Resgate do trabalho artesanal e romantismo marcam o principal evento de moda do país.

O fazer manual foi uma das grandes inspirações da edição de aniversário de 20 anos do São Paulo Fashion Week, maior evento de moda brasileiro e referência internacional. Revelando tendências para o inverno de 2016, dois estilistas destacaram o fazer manual e o conhecimento artesanal brasileiro.

O estilista Ronaldo Fraga emocionou o público falando de amor: românticas estampas de coração, flores e muito vermelho e roxo. As roupas e matérias-primas foram de produção 100% brasileira: tule, seda e jacquard foram os principais materiais usados. A seda utilizada foi produzida pelo Vale da Seda, Paraná, que trabalha com o desenvolvimento regional sustentável.

 

A coleção da estilista Fernanda Yamamoto destacou a delicadeza e a suavidade. Ela elaborou sua coleção com as 77 rendeiras de renascença do Coletivo Feminista Cunhã, de Pernambuco e apoio do Programa de Artesanato da Paraíba. Ela passou um ano visitando o Cariri Pernambucano regularmente, em um sensível trabalho de renovação da renda, mas sempre respeitando a tradição do fazer manual e das rendeiras. Conjuntamente, elas desenvolveram novos pontos para a renda, com o objetivo de deixar o tecido final mais leve e delicado. As tradicionais flores deram lugar à padronagens geométricas que remetem a raízes, galhos, nuvens, rachaduras cercas e outras imagens características da região. Em dois meses, as artesãs entregaram os tecidos de renda com os novos pontos. No ateliê, o tecido foi emendado e tingido. Algumas peças também receberam feltragem (técnica que consiste em inserir lã nas tramas de um tecido), couro, jacquards e tricô. Várias artesãs presenciaram o desfile e viram seu trabalho nas passarelas.

A homenagem e o resgate do fazer manual não pararam por aí: a ambientação da Casa SPFW foi feita pelo designer Paulo Alves, que utilizou o acervo de artesanato tradicional da ArteSol para a decoração do espaço. A loja FFWSHOP também privilegiou o saber artesanal: todos os itens à venda eram feitos à mão ou possuíam alguma intervenção manual.  Lenços de seda, cerâmicas, calçados, bijuterias, bolsas e diversos outros itens evidenciavam o fazer artesanal. Na loja, a ArteSol colocou itens do artesãos que fazem parte da Rede, como bolsas Juão de Fibra, sandálias Espedito Seleiro, acessórios do Instituto Bordado Filé de Alagoas, bolsas trançadas da Associação Tupinambá e xilogravuras de J. Borges. Confira aqui a vitrine dos produtos.

A ArteSol considera a 40ª edição da SPFW – Inverno 2016 um marco para a maior difusão do artesanato tradicional brasileiro e o resgate do fazer artesanal na moda. Difundir produtos nacionais que são fruto da cultura brasileira é um forte impulso para o setor e fundamental para a salvaguarda do conhecimento tradicional.

*Créditos:

Fotos da coleção Ronaldo Fraga:  Zé Takahashi | Ag. Fotosite

Fotos da Casa SPFW: Lucas Rosin | Estúdio Paulo Alves

Produtos da ArteSol na FFWSHOP: Tati Cotrim | ArteSol

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