Associação das Mulheres Rendeiras de Marechal Deodoro

Localização Rua Marechal Deodoro, s/n - Centro. - Marechal Deodoro/AL - CEP 57160-000
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Contato Paula Gomes

As mãos que criam, criam o que?

O nome filé vem do francês “filet”que quer dizer rede e, de fato, é um bordado sobre uma rede de fios. Ele é criado com temas florais em cima de uma trama que lembra a rede de pesca dos maridos das artesãs que vivem à beira das Lagoas Manguaba e Mundaú, no litoral alagoano. É lá que as mulheres tecem a própria sobrevivência com fios coloridos e muita paciência. Depois de confeccionar as redes, elas as esticam em um tear de madeira para que se inicie o bordado com diferentes sequências de pontos e cores, que possibilitam variações diversas.  Assim, cada  artesã pode inovar em seu estilo e criar peças com desenhos autênticos. O pontos básicos levam nomes singulares, próprios do universo feminino e da costa nordestina onde foram criados: espinha de peixe, besourinho, jasmim, rosa, olho de pombo, casa de noca, entre outras tramas.

As produções mais comuns são roupas, toalhas de mesa, xales, peças decorativas como caixas, porta-guardanapo e de utencílio doméstico. Quanto mais fechados são os pontos, mas delicado é o trabalho. A marca do filé alagoano são as cores vibrantes que refletem a tropicalidade presente nas casas, nos barcos e nos figurinos das manifestações folclóricas regionais, como o maracatu, o coco e o guerreiro.

O bordado de filé é tão importante no estado que é registrado como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas, ou seja, é uma tradição carregada de ancestralidade  já que a mulher rendeira faz parte do imaginário popular brasileiro e é, desde muito, transmissora de um conhecimento que permeia a história de muitas famílias desde o período colonial.

Mesmo tendo quem vincule a origem do bordado de filé ao antigo Egito, sua procedência esteve ligada a algumas áreas da península ibérica, nesses últimos séculos, sendo encontrado em localidades de Portugal (como Minho) e da Itália (como Pistoia), em seguida aportando no Brasil colonial onde, possivelmente, a técnica foi repassada às mulheres locais em escolas cristãs católicas. Como no caso de sua ocorrência na península ibérica, por aqui a tradição  se estabeleceu na vida das comunidades de pesca lagunares e costeiras de Alagoas.

 

Onde criam?

Foto: Sedetur/AL

As bordadeiras da AMUR vivem em Marechal Deodoro, primeira capital de Alagoas, onde as tramas da renda são inspiradas nos portões e janelas das casas históricas. Tombada como Patrimônio Histórico Nacional, a cidade fica entre o litoral do estado e a cenográfica Lagoa Manguaba,  preservando um pequeno centro com arquitetura colonial.  A receita da renda é muito significativa para a economia local. Além disso, o artesanato é um conhecido atrativo turístico para visitantes que, em geral, chegam ao município atraídos pela cenográfica praia do Francês, pela arquitetura de igrejas e construções históricas,  e também pela cultura popular local que ainda inclui as bandas de pífanos, grupos folclóricos e outras manifestações musicais.

Quem cria?


Fotos: Sedetur Alagoas

A Associação das Artesãs de Marechal Deodoro – AMUR é composta por cerca de 20 mulheres que se dedicam ao bordado confeccionando peças de vestuário e para a casa. É o fio que conecta essas mulheres, entre gerações de uma mesma família. Com paciência e maestria seguem fazendo a renda da mesma forma que outras muitas gerações de mulheres de sua família já faziam, mas revisitam e atualizam as formas e os pontos que fazem hoje. De modo que estão, ao mesmo tempo, com um pé no passado e outro no presente.

Após um projeto realizado com o apoio da ArteSol e do Instituto Lojas Renner a equipe  lançou uma linha de novos produtos em 2016, incluindo cestas e portas-guardanapos com uma renda mais fina e delicada que exibe uma nova paleta de cores.

 

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