Projeto Cultura Sustentável no Vale do Jequitinhonha realiza ações de resgate cultural, salvaguarda de conhecimentos, desenvolvimento socioeconômico regional e sustentabilidade ambiental.

 

O Vale do Jequitinhonha (MG) é uma região de grande beleza  natural e heranças culturais de origens indígena e negra, um lugar singular, de povo acolhedor, que encanta os visitantes. A região possui mais de 700 mil habitantes distribuídos em 55  municípios (SIT 2010), destacando-se  por seus saberes tradicionais e manifestações culturais como teatro e música, que têm revelado talentos com repercussão nacional desde a década de 80.

São inúmeras as festas populares, deliciosa a gastronomia e intensa a produção artesanal, fonte de renda de muitas famílias uma vez que a região é marcada  por baixos indicadores sociais. O artesanato revela a alma da região, reconhecida nacionalmente por sua produção de bonecas de cerâmica e cenas do cotidiano provenientes das mãos de Mestres Artesãos como: Dona Isabel Mendes da Cunha, Ulisses Pereira, João Alves, Zezinha, Noemisia Batista dos Santos, Lira Marques e Zefa, entre tantos outros que influenciaram um conjunto significativo de novos artesãos.

As técnicas tradicionais passadas de mãe para filhas por gerações são fruto da necessidade de aquisição de utensílios para cozinhar e de uso doméstico e para as brincadeiras da infância, numa região cujos índices de IDH são historicamente os piores de Minas Gerais.

Tendo em vista que o artesanato local confeccionado a partir de várias técnicas se encontra por vezes em risco de desaparecimento  e que a região necessita de ações que gerem trabalho e renda com sustentabilidade ambiental e econômica fortalecendo a cultura, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), elaborou o projeto Cultura Sustentável no Jequitinhonha em conjunto com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS).

Com foco no resgate cultural, na salvaguarda desses conhecimentos e no desenvolvimento socioeconômico regional e  sustentabilidade ambiental, o projeto foi executado com a colaboração da ArteSol e  da  Raízes Desenvolvimento Sustentável.

Neste trabalho foram identificados artesãos que trabalham de forma sustentável, com materiais provenientes da biodiversidade local e que precisavam de apoio para desenvolverem suas iniciativas. Depois do diagnóstico inicial, dois municípios foram selecionados para participar do projeto: Jequitinhonha e Ponto dos Volantes.

Dentre os desafios identificados, destacamos: o resgatar ou vitalizar da identidade cultural, o aprimoramento e  a  inovação dos produtos para às demandas do mercado ( respeitando as tradições das comunidades), a potencialização da escala, a visibilidade e divulgação, revelando  os traços e os fazeres do povo para fomentar a economia da região e oferecer a conservação e a valorização dos recursos naturais ali presentes.

Sob o ponto de vista cultural, as duas cidades alvo do projeto apresentam o mesmo conjunto de necessidades: Jequitinhonha fica às margens do rio homônimo, é o berço da história da região e destaca-se pela tecelagem. Ponto dos Volantes é a cidade natal da mais famosa bonequeira de cerâmica de todos os tempos: Dona Isabel. Embora as tipologias artesanais fossem diferentes, elas precisavam de qualificação e inovação nos seus processos de produção, governança e gestão.

Do ponto de vista da infraestrutura, os municípios estão aproximadamente 685 km distantes da capital Belo Horizonte. As conexões terrestres são complicadas entre os municípios e  o transporte estadual é feito por apenas uma linha de ônibus, o que encarece o deslocamento. As conexões aéreas para a região podem ser feitas pelos destinos Montes Claros (MG) e Vitória da Conquista (BA), cidades localizadas a 4 horas dos destinos. É necessária a implantação de estruturas básicas que possibilitem uma futura conexão do artesanato com o turismo, mesmo o de base comunitária – já iniciado nas regiões em Turmalina e Minas Novas depois de intensa qualificação.

Dessa forma destaca-se a ênfase do Projeto para a qualificação da produção coletiva e melhoria dos produtos, beneficiando os grupos selecionados com ações de inovação do produto, profissionalização da gestão e acesso ao mercado, sabendo que essas ações num primeiro momento supriram apenas as necessidades primárias dos grupos selecionados, considerando-se o tempo e os recursos disponíveis.

Veja como foi o projeto em Jequitinhonha e Ponto dos Volantes.

*com informações de IABS.

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