Neste próximo dia 13 de maio, a Artesol se une a cerca de 400 organizações ao redor do mundo para celebrar o Dia Mundial do Comércio Justo, reafirmando os princípios internacionais construídos pela World Fair Trade Organization – WFTO.

Equipe Artesol se engaja na campanha internacional Agente for Change

Equipe Artesol se engaja na campanha internacional Agent for Change

De acordo com a diretora executiva da Artesol, Josiane Masson, a data marca a importância do fortalecimento desse movimento mundial que defende valores universais de respeito aos trabalhadores, equilíbrio ambiental e inclusão produtiva na cadeia do artesanato brasileiro. “a Artesol foi a primeira organização social no segmento artesanal no Brasil a se tornar membro da WFTO. Nossa prática é baseada nos 10 princípios do comercio justo e um dos nossos objetivos é atuar como uma organização de fomento ao movimento, pois queremos que os artesãos sejam remunerados de forma justa pelo seu trabalho e que o consumidor esteja consciente do que isso significa na hora de consumir”.

O conceito de “Comércio Justo” surgiu na década de 60 a partir da proposta de garantir que os produtores recebessem a remuneração justa pelo seu trabalho, evitando que as entidades intermediárias explorassem os agricultores, artesãos e outros trabalhadores em sistemas de comércio convencionais. Além de criar condições sociais mais justas que respeitam as características singulares de cada grupo produtivo, o comércio justo pressupõe também o respeito aos padrões ambientais mais racionais, seja no manejo sustentável das matérias-primas, no reaproveitamento de materiais e na confecção de objetos com maior ciclo de vida para minimizar a geração de resíduos no planeta. “Trata-se de um desafio para a construção de uma nova forma de organizar a produção, a distribuição e o consumo de bens socialmente produzidos”, reforça Masson.  Nesse sentido, a Artesol tem atuado há 18 anos na capacitação de comunidades tanto para aprimoramento da produção quanto para estimular e subsidiar melhores práticas comerciais.

As mulheres e o comércio justo

As artesãs do Jequitinhonha trabalham de forma coletiva com a cerâmica para driblar os desafios econômicos impostos pela seca do sertão mineiro e a falta dos maridos que migram para outras regiões do estado para conseguir trabalho

As artesãs do Jequitinhonha trabalham de forma coletiva com a cerâmica para driblar os desafios econômicos impostos pela seca do sertão mineiro e a falta dos maridos que migram para outras regiões do estado para conseguir trabalho

Outro princípio importante do comércio justo diz respeito à igualdade de gênero. Em 2017, a WFTO embarcou em uma campanha global de sensibilização, mostrando histórias de sucesso do comércio Justo que  contribuem para a igualdade de gênero nos locais de trabalho. “Quando as mulheres têm sucesso, as comunidades estão protegidas, mais seguras e mais prósperas”, diz o manifesto. As artesãs brasileiras são prova disso. As mulheres são as grandes protagonistas e empreendedoras da cadeia produtiva do artesanato. A geração de renda para as mulheres através de suas produções coletivas fortalece as comunidades como um todo para enfrentarem desafios de regiões brasileiras conhecidas pelo baixo índice de desenvolviemento humano. Isso acontece nas mais diversas regiões do País, seja nas comunidades ribeirinhas do Rio Tapajós, na Amazônia, que ganharam o Brasil com sua sofisticada cestaria, nos grupos ceramistas do Vale do Jequitinhonha que resistem às agruras da seca longe dos maridos migrantes, ou entre as rendeiras alagoanas que, contam histórias do sertão através dos seus “pontos e contos”.  “Por isso é muito importante divulgar as suas criações para o mundo e estimular cada vez mais o trabalho associativo em regiões vulneráveis, promovendo o empoderamento dessas mulheres que geram desenvolvimento em cadeia. É isso que estamos fazendo através da Rede Artesol, que conecta cerca de 100 grupos produtivos, lojistas e programas de apoio de todo o País”, conta Josiane.

Produção artesanal de grupo Cirquè Caiçara, na Estação Ecológica da Juréia. Clique da designer Camila Pinheiros, do Projeto M.A.O.S

Produção artesanal de grupo Cirquè Caiçara, na Estação Ecológica da Juréia. Clique da designer Camila Pinheiros, do Projeto M.A.O.S

A designer do Coletivo Artesol,Camila Pinheiro, também faz um trabalho de documentação de comunidades tradicionais de mulheres artesãs ao redor do Brasil desde aldeias indígenas e comunidades quilombolas, até povoados tradicionais caiçaras. O projeto batizado de M.A.O.S – Movimento de Artesãs e Ofícios – tem a proposta de valorizar os saberes femininos, a identidade cultural dos diferentes grupos e o valor da coletividade. Entre as atividades do projeto Camila propões também a co-criação de novas peças junto com as artesãs. “Por meio de imersões, encontros e prosas, queremos ser um canal para as vozes dessas mulheres, brasileiras, artesãs, lideranças, autoras de saberes e protagonistas de suas história”, conta Camila.

Consumo e justiça social

Para fortalecer as iniciativas de comércio justo, a WFTO também atua na sensibilização do consumidor para a relação direta entre as suas opções de compra e as condições de vida em diversas partes do mundo, já que praticar um comércio responsável tem efeitos que vão para além do âmbito económico e incluem tamém as esferas social e ecológica. O consumo consciente nada mais é do que consumir de forma responsável, pensando nas consequências de seus atos de compra sobre a qualidade de vida no planea e na vida das futuras gerações.  Um dos papéis da Artesol, nesse sentido, é contar as histórias por trás dos objetos artesanais brasileiros, promovendo as técnicas, as associações, os produtos e estimulando um olhar mais apurado para essa cadeia produtiva.

Nessa semana, você acompanha nas nossas redes sociais uma série de histórias sobre comunidades artesãs beneficiadas pelas práticas do comércio justo. Siga nossas páginas!

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Foto: Camila Pinheiro

 

1 Comentário para "Artesol celebra semana do Comércio Justo"

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