Lauro de Freitas/BA

O projeto Tecelagem de Tradição, realizado pelo Artesanato Solidário/ArteSol e pelo Instituto WalMart em parceria com a ASJFG, valoriza as culturas tradicionais e a promoção dos patrimônios culturais.

Tema: Tecelagem - 2006-2008

Cidade: Lauro de Freitas/BA

Duração: 2 anos

Artesãos Beneficiados: 15

Gênero: mulheres

Lauro de Freitas localiza-se na região metropolitana de Salvador. Dos 150 mil habitantes do município, 88% são negros descendentes de africanos que trabalharam nos engenhos de açúcar do Brasil Colônia. A forte influência africana na região hoje é preservada por aproximadamente 54 casas de culto afro, dentre as quais se destaca o Terreiro São Jorge Filho da Goméia, casa de matriz africana que em 2008 comemora seus 60 anos de fundação e foi a primeira a ser tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado e imortalizada pelo escritor Jorge Amado.

A Associação São Jorge Filho da Goméia (ASJFG), vinculada ao Terreiro São Jorge, criada em 22 de abril de 1995, se destaca pelo compromisso de preservar a cultura bantu, buscando a valorização da identidade étnica, de sua origem, inserida nas normas de ancestralidade africana. Desenvolve também outras ações socioculturais e de preservação ambiental voltadas para melhoria da qualidade de vida da comunidade, num trabalho de inclusão social e respeito ao cidadão.

O projeto Tecelagem de Tradição, realizado pelo Artesanato Solidário/ArteSol e pelo Instituto WalMart em parceria com a ASJFG, valoriza as culturas tradicionais e a promoção dos patrimônios culturais. A tecelagem produzida em Lauro de Freitas tem origem africana e é emblemática da identidade cultural baiana com a produção dos panos-da-costa. O projeto possibilitou também a reforma do espaço de trabalho dos artesãos. Criado em junho de 2008, o espaço recebeu o nome “Kula Tecelagem” (kula, em bantu, significa ‘crescer’) e sua abertura fez parte das comemorações dos 60 anos do Terreiro São Jorge Filho da Goméia.

O pano-da-costa, de significado religioso e social, é peça fundamental na composição das roupas dos rituais de candomblé; envolve, assim, um importante segmento da população da Bahia: o povo de santo ou comunidades de terreiro. Introduzido no Brasil pelos africanos, ficou conhecido como pano-da-costa porque vinha da Costa do Marfim. Os primeiros foram importados da África, onde são denominados Alaká ou Pano de Alaká. Mais tarde passaram a ser tecidos no Brasil por escravos ou por seus descendentes, cujo último artesão foi Abdias do Sacramento Nobre, mais conhecido como Mestre Abdias, falecido em 1994.

“Foi muito bom, não posso mais fazer acarajé por motivo de saúde e aí a tecelagem chegou na hora certa para complementar a renda. Ajuda na educação de 4 netos”.

Terezinha da Silva de Santana, 62 anos
artesã do projeto de Geração de trabalho e renda com tecelagem em Lauro de Freitas

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