários coletivos, Mapeamento de rotas no Brasil para o cicloturismo, MoeDA Bike, Pontos do Bairro, Walking Bike Sound SP Tour, Está na Área, Táxi Compartilhado, Bike Anjo, vamosjuntos.lá, Aster Turismo de Experiência, V.I.AS, Ponto de Encontro Amigos do Pé, Turma de Valor, Botão do Pânico, SafePlace – Cidades Seguras, Salva Vidas e Rede Social Arca de Noé.

Foto: Gui Tamburus / AlfaSol

No entanto, entre a finalização dos projetos e sua premiação, o Festival de Ideias promoveu ainda duas mesas de debate com convidados especiais, mediadas por Reinaldo Pamponet. A primeira delas, “Cultura livre de fato e de direito”, reuniu Carlos Eduardo Figueiredo – juiz da Vara de Execuções Penais do RJ –, o ex-ministro da Justiça e primeiro secretário dos direitos humanos no Brasil José Gregori, e dois ex-chefes de tráfico de morros cariocas: Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, ex-chefe da Mangueira e que hoje cumpre regime semi-aberto após 21 anos de prisão; e Chinaider Pinheiro, o antigo Latino do Vigário Geral, que após 10 anos de reclusão colabora hoje com o Grupo AfroReggae e cursa o 4º período de uma faculdade de direito.

Na pauta, a pergunta: quanto potencial humano a gente esquece? Tuchinha e Chinaider expuseram suas histórias e experiências de vida relativas ao tráfico e também às suas ressocializações, exemplificando a capacidade que a sociedade tem de recuperar criminosos. José Gregori e o juiz Carlos Eduardo Figueiredo também trouxeram o conhecimento de causa de quem contribui constantemente na recuperação e reinserção social. Essa mesa, em suma, foi uma comprovação de que os direitos humanos são e sempre serão um assunto momentoso e um fator decisivo para a concepção de um futuro melhor para todos. E para tirar esse futuro da teoria e trazê-lo para a prática, é preciso que a sociedade civil tenha novas ideias e as dissemine, motivando o poder público a agir e fazer sua parte, desencadeando mudanças sociais mais verdadeiras.

A segunda mesa, intitulada “Viva a sociedade interativa”, presenteou o público com as presenças de Sérgio Vaz, poeta e fundador da Cooperifa; Augusto de Franco, pensador e teórico de redes; e do sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dessa vez, a questão era: vivemos em uma sociedade em transição, que espera sua sucessora. Ela, porém, parece ainda não ter nascido completamente. Como fazê-la nascer?

Trazendo à tona o conceito de interação, Augusto de Franco desenhou um mapa teórico de como se dão, hoje, as redes do mundo moderno. Sérgio Vaz agregou uma pitada de emoção ao contar a bonita história da Cooperifa, com o sarau pioneiro da periferia de São Paulo que hoje já coleciona 55 comunidades que seguiram seus passos, levando poesia aos quatro cantos da cidade. A Cooperifa nasceu como uma forma de apropriação e valorização do espaço periférico para o bem da própria comunidade. O povo, em vez de esperar soluções governamentais para aplacar os problemas, colocou a mão na massa. Criou sua própria forma de aproveitar seu lugar e seus costumes. “Lá, enquanto as pessoas têm medo de bala perdida, a gente solta balões de gás com poesia dentro”, disse Sérgio, que ainda encerrou a mesa cativando a todo o público com a leitura de um de seus textos.

Fernando Henrique Cardoso também abrilhantou o debate com suas experiências e opiniões sobre a atualidade. Para ele, há uma sociedade de antes e outra de depois da interatividade, e o futuro reside exatamente no equilíbrio entre ambas. Não devemos pensar numa sociedade plana, mas sim flexível, “dispersa e polifacética”, definiu em suas palavras. Como símbolo do poder político, o ex-presidente também apontou que os governantes ainda não estão devidamente preparados para reger essa nova espécie de organização social. “Pensam que estão mandando onde não estão mandando mais”, acrescentou, definindo o mundo de hoje como um mundo de Fernando Pessoa, em que “navegar é preciso”.

Após os debates, o Festival de Ideias chegou a sua premiação. Uma comissão julgadora, formada por conselheiros, especialistas e parceiros do Centro Ruth Cardoso, escolheu as três melhores dentre as 18 ideias entregues. Cada uma das vencedoras foi premiada com o valor de 10 mil reais. Foram elas:

Pontos do Bairro, que propõe uma rede que agregue pessoas dentro do mesmo bairro para atividades em comum. Como diz seu criador no vídeo, “as pessoas passam umas pelas outras na rua e não se atravessam. Temos que nos atravessar mais”;

Turma de Valor, que age contra a violência no foco, propondo a criação de jogos infantis que contenham novas estratégias e preocupações para passar valores morais e éticos mais substanciais; e

Mapeamento de Rotas no Brasil para o cicloturismo, que, como já diz o nome, é uma grande atividade em prol das melhorias de condição para a prática do ciclotour em nosso país.

Está na Área, Cata-logo e Bike Anjo foram as escolhidas do público como as melhores propostas, em votação que não interferiu no resultado do Festival.

A grande surpresa da noite do dia 21, enfim, ficou por conta da Vivo, que, motivada pela excelente acolhida do FdI, decidiu premiar cada um dos 18 projetos com um quick start de 2.000 reais já alinhados ao Catarse.

O Festival de Ideias, que promete vir ainda mais forte em novas edições, terminou, portanto, abrindo as portas para que a sociedade, fora dos limites de um evento ou site pontual, possa interagir mais entre si, propondo saídas para seus dilemas do dia a dia.

Maiores informações sobre todo o processo do Festival, bem como dos projetos,  acesse os sites abaixo:

www.festivaldeideias.org.br

blog.festivaldeideias.org.br

catarse.me/festivaldeideias

Para questões de imprensa, favor entrar em contato com Victor Cremasco – 3035.0908, victor.cremasco@spindox.com.br – ou Sueli Gomes – 3035.0902, sueli.gomes@spindox.com.br.

Fonte: Centro Ruth Cardoso

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