Na última semana, entre os dias 05 e 08 de julho, a equipe Artesol participou da Fenearte, em Olinda, PE, considerada a maior feira de artesanato da América Latina. O evento reuniu mais de cinco mil expositores de todo o País.

Na ocasião, a coordenadora executiva da organização, Josiane Masson, e a coordenadora técnica da Rede Artesol, Sheila Maiorali, realizaram um pré-mapeamento de mestres, artesãos e associações para a Rede Nacional do Artesanato Brasileiro que conecta grupos de artesãos ao mercado e a projetos de fomento, através de uma plataforma online. O projeto, que iniciou sua nova fase em 2017, tem como objetivo salvaguardar saberes populares e modos de fazer objetos tradicionais que correm o risco de ser esquecidos no interior do País.

 

As artesãs Raquel, Maria e Ângela, herdeiras do legado da mestra Ana das Carrancas

As artesãs Raquel, Maria e Ângela, herdeiras do legado da mestra Ana das Carrancas

Segundo Josiane Masson, a participação nesse tipo de evento é muito estratégica para a Artesol porque permite um contato direto com uma grande diversidade de grupos. “Essa oportunidade é importante para o projeto da Rede Artesol, já que uma das estratégias para a salvaguarda do artesanato tradicional é o estímulo à comercialização e à abertura de mercados. Para isso, precisamos entender quem são os grupos produtivos que já têm perfil para uma maior inserção no mercado”, explica a gestora.

 

O expressivo artesanato pernambucano

Os famosos leões do Mestre Nuca de Tracunhanhém

Os famosos leões do Mestre Nuca de Tracunhanhém

Um dos destaques da feira foi a própria vocação de Pernambuco para a arte popular, que se expressa especialmente na cerâmica de polos como Caruaru e Tracunhanhém, cidades-celeiros de artistas com uma produção autoral impressionante. “Em Tracunhaém o barro vira santo ou vira panela. A frase emblemática foi imortalizada por Manoel Borges da Silva, o famoso Mestre Nuca, um dos mais importantes artistas populares do estado, que faleceu em 2014. Além de Manoel, Tracunhaém abriga muitos mestres ceramistas que participaram da Fenearte 2017.  O artesanato é uma das maiores fontes de renda para o município, sendo o ofício ensinado desde cedo nas escolas. A arte do manuseio do barro passeia pelas gerações desde o período colonial, quando o material era transformado nas cerâmicas utilitárias, como as panelas da frase de Nuca. No entanto, a partir dos anos 40, a arte figurativa ganha espaço nacionalmente e os artesãos passaram a criar esculturas decorativas, imagens religiosas, bonecos, figuras humanas e bichos, cada qual com sua própria identidade. Outro talento expressivo no estado é o entalhe em madeira como é possível conferir no singular trabalho do mestre Fida, de ou das artistas dedicadas à produção de carrancas .

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