07.03.2014

A maior parte do trabalho realizado no mundo é feito pelas mulheres – 67%, segundo relatório das Nações Unidas. As mulheres recebem de 30 a 40% menos que os homens para fazer trabalhos similares e em muitos países em desenvolvimento, não recebem qualquer tipo de remuneração.

No entanto, a luta pela igualdade das mulheres tem alcançado grande mudança social, política e econômica, melhorando a vida das mulheres trabalhadoras e suas famílias em uma escala global.

O Comércio Justo é uma parte importante dessa mudança.

A ArteSol e a Organização Mundial de Comércio Justo (WFTO) celebram o Dia Internacional da Mulher desenvolvendo ações de apoio para promover modos de vida sustentáveis e oportunidades de trabalho.

Para esse dia 08 de março queremos destacar um dos princípios do comércio justo que aborda a questão da não discriminação, igualdade de gênero e empoderamento econômico das mulheres.

O Dia Internacional da Mulher serve para celebrar a coragem e os avanços na luta pela igualdade de gênero no mundo, mas também para destacar que o problema ainda está longe de ser resolvido e portanto, não podemos parar de agir.

Artesol parabeniza as organizações e os governos que oferecem conhecimento e ferramentas às mulheres para que elas possam reivindicar seus direitos como trabalhadoras, esposas e mães. Esse apoio faz toda diferença!

Para inspirar essa mudança, ArteSol apresenta algumas dessas mulheres:

Dona Maria José Gomes da Silva (Zezinha), artesã de Turmalina, Vale do Jequitinhonha/MG

Conheça o trabalho da Dona Zezinha: Clique aqui

Dona Zezinha aprendeu a mexer no barro com a mãe aos 14 anos e desde então produz bonecas de expressão única. Lá em Turmalina, Minas Gerais, o principal sustento vem da roça ou do trabalho artesanal e para Dona Zezinha o artesanato significa o pão de cada dia.

“Quando eu era pequena e comecei a trabalhar com o artesanato, a gente não tinha praticamente nada. A gente fazia só para as despesas da casa, você não podia comprar roupa, você não podia comprar calçado, não tinha nenhuma cama correta pra você dormir” disse Dona Zezinha.

Hoje o artesanato acaba sendo a principal fonte para pagar as contas da casa da família de Dona Zezinha.

 

Núbia Alírio, artesã de Sítio Riacho Fundo, Esperança/PB.

Associação dos Artesãos de Riacho Fundo

Conheça o trabalho artesanal da associação, clique aqui.

Núbia aprendeu o fazer artesanal da boneca Esperança com sua tia Maria do Socorro da Conceição, que repassou o saber para outras mulheres e homens do bairro Sítio Riacho Fundo, em Esperança, por meio de oficinas realizadas pela ArteSol e parceiros. Leia aqui.

Por não haver trabalho na região, a taxa de desemprego é alta e o artesanato é uma importante fonte de renda para a comunidade de Riacho Fundo.

Após o aprendizado da técnica artesanal, Núbia conseguiu sustentar sua família apenas com a renda advinda das vendas do artesanato. Como muitos outros artesãos da região que conseguiram construir suas casas e comprar outros bens.

Nas horas livres a artesã trabalha com o marido na roça, plantando feijão, batata, milho, e mais o que conseguem colher no Nordeste. Núbia também faz um curso para professora e diz que concilia várias atividades, para nunca ficar parada, “Faço de tudo um pouco” diz ela.

Perguntamos a Núbia se ela acha que é uma mulher empreendedora e olha o que ela nos respondeu:

“É, um pouquinho, um pouquinho, mas eu sou. Graças ao artesanato que eu descobri isso, que eu consegui. Não assim… aos poucos to aprendendo, mas eu acho que eu sou mesmo. Porque assim, eu aprendi a negociar com o artesanato, eu aprendi a vender o trabalho da gente, representar. Eu acho que é mais ou menos isso, né! A contabilidade também aqui da associação, eu que tomo conta. Conversar com os clientes, procura vender o produto da gente. Eu acredito que pode ser isso né! (risos)”

Hoje as vendas na associação são mais esporádicas, mas os artesãos estão sempre prontos para receber encomendas!

 

 

Elione Pereira de Souza, artesã de Pitimbu/PB

Conheça o trabalho artesanato do Grupo Trançados de Pitimbu

Elione começou no grupo de Pitimbu há 10 anos, por incentivo das irmãs que já participavam e aprenderam com a mestra Dona Zefinha.

O trançado em fibra de coco é passado de geração para geração e Elione diz que não pensa em parar de trançar e que ainda quer ensinar as netas. O grupo de artesãs se reúne uma vez ao mês na sede da associação.

Elione teve dificuldades ao aprender a trançar a fibra, acabava por entronchar a peça, como ela mesma disse, mas teve persistência e hoje domina a técnica artesanal. A artesã ainda disse que o fazer artesanal significa muito em sua vida: “O prazer de trabalhar, mostra o nosso talento, né?… É uma renda a mais para o nosso salário.”

Isailda Pereira de Oliveira, artesã da cidade de Valente/BA

Conheça o trabalho artesanal da Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão – COOPERAFIS

Dona Isailda trabalha com outras artesãs na Cooperafis – Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão há uns 17 anos. Disse que ama o fazer artesanal e que após aprender a técnica, ela obteve uma renda complementar ao seu salário. “O artesanato não traz um lucro, no caso, uma renda suficiente para você sobreviver, é um complemento. Mas me ajuda bastante” disse Isailda.

Atualmente a artesã é diretora administrativa da associação e relatou que aprendeu muito com a cooperativa, pois tiveram algumas capacitações que ajudaram no aprendizado. Hoje ela é responsável pelo setor de vendas e o contato com os clientes, parceiros e fornecedores.

A Cooperafis possui 10 núcleos produtivos divididos nas cidades de Araci, Valente e São Domingos, onde mais ou menos 60 artesãs estão ativamente trabalhando com a técnica do trançado em sisal.

 

Todas estas mulheres são empreendedoras que cresceram assistindo suas avós, mães ou tias produzirem o artesanato, passaram por dificuldades financeiras e sociais, e continuam repassando estas tradições aos mais jovens, imortalizando a sua identidade local.

 

Parabéns a todas as mulheres!


 

 

4 Comentários para "Dia Internacional da Mulher | 08 de março"

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