A partir deste mês de março, a Artiz, uma pop up store aberta dia 14 de março no Shopping JK Iguatemi, apresenta um mix de objetos de comunidades tradicionais e peças criadas pelo Coletivo Artesol, que conecta estilistas, designers e arquitetas a  artesãos brasileiros. A proposta do Coletivo é resgatar e reinventar técnicas seculares como a cerâmica, os bordados, a cestaria, entre outras expressões criativas do interior do país através de vivências culturais. Para isso,  as designers embarcam em viagens para pesquisar matérias-primas de diferentes biomas e aprender sobre os saberes tradicionais e referências culturais de artistas populares em vilas de rendeiras, comunidades caiçaras, terras quilombolas, povoados ribeirinhos do São Francisco e da Amazônia, entre outros pólos de produção artesanal do país.
espirito santo no Vale do Jequitinhonha_foto_helenaemediato

espirito santo de cerâmica no Vale do Jequitinhonha. Foto Helena Emediato

 

“A ideia é proporcionar um mergulho no universo lúdico dessas comunidades, onde as profissionais propõem a co-criação de objetos que valorizam o design brasileiro recriando peças tradicionais com um olhar contemporâneo”, explica Josiane Masson, coordenadora executiva da ArteSol. Entre as recentes criações dos artistas do Coletivo estão artigos de decoração como luminárias, móveis, balanços, cestos, bolsas de viagem, além de acessórios diversos.

Para a arquiteta Maria Helena Emediato, as viagens com o Coletivo significam a possibilidade de estudar formas, pigmentos e texturas naturais e criar coleções cheias de contexto para o Ateliê Bibirúbicus, que atua com design de móveis e acessórios. “O nosso ateliê respeita e valoriza a matéria-prima local, a mão-de-obra nacional, a experiência dos artesãos e o tempo certo das coisas. Tudo ao seu tempo: o tempo de cura das tintas, o tempo do trabalho artesanal, o tempo da criação. Numa época onde a velocidade, a quantidade de informações e a ansiedade dominam, remamos na direção contrária: desacelerando e buscando o essencial”, conta Helena.

Talismã de parede produzido pela designer Camila Cutolo e o grupo Trançados de Pitimbú - PB | Crédito: Ilana Bessler

Talismã de parede produzido pela designer Camila Cutolo e o grupo Trançados de Pitimbú – PB | Crédito: Ilana Bessler

A última viagem realizada por cinco designers que integram o Coletivo aconteceu no Vale do Jequitinhonha, um pólo de cerâmica no sertão mineiro, onde as mulheres atuam com a produção de objetos de barro moldados à mão. “Vimos a arte delas: muitas bonecas, rendas, rosas, santos, e delicadezas. Ouvimos várias histórias e aprendemos muito sobre esperança, resiliência e fé. Por isso, resolvemos criar a coleção SerTão Divino”, com japamalas confeccionadas a partir de contas de cerâmica, além de móveis e outros objetos ainda em criação”, explica Aline Victor que é designer e sócia de Helena no Bibirúbicus.

Cerâmica sendo moldada no Vale do Jequitinhonha durante viagem de imersão da designer e jornalista Camila Pinheiro

Cerâmica sendo moldada no Vale do Jequitinhonha durante viagem de imersão da designer e relações públicas Camila Pinheiro

A estilista Manuela Rodrigues, que viveu cinco anos na França – e já trabalhou para Hermès, La Cost e Huis Clos – também integra o Coletivo e aposta na criação conjunta com artesãos tradicionais para desenvolver as peças da sua marca própria de acessórios, a Cabana Crafts. Recentemente, ela viajou até as comunidades que atuam com cestaria em Iguape (no litoral paulista) para desenvolver peças exclusivas junto às artesãs locais a partir da taboa trançada, uma planta aquática, cuja fibra é durável e resistente. Ela também já trabalhou com bolsas de algodão e tingimento natural, tecidas em tear manual por artesãs de Berilo, em Minas Gerais.

Já a designer Camila Pinheiro já viajou para diferentes comunidades do País para um trabalho de documentação de comunidades e desenvolvimento de objetos em parceria com artesãs locais. “Enxergamos o artesanato como um manifesto local que exprime contextos sociais, políticos, culturais, ambientais ou espirituais complexos, e que se mantêm influências vivas transitando entre o ancestral e o contemporâneo. Queremos ser um canal para as vozes dessas mulheres, brasileiras, artesãs, lideranças, autoras de saberes e protagonistas de suas história”, afirma.

As peças das designers do Coletivo, assim como um mix de produtos de cerca 50 comunidades tradicionais brasileiras, ficarão disponíveis na Loja Artiz (JK Shopping) de 14 de março até final de julho.

Artiz
Shopping JK Iguatemi
14 de março a 31 de julho.

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