Associação de Bordadeiras do Jardim Conceição

Localização Jardim Conceição - Osasco/SP - CEP 06140-057
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Telefone (11) 97125-8540 / (11) 99384-9929
Contato Sônia Maria Leal Bento / Rozeli Cândida da Silva

As mãos que criam, criam o que?

“Luto como um dragão
Contra você, o patrão e a inquisição
Tenho pensamentos libertos
E não mais poderá enjaular
Porque hoje escrevo pra me vingar”
Fragmento do poema “Escrevo por vingança”, de Jô Freitas

Bordado. Elas trabalham com o ponto nó francês, margarida, entre outros. Os bordados são ricos em detalhes, dando a sensação de que a saíra sete cores, o canário da terra e o papagaio vão sair das colchas batendo suas asas. Uma das colchas, a maior peça produzida pelo grupo, com mais de cem pássaros bordados, passa pelas mãos de todas as cerca de 30 artesãs. Além de colchas, as bordadeiras fazem toalhas de mesa, almofadas, aventais, colchas, bolsas, sacolas, jogos americanos, panos de prato, guardanapos e necessaires. No trabalho do grupo, as lembranças da infância e das terras onde nasceram são principal material criativo que lhe dão inspiração para compor as peças com árvores, frutas, flores, alimentos, entre outros elementos.

Onde criam?


Jardim Conceição é um bairro do município de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo que nasceu na década de 1980, a partir de uma ocupação urbana, organizada pelo Movimento Terra e Moradia. A área que antes estava desocupada e abandonada pelo poder público recebeu cerca de 400 famílias. A história do bairro se entrelaça com a história de outros bairros de Osasco que também são resultado de ocupações e lutas sociais por moradia, no contexto urbano. A região metropolitana da cidade de São Paulo é formada por 39 municípios e sua formação ocorreu durante o século XX, com o processo de urbanização intenso, resultante da dinâmica de crescimento das atividades econômicas de base industrial, principalmente automobilística.

O crescimento das cidades brasileiras ocorreu de forma intensa durante o século XX, com o processo de industrialização e migração do campo. Nesse período, viveu-se uma grande inversão na distribuição da população entre o campo e a cidade, sendo que no final do século mais de 80% dos brasileiros se encontrava em áreas urbanas. Esse processo se deu em um contexto de desenvolvimento dependente, em que a maior parte do capital produzido pelo país era expatriado, principalmente para pagamento de juros da dívida externa. Com isso, grande parte das questões estruturais da sociedade nacional foram relegadas, produzindo uma sociedade profundamente marcada pela desigualdade. Durante as décadas de 1960 e 1970, os trabalhadores, a maior parte deles migrantes, que se encontravam nas áreas próximas ao centro da cidade de São Paulo, que eram destinadas à especulação imobiliária, foram expulsos e forçados a se deslocar para áreas mais periféricas e de industrialização. Essas famílias sofreram, assim com falta de moradia, acesso ao sistema de água e esgoto, luz, educação escolar e transporte público. Nesse contexto, começaram a surgir os movimentos de lutas sociais com o intuito de reivindicar e conquistar o mínimo de condições para uma vida mais digna para a população abandonada pelo poder público.

Quem cria?


A prática de bordado se tornou para as moradoras de Jardim Conceição importante fonte de renda e construiu um espaço onde partilham ressignificam suas histórias. Muitas chegaram ao estado de São Paulo, vindas de outros cantos do Brasil, como Ceará, Bahia, Minas Gerais, entre outros. A maior parte das 30 bordadeiras que atuam no grupo, não sabiam bordar e não tinha nenhuma atividade profissional regular, dedicando-se exclusivamente à casa e à família. Hoje, já oferecem oficinas para outros grupos e comunidades em São Paulo e em outros estados. O grupo nasceu em 2008, quando um grupo de mulheres começou a frequentar cursos oferecidos pela Escola de Educação Básica Fundação Bradesco que foi instalada no bairro em 2004 com o intuito de propor projetos para a inclusão e o desenvolvimento social por meio da educação. Em 2011, as bordadeiras participaram de oficinas coordenadas pelo designer Renato Imbroisi que constribuíram com o processo de organização do trabalho, entendimento do mercado e dos fluxos e produção. Das oficinas nasceu também a coleção “Os Jardins da Conceição”, a primeiras de muitas.

Saiba Mais:

- vídeo realizado por Tecido social

- reportagem da TV Cultura

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