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Protótipo de produtos desenvolvidos na residência Foto: SEP VERBOOM (projeto Livable)

A  exposição “Joias” aconteceu de 09 a 13 de agosto,  durante a Feira MADE – Mercado, Arte, Design, no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera. O evento é resultado de uma residência artística promovida em parceria com a Artesol na comunidade de  Santa Isabel, que atua com cestaria de carnaúba em uma ilha do Delta do Parnaíba (PI).

Foram 20 dias de imersão, em que eles dormiam na casa dos artesãos, compartilhavam seu cotidiano, exploravam os arredores e aprendiam com os moradores locais a arte de trançar as folhas da carnaúba, cercados por um verdadeiro santuário natural.  A Ilha de Santa Isabel fica no Rio Parnaíba, que deságua no mar em cinco grandes braços salpicados por 80 arquipélagos, com vegetação intocada.

O Delta do Paranaíba é

Do processo natural da divisão das águas no Rio Parnaíba, originam-se cerca de 80 arquipélagos com vegetação intocada, habitadas por aves e animais silvestres. Foto: Camila Pinheiro/Projeto M.A.O.S

Durante esses dias, o grupo de designers e os artesãos criaram juntos uma coleção de novas peças a partir da técnica de trançados com folhas de carnaúba. São mesas, máscaras, luminárias e outros objetos que ficaram expostos na  MADE e serão também exibidos em um festival de design em Bruxelas, em setembro.

Foto: Sep Verboom

Foto: Sep Verboom

“Nossas “jóias” são fruto do processo de co-criação com os artesãos, onde os conceitos artísticos dos designers se fundem belamente com as diversas técnicas dos moradores locais. Todas as peças são feitas com as fibras secas ao sol da árvore de carnaúba. Entre todas as joias que esta região tem para oferecer, a palmeira de Carnaúba é a que mais brilha. Além de ser linda, cada parte desta árvore é usada para os produtos mais diversos, desde materiais de construção até chips de computador e de medicina para objetos artesanais. Não é por acaso que é chamada de ‘árvore da vida”, conta Ellien.

Designers belgas: Ellien Haentjens, Linde Freya, Sep Verboom e Laura Caroen

Designers belgas: Ellien Haentjens, Linde Freya, Sep Verboom e Laura Caroen

Além dos designers belgas a equipe do intercâmbio foi composta pela comunicadora Camila Pinheiro, que é colaboradora da Artesol e mediou a experiência dos belgas junto aos artesãos. Para ela, a residência foi inspiradora porque mostrou o potencial do fazer artesanal enquanto fomentador da cultura tradicional. “A ilha de Santa Isabel é uma cidade esquecida pelo poder público e que enfrenta muitas vulnerabilidades, especialmente relacionada aos jovens. “Diante dessa realidade, eu vi na carnaúba uma ferramenta real de desenvolvimento social e de inclusão dos jovens na cultural local. De todas as minhas viagens por comunidades tradicionais por onde já estive, Santa Izabel é uma das poucas cidades onde encontrei os jovens engajados na produção artesanal.

 

A comunicadora Camila Pinheiro foi anfitriã dos designers belgas durante a experiência representando a Artesol e fazendo a mediação da experiência

A comunicadora Camila Pinheiro foi anfitriã dos designers belgas durante a experiência representando a Artesol e fazendo a mediação da experiência

È uma comunidade com muita força para transformar sua própria realidade”, analisa. Segundo Camila, a comunidade ficou muito lisonjeada de receber os designers. Nós recebemos, inclusive, durante as oficinas de de produção a visita de moradores locais que que nunca haviam pegado em uma folha de carnaúba e que se juntaram a nós para produzir suas primeiras peças”, conta.  Outro ponto positivo, de acordo com Pinheiro foi o fato de cada designer ter desenvolvido um tipo de trabalho diferente. Cada deles usou de forma intuitiva uma técnica específica e no final todos os artesãos foram envolvidos, os que trabalham com a cestaria, os que trabalham com as tranças e os que trabalham com o linho para a produção de redes”, complementa a comunicadora.

Exposição Joias na MADe

Exposição Joias na MADE

Para a artesã Serrate Souza. que recebeu os designers em sua casa em Santa Isabel, a experiência foi muito enriquecedora. “Ficamos com o coração muito alegre de receber as pessoas e criar coisas tão lindas. Eles estavam muito interessados em conhecer o lugar e em aprender. O aprendizado foi muito grande pra gente também. Tudo que a gente viu eles fazendo já está tudo na mente e com certeza vamos fazer coisas mais bonitas ainda”, comenta a piauiense.

Cachepô desenvolvido durante residência. Foto: Joias

Cachepô desenvolvido durante residência. Foto: Joias

Foto: Joias

Foto: Joias

Os cestos da designer Linde form inspirados mas lagoas da região

Os cestos da designer Linde form inspirados mas lagoas da região

Josiane Masson, diretora executiva da Artesol, explica que os projetos de residência artística que a organização facilita têm como foco valorizar as criações dos artesãos brasileiros. “ A estratégia é inspirar conexões entre tradição e inovação e entre artesanato tradicional e design para fortalecer  o  artesanal enquanto patrimônio cultural”, explica.

 

Mais informações:
www.joias.be

1 Comentário para "Residência artística no Piauí resulta em coleção Joias"

  1. Que espetáculo de iniciativa!!
    Vou compartilhar!!
    O Brasil é muitoad muito mais que os políticos corruptos!!
    Vamos fazer a nossa parte e acionar as engrenagem desde povo que trabalha muito para um futuro e cultura de nosso grande Brasil!!
    Parabéns a todos envolvidos!!!

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