Valor Agregado

No mundo contemporâneo existe uma enorme gama de objetos que podemos definir como artesanato. São produtos do fazer humano em que o emprego de equipamentos e máquinas, quando e se ocorre, é subsidiário à vontade de seu criador que, para fazê-lo, utiliza basicamente as mãos.

O objeto artesanal é definido por uma dupla condição: primeiro, o fato de seu processo de produção ser essencialmente manual; segundo, a liberdade do artesão para definir o ritmo da produção, a matéria-prima e a tecnologia que irá empregar, a forma que pretende dar ao objeto, produto de sua criação, de seu saber, de sua cultura.

“O artesanato de tradição traz em si a expressão de sua própria origem, a marca forte da cultura; é capaz de traduzir uma identidade, sua e daquele que o produziu, seja um indivíduo ou uma coletividade. O artesanato tradicional tem como vantagem o seu valor cultural pois integra o sistema de crenças das populações de determinada região”.

Os objetos do artesanato de tradição possuem muitas irregularidades advindas da sua forma de fazer. Por exemplo, o pote feito de barro apresenta algumas marcas que são a prova do processo de cozimento da peça a céu aberto, em fogueira, um modo de queima de uma tradição, de um saber milenar que já foi muito presente no Brasil, nas Américas, África, Ásia. Esses objetos são peças únicas, que condensam saber, memória, passado, história e precisam ser preservados e valorizados.

Texto adaptado de Artesanato de tradição: cinco pontos em discussão, de Ricardo Lima. Este artigo faz parte da publicação Caderno ArteSol 1 “Olhares Itinerantes – reflexões sobre artesanato e consumo de tradição” (2003).
Ricardo Lima é mestre em História da Arte pela Escola de Belas Artes/UFRJ, professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ, antropólogo e chefe do Setor de Pesquisa e Coordenador da Sala do Artista Popular do Centro Nacional de Cultura Popular/IPHAN/MinC.

Como Apoiar?

×