Foto: Iphan

No dia 18 de dezembro de 2012, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan entrega o certificado de Patrimônio Cultural do Brasil para a comunidade da Aldeia Buridina, em Aruanã, Goias. O Título é concedido a Ritxoko – Boneca Karajá.

O pedido de Registro foi solicitado pelos Karajá com apoio de várias instituições, e foi aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em janeiro de 2012.

O projeto Bonecas Karajá: Arte, Memória e Identidade Indígena no Araguaia, coordenado pelo IPHAN-GO, foi conduzido por uma equipe do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (MA-UFG), composta por pesquisadores especializados na temática Karajá. A pesquisa foi realizada com a comunidade das aldeias Buridina Mahãdu e Bdé-Buré, em Aruanã (GO), e da aldeia de Santa Isabel do Morro, ou Hawalò Mahãdu, na Ilha do Bananal (TO).

Em quase dois anos de pesquisa, foram identificadas as matérias primas, técnicas e etapas de confecção, além dos mitos e histórias narradas pelos Karajá que expressam a rica relação entre seu povo e o rio, a fauna e a flora local, as relações sociais e familiares e a organização social. Toda essa riqueza e complexidade cultural podem ser identificadas nas cenas esculpidas em barro e ornadas com precisos traços em preto e vermelho das bonecas.

As bonecas Karajá

A etnia Karajá ocupa uma vasta região ao longo dos rios Araguaia e Javaé e detém áreas nos territórios dos Estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Atualmente existem 21 aldeias Karajá com uma população estimada em 2,9 mil pessoas. As diferentes manifestações culturais desse povo constituem um importante suporte à memória e à identidade não só da nação indígena, como também referenciam o contato com os não-índios. O grafismo, o artesanato e a arte plumária karajá são algumas referências culturais que transcendem o espaço das aldeias e apresentam-se como identificação do território e da cultura regional.

Entre as inúmeras expressões culturais materiais da etnia Karajá, as Ritxoko, além de obra artística primorosa originada das mãos leves das ceramistas, constituem uma referência significativa do grupo. Confeccionadas em cerâmica, pintadas com uma grande diversidade de grafismos e representando tanto as formas humanas como as da fauna regional, são artefatos que singularizam o povo Karajá diante dos demais grupos indígenas brasileiros e sul-americanos.

Enquanto brincam com as Ritxoko ou observam a sua feitura, as meninas Karajá recebem importantes ensinamentos sobre a sua cultura e aprendem também as técnicas e saberes associados à sua confecção e usos. Por representarem cenas do cotidiano e dos ciclos rituais, elas portam e articulam sistemas de significação da cultura Karajá e, dessa forma, são também lócus de produção e comunicação dos seus valores, além de importantes instrumentos de socialização das crianças que, brincando, se vêem nesses objetos e aprendem a ser Karajá.

As Ritxoko integram o acervo de vários museus no país, são procuradas como objetos de decoração e comercializadas junto a turistas e lojas de artesanato locais, regionais e nacionais, convertendo-se em fontes importantes de sobrevivência econômica deste grupo indígena. Entretanto, devem ser compreendidas além da sua expressão puramente material, visto que, desde a sua confecção, elas desempenham um papel importante na reprodução cultural do povo Karajá.

Fonte: Iphan

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