Na última quinta-feira, 25, a Artesol foi uma das convidas da Rede SESC do estado de São Paulo a participar de uma formação para técnicos da instituição sobre artesanato tradicional brasileiro. A palestra foi oferecida pela coordenadora executiva da organização, Josiane Masson, que focou em temas como ações de salvaguarda, a relação entre os saberes populares e o design brasileiro, estratégias de desenvolvimento das comunidades produtoras e comercialização. A capacitação estava inserida dentro do Programa de Valorização Social voltado para profissionais que atuam no SESC do estado de São Paulo.

Artesã de Marechal Deodoro, onde a Artesol atuou com um projeto de capacitação

Artesã de Marechal Deodoro, onde a Artesol atuou com um projeto de capacitação

De acordo com os organizadores do encontro, o objetivo desse tipo de formação é contribuir para que novos projetos sejam concebidos no campo da Valorização Cultural, levando-se em conta estratégias que tragam resultados mais positivos e duradouros.

A palestra

Em sua palestra, Josiane ressaltou como as ações de salvaguarda impactam comunidades que tem o artesanato como prática tradicional, como elas se adaptam à lógica do exigente mercado e como é possível atuar positivamente para que as cadeias produtivas, que estão vinculadas ao artesanato de raiz sejam mais justas. Entre as questões apresentadas estavam a metodologia de atuação da Artesol, as estratégias de capacitação e princípios ligados ao movimento, como o comércio justo.

Caso Criqué Caiçara

Para dinamizar o encontro, a coordenadora apresentou alguns cases relacionados à atuação da Artesol junto às comunidades tradicionais. Um deles é do do Grupo Criqué Caiçara. A associação reúne moradores nativos no entorno da Estação Ecológica da Jureia, no litoral paulista, onde famílias se esforçam para preservar sua cultura caiçara: dançam fandango, tocam rabeca e manuseiam a caixeta, árvore nativa da mata Atlântica.

Apesar da tradição artesã da comunidade, algumas práticas foram se perdendo ou se modificando, como, por exemplo a técnica do entalhe que foi sendo substituída pelo costume de produzir peças a partir de moldes prontos de desenhos de peixes e flores exóticas que os moradores nunca viram de verdade.

crique10

Em 2013, a Artesol juntamente com a designer Paula Dib levou para a comunidade um projeto Projeto de Fortalecimento da cadeia produtiva artesanal. A comunidade passou a ganhar orientação especializada que se transformou em um expressivo incremento de renda a partir do lançamento da marca Criqué Caiçara. Para viabilizar o desenvolvimento da coleção, os moradores foram estimulados a se inspirar nos elementos da floresta Atlântica para aprimorar a estética dos produtos. A partir disso, foram discutidas novas possibilidades, entre utensílios domésticos, artigos de decoração e brinquedos, que ampliaram e diversificaram a linha de produtos que resgatam a identidade caiçara, a auto-estima dos moradores e o valor intrínseco que o artesanato da Jureia tem por natureza.

Como Apoiar?

×