Com curadoria de Waldick Jatobá, realização W/Design, direção geral de produção de Katia Avillez, cor-realização da CASA COR e patrocínio master Bradesco Private Bank, a segunda edição da feira MADE – MERCADO, ARTE, DESIGN, ocorreu entre entre os dias 5 e 9 de Novembro de 2014 no Jockey Club de São Paulo.

A Artesol participou com a exposição temática “Arte Indígena: puro design brasileiro”, composta por peças funcionais e de design único. Um dos principais objetivos da mostra foi valorizar e evidenciar a criatividade e a técnica apurada do artesanato indígena brasileiro. Entre as peças, os visitantes puderam conhecer:

(Confira a galeria completa com as fotos dos artigos descritos no final do artigo.)

Cocar de Canudinhos | Etnia Kaiapó
Cocar confeccionado com canudinhos e algodão pela aldeia Au’ke, no Pará. A população, segundo a Funasa, está estimada em 8.638 (dados de 2010) e utiliza o idioma Jê. O cocar é feito com canudinhos porque aos indígenas brasileiros é permitida a produção de artefatos e artesanato a partir de restos e partes dos animais que abatem em seu dia-a-dia na selva. No entanto, a comercialização nacional ou internacional de tais artefatos é ilegal. A medida visa evitar a caça predatória e proteger a integridade da fauna local.

Rede de Algodão | Etnia Yanomami 
Rede confortável e resistente, feita inteiramente com fios do algodão cultivado nas roças Yanomami. O algodão é semeado junto ao roçado tradicional, e após meses de crescimento, os frutos são colhidos. Segue-se então a separação das fibras das sementes. Retiradas as impurezas, o algodão cru é fiado à mão, com um instrumento tradicional em formato de pião, conhecido como fuso. Posteriormente, o fio é estirado em malha aberta, em espécie de tear vertical no qual os fios são trançados.

Cesto Xotó | Etnia Yanomami 
Cesto trançado com cipó titica e pintado com urucum e carvão, confeccionado exclusivamente pelas mulheres. Contam os mais velhos que a tradição iniciou com Tihinama, uma mulher Yanomami que viveu há muito tempo e que nasceu com o dom de tecer cestos xotehe e wii. Após a sua morte, ela deixou seus ensinamentos sobre a técnica de cestaria para as mulheres e deixou sua própria energia (kama ani utupë hëkema), presente até hoje no trabalho de cada mulher Yanomami. A produção e a comercialização do artesanato de cestaria é hoje uma alternativa viável economicamente e segura ambientalmente para a geração de uma fonte de renda suplementar para as comunidades Yanomami.

Cesto Cargueiro | Etnia Yanomami Yorehi 
Cesto rústico de carga utilizado no cotidiano das aldeias, especialmente no transporte de mandioca e de lenha.
É carregado nas costas e sustentado pela fronte por uma alça extremamente resistente feita de entrecasca de diversas espécies de raízes aéreas. Depois de descascadas, secas e partidas, as fibras são trançadas de forma cruzada, em múltiplos sentidos, o que proporciona bela rusticidade e grande resistência.

Cesto Cargueiro | Etnia Xavante (Baquité) 
Trançado com folhas de buriti pelas mulheres Xavante.
Quem colhe as frutas, raízes e palhas são as mulheres. De manhã as mulheres saem da aldeia em grupo para coletar as frutas silvestres como coco de buriti, pequi e jatobá. Elas conseguem andar no mato um pouco longe da aldeia, colocando as frutas comestíveis nos baquités grandes e nos baquités médios. Levam junto a água da cabaça, para beber quando estão com sede e longe do rio.

Bijuzeira | Etnia Waurá
Os Waurá são grandes ceramistas, conhecidos pelas grandes panelas de até 2m de diâmetro, chamadas de Kamalupe. No Xingu, somente os Waurá e Yudjá dominam o uso do barro na confecção de panelas de vários tamanhos, formatos e figuras zoomorfas. Depois de modelada e cozida em um buraco previamente aquecido, a panela é debruçada. Seu fundo externo é todo embranquecido de tabatinga, e caprichosamente decorado em vermelho e preto (com tintas de urucum e de jenipapo), com desenhos simétricos, traços firmes e à mão livre.

Banco Zoomórfico Gavião | Etnia Mehinako 

Os bancos indígenas enfatizam a diversidade de formas e grafismos desses objetos que, embora tenham apenas uma função de uso, estão impregnados de uma importante dimensão simbólica. Se, no cotidiano, os banquinhos podem ser usados de forma indiscriminada por todos os indivíduos da aldeia, durante os rituais tornam-se atributos exclusivos de certos indivíduos. Assim, é comum o banco ser usado de forma a diferenciar socialmente os indivíduos, separando os homens das mulheres, os jovens dos velhos e certos homens, como os chefes e os pajés, do restante da aldeia.

Jarro Kaxadádali | Etnia Baniwa 

O termo kaxadádali, em baniwa, refere-se ao formato barrigudo de uma cesta ou cerâmica. A palavra que se aplica também às pessoas (mulheres grávidas, por exemplo) e aos animais. Antigamente era feito de cipó e usado para guardar miudezas (como bóias de molongó e iscas para pescar), ficando submerso até o pescoço. Hoje é feito com fibra de arumã.
Os Baniwa fazem parte de um complexo cultural de 22 povos indígenas diferentes, de língua aruak, que vivem na fronteira do Cuiari, Aiairi e Cubate, além de comunidades no alto Rio Negro/Guainía e nos centros urbanos rionegrinos de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos (AM).

Confira a galeira completa:

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