Associação dos Artesãos de Monteiro

Localização Rua Projetada, 12 - centro - Monteiro/PB - CEP 58500-000
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Contato Núbia Pinheiro Inô

As mãos que fazem, fazem o que?

Renda da terra
É como a trama da renda da terra,
Que a rendeira rebate e retorce e
pontilha os espinhos,
Na ânsia de endurecer a graça
petulante de uma traça,
no afã de alinhar mais o trocado
do ponto de filó,
e sai tão fina, tão delicada,
tão perfeita,
que vocês, meus irmãos do Sul,
mandam buscá-la aqui, na
barraquinha anônima das várzeas,
para ostentá-la, depois,
no meio do seu luxo...
Rachel de Queiroz

As rendas possuem a beleza da flor de mandacaru e como ela também é símbolo de resistência, força e riqueza. As rendeiras são as protagonistas desse fazer que exige delicadeza e precisão no manejo da agulha. Com a linha e o lacê, a renda embeleza o sertão e a vida dos sertanejos, tecendo a história de um e de outro, as enlaçando em uma trama cheia de encantos. O lacê é uma fita fina que sustenta a trama tecida com os pontos que entrelaçam os fios, sobre um desenho de papel que é apoiado em uma almofada de tecido. Brincando de combinar os diferentes pontos, como dois amarrados, pipoca, abacaxi, sianinha, traça, entre outros, as rendeiras transformam fios de algodão em vestidos, toalhas, brincos e muitas outras peças de renda exclusivas. A tradição da renda Renascença é reconhecida como importante Patrimônio Cultural que tem atravessado gerações, há quase um século sendo passada de geração em geração, resistindo como uma das marcas culturais mais significativas na região do Cariri paraibano.

Onde criam?

Monteiro é um município brasileiro do estado da Paraíba, que fica na microrregião do Cariri Ocidental. Antes de se tornar um povoado, a área era ocupada por fazendeiros e criadores de gado. No começo do século XIX, Manoel Monteiro do Nascimento construiu uma capela consagrada a Nossa Senhora das Dores na Lagoa do Periperi, distante 300 metros da margem do Rio Paraíba, que integrava o terreno de sua fazenda. Algumas famílias, atraídas pela beleza do local, foram se estabelecendo e logo formaram um povoado, chamado Alagoa do Monteiro, em homenagem ao seu fundador.

O município, formalizado em 1872, foi tomando forma às margens do Rio Paraíba que nasce na Serra do Jabitacá, a 24 quilômetros da cidade. Em meio à caatinga, a cidade que recebe poucas chuvas tem enfrentado a maior crise hídrica da história do estado que já dura 5 anos. Em meio ao racionamento, os moradores têm acompanhado de perto a transposição do Rio São Francisco. A chegada das águas do Velho Chico no açude de Monteiro é motivo de esperança para os moradores que sofrem com a falta de água.

Em meio aos longos períodos de seca, o ofício de rendeira se estabeleceu como importante atividade de geração de renda para muitas famílias do Cariri Paraibano, junto com a pecuária de caprinos. A renda também tem atraído o turismo para a região que encanta os viajantes, ainda, com as festas de junho e julho.

Quem cria?

A Associação dos Artesãos de Monteiro, conhecida como Casa das Rendeiras foi fundada em 2001 e é resultado de consultorias realizadas pelo projeto Cooperar, do governo estadual. Essa ação foi pensada após o programa de desenvolvimento da renda renascença Rendas do Cariri, realizado entre 1998 e 2000, por algumas prefeituras municipais da Paraíba, a OSCIP Para’iwa e o Sebrae. O objetivo foi implantar Oficinas escolas de Rendeiras, em Monteiro, Camalaú, Zabelê e São João do Tigre. Nestas oficinas, trabalhou-se com jovens entre 12 a 18 anos, a partir das memórias de ofícios de rendeiras da região. Além de passar o conhecimento, as oficinas também foram um lugar de pesquisa, onde foram identificadas mais de 60 tipos de pontos de renda renascença. Dessa forma, a partir do ano 2000, principalmente, a atividade começou a ser valorizada pelo seu potencial econômico e cultural, se tornando uma atração para o crescimento do turismo. Atualmente, a associação funciona em sede própria, construída em 2005, em um terreno cedido pelo município, com recursos do Banco Mundial. Possui ainda uma loja, onde se expõem peças para comercialização. A cidade conta com mais de 200 rendeiras das zonas rural e urbana e cerca de 50 estão vinculadas à ASSOAM.

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