Associação Arte no Fruto

Localização Rua dos Buritis, 164 setor chapadinha 1 - Ananas/TO - CEP 77890-000
Contatos AbrirFechar

Utilize o formulário abaixo para entrar em contato com este membro da Rede Artesol.

Enviando mensagem. Por favor aguarde.
Sua mensagem foi enviada! Aguarde o retorno do membro da rede contactado, ou fale com a Artesol.
Infelizmente ocorreu um erro no envio da sua mensagem. Por favor utilize uma das formas de contato abaixo.
E-mail marinho.abreu@bol.com.br
Telefone (63) 99216-5934 / (63) 98424-8963
Contato Antônio Marinho Abreu

As mãos que criam, criam o que?

Debaixo do pé de jatobá
coração serenou...
sorriu com o vento a brincar com as folhas.
Se entregou ao cheiro forte e amadeirado daquele fruto
que aperta a boca toda num sabor intenso
desconcertante
travesso.
Raquel Lara Rezende

A magia da imaginação e da criação se mostra matreira nos bonecos feitos com a casca do fruto do jatobá que mais parece um grão de feijão gigante, escuro e seco. O Dom Quixote de la Mancha se tornou o mais famoso dos bonecos cujas formas dão vida às figuras que compõem o imaginário dos artesãos, como a do trabalhador rural, a quebradeira de coco, mulheres grávidas, caçadores, pescadores, animais, entre outros, muitos inspirados nas histórias ouvidas na infância e no próprio cotidiano.

O processo de feitura dos bonecos começa com a coleta do fruto do jatobá, encontrado entre os meses de agosto e dezembro. Os frutos são higienizados, para então ser extraída a polpa e a semente. As cascas são cortadas em duas partes, sendo uma maior que dará origem ao corpo do boneco e uma parte menor que dá forma à cabeça. Para compor os bonecos, os artesãos também fazem uso de juta e arame galvanizado enrolado com barbante. Além disso, também produzem bolsas feitas com fibra do Buriti e palha de milho.

 

Onde criam?

Ananás é um município localizado na região do Bico do Papagaio, norte do Tocantins, e integra o Vale do Araguaia, estando quase no meio do caminho entre o Rio Araguaia e o Rio Tocantins. Os primeiros habitantes que chegaram no local trabalhavam na extração de madeira, criação de gado, lavoura de cana e extração de amêndoas de babaçu. A cidade também viveu a Guerrilha do Araguaia, sendo ponto de refúgio dos guerrilheiros entre os anos de 1972 e 1975. Esse foi um movimento de luta armada contra a ditadura militar implantada no Brasil em 1964.

A vegetação predominante na região xerófita, seca, com a presença de árvores de galhos retorcidos, como o caju de janeiro, a candeia, o pequizeiro, tucum, mangaba, bacuri, jussara e o jatobá. Palavra de origem tupi-guarani, jatobá quer dizer “fruto de casca dura”. A árvore pode ser encontrada na Floresta Amazônica, Mata Atlântica, no Pantanal e Cerrado e muitas etnias indígenas possuem profundo conhecimento de seus poderes curativos. Esse conhecimento segue vivo na medicina popular que utiliza a polpa do fruto, a resina e a casca do jatobá para expectoração, estimular de apetite, como vermífugo, para tratar dores no estômago e problemas renais e ainda como cicatrizante.

A madeira do jatobá é uma das mais valiosas do mundo, por sua resistência e durabilidade. Sua fruta é comestível e possui alto teor de ferro, sendo indicada para o tratamento de anemia. Além disso, os índios de algumas etnias, como Guarani, têm o costume de servir os frutos antes de suas rodas de meditação, porque eles trazem equilíbrio para os pensamentos, desejos e anseios. Algumas pesquisas científicas chegaram à mesma consideração em relação aos benefícios do jatobá para a organização mental. Por tudo isso, o jatobá é considerado um patrimônio sagrado no Brasil, mas apesar de sua grande longevidade, a exploração madeireira e o desmatamento, principalmente da Mata Atlântica e do Cerrado, o coloca sob ameaça de extinção.

Quem cria?

A história da Associação Arte no Fruto começa com o desejo de Laurinda, moradora de Ananás, de fazer algo que estimulasse a identidade cultural local. Com essa motivação, convidou, em 2003, alguns artistas plásticos que conhecia, Antônio, José Guimaraes e Nilton Lyra, para criarem juntos algo ligado ao artesanato. Fizeram alguns trabalhos manuais como tapeçaria e reciclagem, buscando nessas experimentações o que mais se aproximava do que ansiavam. Foi a partir de uma consultoria do Sebrae que pensaram no jatobá como algo muito presente na região, e começaram a manipular a casca até que chegaram nos bonecos.

A associação foi criada em 2007, e hoje o grupo possui uma sede concebida através do Projeto “Território da Cidadania”, juntamente com o Governo do estado, e conta com cerca de vinte artesãos. Além do artesanato, a Associação, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), está à frente do Projeto “Arte no Fruto é criar”, um viveiro de mudas de jatobá para perpetuar a espécie.