O modo de fazer cuias das mulheres ribeirinhas do baixo Amazonas foi registrado como Patrimônio Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A prática artesanal de fazer cuias é desenvolvida entre comunidades indígenas da região há mais de dois séculos e hoje é um ofício da região. As cuias, feitas do fruto da cuieira (Crescentia cujete), são herança dos primeiros povos indígenas da região, como os índios Tupaiu (século 18), Tapajós e Munduruku. São facilmente encontradas em lojas de artesanato paraense e nas barracas das tacacazeiras, pois são o recipiente típico para servir e consumir o tacacá  – prato típico do Pará feito com goma de mandioca e servido com tucupi (líquido também extraído da mandioca), camarão e folhas de jambu. As cuias são um símbolo do Pará.
Esse artesanato fez parte do programa Artesanato Solidário, desenvolvido pela ArteSol, em três oportunidades: 2002-2003; 2009-2010 e 2010-2011. Em cada etapa um tipo de trabalho foi realizado, acompanhando e aprimorando o desenvolvimento da comunidade e a preservação dos saberes artesanais.

Na primeira etapa, foi criada a Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan – Aíra), que conta com mulheres das regiões de Aritapera Centro, Cabeça D’Onça, Surubim-Açu, Carapanatuba e Enseada. A produção foi revitalizada nos moldes dos parões de vida do local, sempre com o uso das matérias-primas disponíveis. Os padrões estéticos foram resgatados com os mais idosos e planos de ação foram traçados em conjunto com a comunidade. As artesãs das cuias de Santarém descobriram que sua arte, além de render recursos financeiros, poderia abrir novos horizontes, como a exposição realizada no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Rio de Janeiro.

Nas etapas seguintes, o Artesanato Solidário/ArteSol e o Ministério do Turismo desenvolveram junto à Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém – Asarisan um projeto de turismo de base comunitária associado à produção artesanal na comunidade de Aritapera, município de Santarém (PA), com o objetivo de fomentar esse segmento do turismo e promover sua inserção na economia de mercado com base nos princípios de economia solidária.

Foi a forma encontrada de manter a tradição ribeirinha viva e reconhecida: as artesãs abriram as portas de sua associação para compartilhar o processo de produção das cuias e proporcionar aos visitantes uma vivência única da realidade local.

Para saber mais sobre o modo de fazer as cuias, clique aqui.

Para ver a página da Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan – Aíra) na rede ArteSol, clique aqui.
Confira algumas fotos das atividades realizadas em 2011 durante o trabalho da ArteSol com as comunidades:

3 Comentários para "Cuias de Santarém"

  1. Me sinto honrada em fazer em Feito deste maravilhososo projeto com as artesas e ter contribuido com a mudanca de vida deals, especialmente no portamento dessas mulheres.

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