Na última semana, a diretora executiva da Artesol, Josiane Masson, esteve no estado Amazonas, para conhecer comunidades tradicionais de artesãos da região e mapear novos grupos para o Projeto da Rede Nacional do Artesanato Brasileiro, que começou a ser executado em 2017. Uma das cidades visitadas foi o município de Novo Airão.

Às margens do Rio Negro e nas de seus diversos afluentes se espalham centenas de comunidades – parte delas pertencentes a grupos indígenas como tukano e macuxi, além de muitos caboclos ribeirinhos que mantêm viva uma arte secular: o artesanato com fibras vegetais tingidas com pigmentos naturais.

Feixes de cipó aimbé. Fotos: Maurício de Paiva

Feixes de cipó aimbé. Foto: Maurício de Paiva

Na Associação de Artesãos de Novo Airão – AANA, as integrantes como Alberta Clemente de Souza e Terezinha da Silva Barreto apresentaram o processo produtivo de suas peças, desde a extração de matérias-primas até a produção de pigmentos naturais utilizados nos trançados locais. Elas contaram também sobre o cotidiano local. Para compor sua renda, em geral, os moradores da Bacia do Rio Negro fazem sua roça, pescam, cuidam de pequenos animais, mas é na mata tropical que eles encontraram uma expressiva fonte de renda. Na floresta ao redor, eles têm um riquíssimo acervo de matérias-primas que podem extrair de forma sustentável: cipó-ambé, cipó-titica, cipó-timbó, a piaçava e fibras derivadas de palmeiras como a arumã e o buriti. Extrair essas fibras é uma alternativa ecológica que evita a pressão de atividades predatórias como o corte de madeira e a caça de mamíferos.

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De acordo com a diretora da Artesol, o potencial criativo dos grupos de Noivo Airão chama atenção. “Observamos muita vocação, com destaque para o artesão Emerson Pacheco, que cria peças de marchetaria muito autênticas com um design contemporâneo”, conta Masson. “Em geral, os grupos estão organizados e tem boa estrutura, embora, em alguns casos, precisem aprimorar a questão fiscal ou a divulgação dos produtos. Além da riqueza da imersão cultural no cotidiano do lugar, a expedição foi muito produtiva para diagnosticar esses desafios locais e mapear novas associações e artesãos para a Plataforma da Rede Artesol”, completa a gestora, que também visitou a Fundação Almerinda Malaquias – FAM. Lá, os artesãos se dedicam ao processo da marchetaria com refugos de madeira e à produção de sabonetes e velas com aromas amazônicos. O projeto da Rede Artesol que vai mapear 100 grupos de artesanato tradicional em todo o País, é uma realização da Artesol por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

 

Peça do artesão Emerson Pacheco, em Novo Airão (AM)

São Gabriel da Cachoeira (AM)

Depois de visitar polos de produção in loco, Masson participou do “Festival de Turismo e Mostra Gastronômica do Amazonas”, que aconteceu de 22 a 25 de junho, em Manaus (AM). Durante o evento, aconteceu uma exposição de artesanato tradicional, artes plásticas, atrativos turísticos, gastronomia regional e indígena. Nessa ocasião, a gestora conheceu oito grupos/artesãos individuais de outras regiões do estado que que atuam com  segmentos como a cestaria, a produção de biojoias, técnicas têxteis, entalhe em madeira e diversas expressões criativas dos povos ribeirinhos. Entre os participantes estavam os membros da Associação dos Artesãos do Rio Jauaperi, da Associação das Mulheres Indígenas  do Rio Negro e do Núcleo de Arte e Cultura de Barcelos – NACIB, entre outros grupos produtivos.

Nessas encontros, a Artesol também adquiriu peças de vários autores para o mix de produtos da Artiz, projeto comercial da ONG que fica no JK Iguatemi e tem como foco ser uma vitrine para o artesanato tradicional brasileiro. A viagem foi organizada pelo Coletivo de lojistas “As Cabras” (Associação para o Comércio de Artesanato Brasileiro) com o objetivo de estimular comercialmente o setor.

Urucum utilizado no tingimento da cestaria de Novo Airão

Urucum utilizado no tingimento da cestaria de Novo Airão

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