Exposição, livro e documentário trazem a obra e o pensamento de mestres da arte de raiz

 

Temporada: de 15 de junho a 05 de agosto de 2012.

 Depois de passar uma temporada pelo Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, chega ao Rio de Janeiro a exposição Teimosia da Imaginação, uma iniciativa do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O projeto apresentado em três linguagens – exposição, livro e documentário –, reúne dez nomes de uma cena da arte brasileira conhecida como “popular”, mas cuja nomenclatura ainda se discute para melhor representar uma produção que brota da cultura de raiz. Daí o interesse em investigar a criação poética deste fazer artístico pela potência do imaginário de seus autores.

 Antonio de Dedé [AL], Aurelino [BA], Francisco Graciano [CE], Getúlio Damado [MG], Izabel Mendes [MG], Jadir João Egídio [MG], José Bezerra [PE], Manoel Galdino [PE], Nilson Pimenta [BA] e Véio [SE] são os protagonistas de Teimosia da Imaginação, dez artistas brasileiros. Registrar universos singularmente iluminados pela expressão dos próprios artistas, oriundos de várias regiões brasileiras, pautou a seleção dos nomes que compõem o projeto. Por isso, entre os dez, nove estão em atividade; somente Manoel Galdino teve seus depoimentos captados antes de sua morte.

 A exposição e o livro, em coedição com a Editora WMF Martins Fontes, são duas grandes realizações do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, entidade criada para preservar e promover a produção artística de origem popular brasileira. As obras, tanto do livro quanto da mostra, pertencem a acervos de importantes museus, como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu Afro Brasil, Memorial da América Latina, Museu do Folclore RJ, Museu do Pontal RJ e Fundação Cartier (Paris), além de destacadas coleções particulares, como a de Gilberto Chateaubriand.

 Com curadoria de Germana Monte-Mór, a mostra traz trabalhos referenciais de cada um destes mestres, além de exibir os documentários sobre os artistas. Por sua vez, o livro, com prefácio do crítico Rodrigo Naves, e texto e entrevistas dos artistas editados pela historiadora Maria Lucia Montes, é ilustrado com fotos que mostram as obras e os autores em seus respectivos locais de vida e trabalho.

Os documentários, em dez episódios, foram produzidos pela Pólo de Imagem em parceria com a TAL e a TV Cultura, e também serão exibidos na programação da emissora. Com direção executiva de Malu Viana Batista, os filmes revelam o processo, a obra e a personalidade de cada um dos artistas, constituindo-se de um raro registro desta arte que muito tem a ser investigada. A direção de cada episódio tem assinaturas de diferentes cineastas: Claudio Assis: Francisco Graciano, Manoel Galdino e Getúlio Damado; Cecília Araújo: Nilson Pimenta e Antônio de Dedé; Hilton Lacerda: José Bezerra e Izabel Mendes; Rodrigo Campos: Jadir João Egídio e Aurelino; e Adelina Pontual: Véio. Em todos, os episódios (26 minutos, livre), a trilha sonora é de Lívio Tragtenberg.

 Segundo Naves, na obra destes dez artistas, cidade e campo, ensinamento e experiência, loucura e relação serena com o meio, procedimentos modernos e técnicas tradicionais deixam de se pautar por parâmetros claros e excludentes, embora também se mantenham. “No mais das vezes, porém, eles se encavalam, se sobrepõem de maneira mais ou menos violenta, dando origem a trabalhos de arte que guardam a lembrança dessas relações complicadas e imperfeitas”, completa.

 Já Maria Lucia Montes aponta algumas pistas que possibilitam esboçar o perfil do universo deste elenco. “No artista, a imaginação e o imaginário que o sustenta se dão a ver na obra criada, mas se mostram também na sua fala que revela o lusco-fusco do devaneio e do sonho que o conduzem à criação, na forma em que sua mão molda o barro, distribui as cores das tintas ou entalha a madeira, na atenção do seu olhar, no esforço de concentração ao aplicar o instrumento de trabalho à matéria de sua criação, na exuberância ou contenção dos seus gestos, na música com que os faz acompanhar, traduzindo às vezes em forma de canção a evocação nostálgica de uma memória ou a alegria de um corpo exultante que canta e dança o sentido da invenção do mundo e de si mesmo”.

EXPOSIÇÃO

Teimosia da Imaginação, dez artistas brasileiros

Artistas: Antonio de Dedé [AL], Aurelino [BA], Francisco Graciano [CE], Getúlio Damado [MG], Izabel Mendes [MG], Jadir João Egídio [MG], José Bezerra [PE], Manoel Galdino [PE], Nilson Pimenta [BA] e Véio [SE]

Curadoria: Germana Monte-Mór e Rodrigo Naves

Paço Imperial

Praça XV de Novembro, 48 – Centro

Fone: 21. 2215-2622

www.pacoimperial.com.br

 Temporada: de 15 de junho a 05 de agosto de 2012

Visitação: de terça a domingo, das 12h00 às 18h00

Entrada franca

LIVRO

Teimosia da Imaginação, dez artistas brasileiros

Prefácio: Rodrigo Naves

Texto e entrevistas: Maria Lucia Montes

Fotos: Germana Monte-Mór

Editora WMF Martins Fontes

Número de páginas: 282

Preço: R$ 120,00

DOCUMENTÁRIOS

Programação TV Cultura: datas de exibição a serem definidas.

SOBRE OS ARTISTAS:

Antonio de Dedé (Antonio Alves dos Santos) – 1953, Lagoa da Canoa – AL

Filho mais velho de cinco irmãos, começou a acompanhar o pai no trabalho de carpintaria e roçado das fazendas da região aos oito anos de idade. Dedé atribui a sua arte a um “dom” surgido a partir do olhar e vontade de recriar, da sua maneira, o trabalho do pai. Suas esculturas, segundo Rodrigo Naves, “reproduzem a relação amorosa entre homens e animais, o lirismo entre todos os seres deste mundo”.

 Aurelino (Aurelino dos Santos) – 1942, Salvador, BA

Aurelino dos Santos é pintor. Suas paisagens surpreendem pela geometria singular de planos, formas e cores. Trabalha em sua casa, nos arredores de Ondina, em Salvador. Em suas obras, a original geometria parece buscar ordenação no caos da vida da cidade grande. Caminha pelas ruas e recolhe materiais que inspiram a sua obra.

 Francisco Graciano – 1965, Juazeiro do Norte, CE

Em Brejo Santo, cidadezinha perto de Juazeiro do Norte, vive Francisco Graciano, também conhecido como Mozinho dos Bonecos, filho do artista Manuel Graciano. É na tranquilidade do sítio onde mora, que transforma as formas dos bichos em esculturas. Hoje vive de sua arte, mas antes trabalhou na roça e em pedreira. Seu pai consagrou-se escultor e Francisco, embora tenha iniciado pelo caminho do pai, logo encontrou uma linguagem própria, autoral. Além de esculpir na madeira, leva para a tela a mesma temática dos animais e do sertão.

 Getúlio Damado – 1955, Espera Feliz – MG

O mineiro chegou ao Rio no fim de 1970, aos 15 anos. Com o nome de sua cidade natal, batizou o pedaço de calçada em Santa Teresa, onde ergueu seu mundo artístico, que transforma sucata em arte. No bairro carioca, Getúlio construiu sua oficina de trabalho – o conhecido bonde amarelo –, que funciona como ateliê, loja e depósito. Além dos bondes em miniatura que viraram sua marca registrada, produz bonecos, caminhões, pássaros, cavalos, pinturas e poesias.

Dona Izabel (Izabel Mendes da Cunha) – 1924, Itinga, Vale do Jequitinhonha – MG

Suas consagradas bonecas de barro, criadas desde 1978, foram expostas pelo Brasil desde a década de 1980. Filha de mãe paneleira e de pai lavrador, Dona Izabel confere fisionomias expressivas às mulheres caboclas, brancas ou negras que esculpe. Conhecida por compartilhar seu conhecimento, sua “escola” já foi assimilada por muitos, particularmente pelas filhas, Maria Madalena e Glória, e pela neta, Andréa Pereira de Andrade.

 Jadir João Egídio –  1933, Divinópolis – MG

A grande repercussão da escultura de G.T.O. na década de 1960, estimulou outros artistas de Divinópolis, como é o caso de Jadir. Da meninice na área rural, transferiu-se em 1960 para a cidade, onde trabalhou como carroceiro até 1977. Desde então, exerce o ofício de escultor, especialmente criando, a partir da madeira, esculturas de santos, figuras da cultura regional e de pessoas próximas. Com autonomia formal, confere uma religiosidade própria em suas obras.

 José Bezerra –  1952, Buique – PE

Sua casa no Vale do Catimbau, no sertão de Pernambuco, é rodeada por um ateliê ao ar livre, com inúmeros totens e esculturas de madeira, encantando os viajantes que passam por lá. Bezerra interfere pouquíssimo em sua matéria-prima, pois segundo ele, nela já está revelada a imagem que deverá se tornar. Com a intervenção de um facão, grosa, formão e serrote em árvores caídas, pedaços de troncos e raízes, ele retrata as mais diversas figuras, desde cabeças de gente, carros de boi, animais, tudo que faz parte do seu universo.

 Manoel Galdino de Freitas – 1924, São Caetano – PE / 1996, Alto do Moura – PE

Em 1940, Galdino muda-se para Caruaru (PE), onde passa a trabalhar em olaria, fazendo telhas e tijolos. Nas horas vagas, se distrai modelando figuras de barro, entre elas a de Judas, para as brincadeiras de malhação da Semana Santa. Em 1974 volta para Alto do Moura onde se torna um dos mais fecundos ceramistas. Seu repertório é composto por monstros e personagens como Lampião-Sereia e São Francisco Cangaceiro. Manuel Galdino morre no Alto do Moura, em 1996.

 Nilson Pimenta – 1956, Caravelas – BA

O artista passou a infância em Mato Grosso e percorreu várias localidades trabalhando como peão, lavrador e cortador de cana, antes de ir morar em Cuiabá, em 1978. Começou a desenhar com lápis de cor e, a partir de 1980, passou a pintar. A pintura levou-o a trabalhar, depois de guarda-vigilante, como supervisor do Ateliê Livre da Universidade Federal de Mato Grosso. Os temas que representa vão desde um casamento no Pantanal, até os crimes em série do “motoboy” paulistano. Participou da Bienal Naïfs do Brasil (1988 e 2000) e da “Mostra do Redescobrimento” Brasil 500 (2000).

 Véio (Cícero Alves dos Santos) – 1948, Nossa Senhora da Glória – SE

De família de lavradores, Véio começou a esculpir em cera de abelha e logo depois em madeira – até hoje, a sua matéria fundamental de expressão. Com um sentido de volume muito peculiar, ele equilibra em uma única escultura vários elementos. Na rodovia Engenheiro Jorge Neto, que passa em frente ao seu sítio, figuras em tamanho natural contam histórias do dia a dia no campo.

 Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro

A entidade criada em 2006 é resultado da união de um conjunto de pessoas interessadas em preservar, valorizar e difundir o conhecimento do imaginário do povo brasileiro por meio de programas de pesquisa, educação e divulgação. O Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro tem como proposta investigar a dimensão estética das diferentes expressões do conhecimento popular, tendo como base a narrativa, os processos e a poética da criação. Para isso busca promover, realizar, patrocinar e incentivar exposições, cursos, seminários, palestras, conferências e pesquisas artísticas e culturais, edição e difusão de textos, monografias, livros, revistas em meios diversos, e estabelecer intercâmbios artísticos e culturais com entidades congêneres do país e estrangeiras.

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