Fonte original: MINC

Texto por Jefferson Lessa
Assessoria de Comunicação do Ministério da Cultura

Vestido em placas finas de madeira, de tricô de linha de pesca com placas de papel rígido, de renda renascença e em tricô de seda pura rústica e fio de nylon (foto: Divulgação)

A exposição Vitrines Culturais, que fica em cartaz em sete cidades-sede dos jogos da Copa até o próximo dia 13, ganhou um charme a mais no Rio de Janeiro: desde o último sábado, quatro vestidos do estilista Ronaldo Fraga podem ser vistos no Parque das Ruínas, em Santa Teresa.

Mineiro de Belo Horizonte, de fala mansa e espírito inquieto, Fraga não tem medo de manifestar suas opiniões, mesmo quando vai contra a corrente. Desenhista talentoso, ele foi eleito, em março, um dos sete estilistas mais inovadores do mundo pelos curadores do Design Museum, de Londres. Nesta entrevista, Ronaldo Fraga fala da profunda relação de seu trabalho com o artesanato e de seu apreço pelas tradições culturais do país.

– De que forma os vestidos expostos no Parque das Ruínas dialogam com a mostra de artesanato?

A essência da moda é o feito a mão. Ou seja, moda também é um tipo de artesanato.

– Seu trabalho impressiona pelo arrojo e pela originalidade. Ao mesmo tempo, são feitos com materiais usados há séculos por artesãos. Como casar estas duas características aparentemente antagônicas?

Busco uma narrativa de moda como vetor cultural. É impossível pensar em moda como reafirmação da cultura de um país sem um diálogo estreito com os saberes e fazeres tradicionais que expressam a nossa ancestralidade.

– Vestidos como os expostos no Parque das Ruínas são bem aceitos em mercados estrangeiros?

Sem dúvida! Fui escolhido neste ano como um dos sete designers de moda mais inventivos do mundo. A peça escolhida, que está exposta no Design Museum, em Londres, traz justamente estas características. Minhas coleções são desfiladas e expostas no Japão, na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.

– O brasileiro valoriza o artesanato do país?

Não. Em parte, por dificuldade de apropriação da sua própria cultura, e também por falta de autoestima. Mas já foi muito pior.

– De onde vem a sua ligação com temas regionais?

Sempre que querem elogiar ou desmerecer o meu trabalho, usam o mesmo termo: regional. Nunca me preocupei com isso. O design mais moderno produzido no Japão, nos países nórdicos ou na Itália, por exemplo, é calcado, em parte, em suas tradições. Para mim, a grande matriz da cultura brasileira vem do sertão, dos confins do Brasil. E é isso que me oxigena.

Divulgado em 07.07.2014

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