Voluntárias Artesol durante viagens a grupos de artesãs na Bahia

Voluntárias Artesol durante viagens a grupos de artesãs na Bahia

Com as mãos delicadas e ágeis, as artesãs manusevam a palha esbanjando naturalidade enquanto contavam histórias sobre o trabalho coletivo entre mulheres com o trançado na deslumbrante Costa do Sauípe. Carregado de história indígena, o artesanto produzido na Cooperativa de Artesanato do Trançado Tupinambá – COPARTT retratata a atmosfera alegre do universo local através das cores vibrantes de bolsas, carteiras, tapetes e chapéus de fibra de piaçava de fino acabamento da Coleção Lá e Cá.

A Cooperativa localizada no município de Entre Rios (BA) foi um dos grupos visitados pelas voluntárias da Artesol na última semana durante uma viagem que incluiu vivências em diversos coletivos da Bahia. A proposta dos roteiros promovidas pelo Instituto é proporcionar o intercâmbio de conhecimento entre diferentes profissionais do segmento e os mestres artesãos de comunidades apoiadas pela organização.

“Entramos naquela casa em frente ao mar muito verde e a lembrança da Dona Ruth Cardoso é imediata”, conta a presidente do Instituto, Sônia Quintella. No fim dos anos 90, a Artesol doou o terreno para sediar a COPARTT e promover a capacitação do grupo. Hoje, as mestres da arte Tupinambá seguem trabalhando cercadas pelas matas, os rios e as praias repletas de coqueiros de Sauípe, de forma comunitária. “A artesã de Sauipe colhe as folhas da palmeira de Piaçava; as mesmas que sua avó colhia. O respeito ao manejo sustentável é o princípio mais importante da Tecnologia Artesol de Capacitação, reforça Sônia.

Voluntárias com artesãs que atuam no trançado Tupinambá na Sede da Coppart, Costa do Sauípe

Voluntárias com artesãs que atuam no trançado Tupinambá na Sede da Coppart, Costa do Sauípe

Durante as rodas de conversa realizadas em cada grupo, as artesãs partilham histórias sobre realidade local e suas técnicas, o manejo da matéria-prima, o sistema de produção, o processo criativo, as parcerias e a comercialização dos objetos. Na Costa do Sauípe, por exemplo, as folhas de palmeiras são cozidas e colocadas ao sol. Quando secas, são desfiadas para serem tingidas com corante natural ou com anelina. “De repente, equanto nos ensinavam sobre o manuseio da palha, o perfume de uma moqueca baiana invadiu a sala, e, por uma hora, nós todas ficamos trocando receitas e falando dos sabores baianos: pirão, peixe fresco, muqueca baiana, caruru, vatapá, acarajé e nossa pimenta de todo dia”, lembra Sônia.

Cerâmica de Coqueiros e Bilro da Associação dos Artesãos de Saubará

Cerâmica de Coqueiros e Bilro da Associação dos Artesãos de Saubará

O roteiro também incluiu visitas ao Grupo Trançado das Marias, que atua com a trama do cipó, na comunidade Cachoeira do Edgar. Na sequência, as voluntárias seguiram para Coqueiros, para conhecer as mestres ceramistas da cidade e, finalmente, para a Associação dos Artesãos de Saubará, onde se produz a delicada renda de bilro. No último ano, a Artesol também promoveu viagens para comunidades do Jalapão (TO), Jequitinhonha (MG) e sertão alagoano, sempre promovendo vivências, trocas e e pesquisas para novos projetos de apoio aos grupos.

Visita à Cachoeira do Edgar com as mulheres do Trançados da Maria

Visita à Cachoeira de Edgar com as mulheres do Trançados da Maria

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