A mulher, a artesã, a empreendedora: a renda que gera renda e vitaliza a cultural local.

 

O Projeto Renda Rendada, desenvolvido pela ArteSol, foi selecionado entre outros 345 projetos inscritos no Edital Mais Eu 2015. Como requisito, os projetos precisavam ter foco no empreendedorismo feminino, na qualificação profissional e na geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade. Ao todo, foram selecionados 21 projetos em 14 Estados, com diversos focos de desenvolvimento, como moda, corte e costura, artesanato, construção civil e outros. Os projetos devem ser realizados durante o ano de 2016.

Marechal Deodoro é um pequeno município localizado na região metropolitana de Maceió (Alagoas), cidade histórica e tombada como Patrimônio Histórico Nacional e foi escolhido como alvo projeto Renda Rendada. A pequena cidade é um polo de renda filé, produzida essencialmente por mulheres, cuja receita é muito significativa para a economia local e está diretamente relacionada com o turismo. Com a população estimada em 51 mil habitantes, a economia regional gira em torno das produções de cana de açúcar e coco, da pesca, do turismo e do artesanato. A tradição do fazer artesanal está enraizada na cultura das famílias. 

Para as peças de vestuário e acessórios, as artesãs da Associação das Mulheres Rendeiras de Marechal Deodoro (AMUR) reconhecem a necessidade de se aprimorar a modelagem, a cartela de cores e adquirir uma leitura de estilo direcionada para o mercado da moda e design. Elas também percebem que, sem inovação e boa gestão, a comercialização fica limitada. Por isso é necessário desenvolver a excelência na qualidade, estilo e contemporaneidade, mantendo a identidade cultural das peças para viabilizar a entrada dos produtos de renda filé em mercados além do eixo turístico local.

O projeto Renda Rendada beneficiará 30 rendeiras que têm em seu ofício uma produção cultural genuína do Brasil e pretende estimular a continuidade deste trabalho para as futuras gerações sob a perspectiva da economia criativa.

 

Saber feminino que gera renda

A AMUR foi selecionada pela ArteSol para receber o projeto Renda Rendada por ser composta exclusivamente por mulheres e precisar de melhorias na gestão, aprimoramento dos produtos e renovação do processo criativo para tornar os produtos mais competitivos e adequados às necessidades do mercado atual. O projeto pretende reverter ou amenizar o quadro de desvalorização do ofício de rendeira, atrair as jovens que trabalham individualmente para o trabalho associativo e garantir o repasse das técnicas para as novas gerações. Salvaguardar a técnica de produção da renda filé contribuirá decisivamente para o aumento da renda familiar, o fortalecimento da autoestima, a promoção do acesso aos direitos de cidadania e a emancipação financeira destas mulheres. 

O Projeto Renda Rendada possui um programa de implantação da cultura empreendedora e da inovação dos produtos – sempre com grande sensibilidade e respeito às técnicas tradicionais e à cultura local, marca da ArteSol -, tendo em vista a ampliação da comercialização. 

Existem dois fatores essenciais para que o projeto tenha continuidade: a tradição local de rendar e a condição de transformar essa sabedoria em fonte de geração de receita significativa e emancipatória para as mulheres da comunidade.

Empreendedorismo feminino

A formação empreendedora das artesãs da AMUR tem o objetivo de ampliar seus conhecimentos para o uso de ferramentas de gestão, inovação do produto e comercialização da renda filé no Brasil. O fortalecimento do grupo é essencial para que as rendeiras participem de forma ativa e autônoma na criação de estratégias que garantam a sustentabilidade social, cultural e econômica da associação.

O Projeto Renda Rendada oferecerá às rendeiras conhecimentos e estratégias de atuação em diversas frentes, estimulando a autonomia e o protagonismo para o desenvolvimento da associação e, consequentemente, da comunidade local. No projeto estão contemplados temas como: elaboração e implementação do plano de negócio; estruturação e fortalecimento do sistema de governança da associação; novas articulações e parcerias; criação de nova linha de produtos e o uso dos meios digitais como ferramentas de divulgação e impulsionamento do negócio.

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