Na última semana, a Artesol participou de uma rodada de negócios promovida pelo Sebrae no Ceará, com o intuito de fortalecer os grupos locais, estimular a comercialização e proporcionar uma imersão na cultura popular local durante a abertura dos festejos juninos na região do Cariri.

Durante a viagem, a coordenadora executiva da Artesol, Josiane Masson, teve a oportunidade de conhecer novos grupos produtivos da região, visitar mestres locais e participar de manifestações populares, como o cortejo do mastro de Santo Antônio, uma tradição secular, que se repete todos os anos no município de Barbalha. Os participantes da rodada também foram convidados a celebrar diversas expressões culturais nordestinas como o maculelê, o reisado e o maracatu que integram as festividades.

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A vitrine da Artiz

Para a coordenadora da Artesol, esse tipo de viagem é muito importante para o fomento dos negócios da Artiz, projeto comercial da organização que tem como foco ser uma vitrine para o que existe de mais autêntico e sofisticado no artesanato tradicional brasileiro, através de uma pop up store no JK Iguatemi. A ideia é formar novos mercados para os objetos tradicionais brasileiros a partir de uma estratégia de curadoria.  “Conhecemos muitos grupos trabalho em couro, bordado, tecelagem com bastante potencial e artesãos interessados em aprimorarem sua produção para comercialização a nível nacional e internacional”, conta Josiane. Entre os produtos adquiridos na rodada de negócios que vão para a Artiz estão redes bordadas, bolsas de palha, mamulengos talhados em madeira, entre outros objetos cheios de personalidade. A viagem também foi uma oportunidade para avaliar novos grupos com potencial para entrar na Rede Artesol que reúne quase uma centena de associações em todo o País.

Centro Cultural Popular Mestre vim Nozasite artesol_2

Uma das principais surpresas da viagem, porém, segundo Masson, foi a visita ao Centro Cultura Popular Mestre Noza, em Juazeiro do Norte. O espaço abriga o trabalho de mais de uma centena de escultores que se inspiram na tradição de Inocêncio Medeiros da Costa, ou simplesmente Mestre Noza, considerado o primeiro artesão da região que ficou famoso como xilógrafo de cordéis e santeiro de Padre Cícero. Hoje, muitos outros artistas populares seguem talhando suas histórias, inspirações e referências na madeira com talento. “O trabalho em madeira dos novos mestres que estão ali reunidos é muito expressivo e tem uma forte conexão com a fé e o imaginário local. Eles são influenciados pela cultura popular local e a cultura popular se alimenta do trabalho representativo deles”, conta a coordenadora Masson. “Na verdade, todos os objetos tradicionais da região tem uma forte identidade cultural: a rede, as celas, chapéus em coro, os bordados com as cenas da natureza. Tudo reflete o jeito que eles vivem, o universo sertanejo, as cores do entorno”, emenda Masson.

Memorial Espedito Seleiro

 

O roteiro incluiu ainda uma visita ao Memorial dedicado a Espedito Seleiro, em Nova Olinda.  O espaço exibe as peças que fazem parte da história do mestre, um dos maiores em mais festejados artistas de couro do País. Através dos objetos expostos, o Memorial do Ciclo do Couro conta sua saga, desde sua infância quando aprendeu o ofício de seleiro com o pai, no sertão dos Inhamus até o a contemporaneidade, em que ganhou o mundo fashion com coleções para a Cavaleira e os irmãos Campana.

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