São Sebastião/AL

A produção da renda de almofada, ou renda de bilros, em São Sebastião, é de excelente qualidade, destacando-se, no Nordeste, também pela fidelidade das artesãs ao padrão tradicional da comunidade.

Tema: Renda - 2002-2003

Cidade: São Sebastião/AL

Duração: 1 ano

Artesãos Beneficiados: 21

Gênero: mulheres

A renda de bilros ou renda de almofada existe em alguns pontos do Estado, sendo que a maior concentração dessas rendeiras está no município de São Sebastião, que, curiosamente, não é área costeira. Situa-se no agreste, onde predomina a cultura de subsistência, além do fumo que é vendido em Arapiraca, cidade vizinha.

Não se sabe como a renda chegou ao Município, mas o certo é que a produção da renda de almofada, ou renda de bilros, em São Sebastião, é de excelente qualidade, destacando-se, no Nordeste, também pela fidelidade das artesãs ao padrão tradicional da comunidade. Assim, os pontos antigos são preservados, o uso da linha fina de costura, tipo Singer ou similar, ainda se mantém e os riscos ou “piques” são passados das mães para as filhas como herança de família.

Quase todas as mulheres, nativas do Município, sabem “rendar” e têm as suas almofadas feitas, em regra, por elas mesmas. Algumas  também fazem o fuxico e a coberta de retalhos, mas a prática da renda de bilros é que caracteriza a produção do artesanato local.

Mesmo antes da valorização com que o artesanato vem se distinguindo, nas últimas décadas, as artesãs já comercializavam a renda em Maceió, Penedo e Arapiraca, além de venderem o produto em suas próprias casas.

Até a década de 60, a comercialização se processava com certa facilidade, uma vez que o produto era muito procurado para roupa íntima feminina, enxoval de recém nascido e peças de cama e mesa.

Com o aparecimento, em grande escala, de rendas industriais e o desuso da anágua e da combinação, bem como das camisolas com aplicações de rendas e bicos, as artesãs de São Sebastião foram perdendo seus mercados, restringindo-se a uma freguesia diferenciada, que adquire o produto pelo requinte de sua qualidade artesanal.

Hoje, novamente, está havendo um entusiasmo em torno da renda, com rendeiras passando a técnica para as jovens, em aulas sistemáticas e produção ordenada, voltada para a comercialização.

Suas bordadeiras reúnem-se na Associação das Mulheres Rendeiras de São Sebastião.

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