Foto: Divulgação A CASA museu do objeto brasileiro

A CASA museu do objeto brasileiro, em uma iniciativa inédita, levou interessado em arte popular e produção artesanal ao Cariri Cearense. O objetivo da viagem foi proporcionar o encontro com artistas populares e artesãos, suas obras e histórias, além da aquisição das peças.

Margarida Cintra Gordinho, Diretora do Conselho da ArteSol, foi uma da interessadas a ir ao Cariri, e além disso, aproveitou a viagem para visitar uma das associações selecionadas à integrar a Rede ArteSol pelo Comércio Justo, assim como, o mestre artesão Espedito Seleiro. Leia abaixo o relato de viagem de Margarida.

A viagem ocorreu entre os dias 24 a 27 de outubro e os lugares visitados foram: Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha e Nova Olinda.

Em Crato, os visitantes puderam encontram os artesãos da Associação dos Artesãos do Crato. No dia 25 foi à vez de visitar o atelier do famoso artesão Espedito Seleiro, em Nova Olinda e à tarde visitaram o Centro de Artesanato Mestre Noza e a Associação dos Artesãos da Mãe das Dores.

No dia 26 o destino foi Barbalha, pequena cidade da região que teve grande importância história e ainda hoje abriga casarões do final do século passado. Lá visitaram a Lira Nordestina, onde produzem xilogravuras em papel e azulejos.

Fonte: A CASA

 

No Cariri

Por Margarida Cintra Gordinho (Diretora do Conselho da ArteSol)

Passar quatro dias no Cariri, lá no pé de serra do Luiz Gonzaga foi muito bom. Éramos nove mulheres animadas e dispostas a admirar o artesanato de raiz, levadas pela A Casa.  Juazeiro cresceu, tem empregos, tem indústrias, o artesanato perdeu muito de sua criatividade e precarizou-se;  muitos mestres desistiram da atividade e trabalham em outros postos, mais rentáveis.

Ora vejam:

Instalada em antigo quartel a Associação de Artesãos de Juazeiro do Norte é endereço fácil, mas já viu tempos melhores em tempo de Mestre Noza. Muitas peças de madeira, lata, cerâmica organizam o espaço. Seus melhores artistas deixaram a profissão e ficaram os outros. Visitamos a Lira Nordestina olhamos as xilografias de José Lourenço e seu irmão Cícero, os azulejos impressos, os folhetos de cordel, as caixinhas de carimbos tudo voltado para a freguesia incerta. Na cidade há artesanato em palha, em pano, mas também importados chineses em preços imbatíveis.

Nesse cenário o Espedito Seleiro reina sozinho em Nova Olinda. Tem seu estilo, conhece seu ofício e faz o que gosta. O ateliê é pequeno, ali trabalham 3 pessoas e são muitos os modelos, os recortes e as peles que estão penduradas. Nas paredes retratos deles e de amigos. Violeta Arraes tem lugar de honra, sua divulgadora primeira. Do outro lado da rua a loja, onde alinham-se os produtos: selas, cintos, carteiras, sandálias, mochilas tudo bonito e colorido como eram as roupas dos cangaceiros. Lampião foi freguês de seu bisavô e, hoje o governador de Pernambuco, o cineasta Guel Arraes, seus amigos cariocas e famosos são clientes. Espedito é reconhecido e viaja pelo Brasil contando de seu ofício. Vale a visita.

Em Sant’Ana do Cariri as Rendeiras de Bilro lutam para formar sua associação, tecem lindas redes e poderiam inovar nos produtos com orientação em design. Ao lado o Museu de Palenteologia é visita importante. A Associação de Artesanato do Crato tbém enfraqueceu; poucos artesãos permanecem, repetindo padrões. Compramos sandálias lindas no Nonato, que espalha o estilo do Espedito. Em Barbalha entramos em contato com mais bordadeiras, pouca gente e entusiasmo.

A viagem valeu a pena, curtimos a Serra e a Floresta Nacional do Araripe, entramos em contato com o projeto Geopark incentivado pela UNESCO. Há termas, passeios e come-se bem. O ponto alto da viagem foi visitar o Padre Cícero, seu museu e os ex-votos numerosos que registram as graças recebidas. Há talhas com canecas em vez de bebedouros, lojinhas, fotógrafos posicionados para propor um registro personalizado com o Padim. Principalmente há gente, muita gente, contrita e feliz de estar perto dele. Descer o caminho do Horto olhando as casinhas coloridas, de porta e janela, agora de alumínio e fabricadas pela Alcoa esclareceu a transformação da região: melhores empregos e transferência de renda mudaram a vida do Cariri e o artesanato se ressentiu.

Fotos da viagem por Margarida Cintra Gordinho:

 

 

 

 

Patricia tem oito anos e trabalha como guia na Fundação Casa Grande em Nova Olinda, Cariri.

 

 

 

 

 

 

 

Centro de Artesanato Mestre Nosa, Juazeiro do Norte.

 

 

 

 

 

 

 

 

Mestre artesão Espedito Seleiro, Nova Olinda.

 

 

 

 

 

Divulgado em 05.11.2013

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