Associação dos Artesãos de Santa Maria

Localização Av. Principal do Povoado de Santa Maria - S/N - Alcantara/MA - CEP 65110-000
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As mãos que criam, criam o que?

Brincar de boi é ter paixão no coração
É ter amor à tradição
Se entregar de corpo e alma
Sentir que o corpo é uma canoa
E balança nesse rio
A correnteza é a toada que dispara misturando
E vai criando um som Brasil

Trecho da toada “Festa do Povo Vermelho”, de Boi Garantido.

A arte de trançar fibras vegetais é uma herança indígena presente em várias regiões brasileiras. No povoado de Santa Maria, os artesãos trançam a fibra da palmeira do buriti. Nativa do Brasil, essa palmeira cresce em áreas ribeirinhas e sua extração é feita pelas famílias da comunidade.

No processo de extração, retira-se o olho do buriti que é a folha mais nova e se encontra no centro, na parte mais alta da palmeira. A fibra é então desfiada até chegar no linho que é a parte mais nobre da folha. O linho é tingido com uso de corantes naturais, a partir de folhas da região, e depois é colocado para secar na sombra. Quando secos, são organizados em novelos, para então ser trançados, se transformando em esteiras, almofadas, jogos americanos, sacolas, carteiras e bolsas.

Onde criam?

Conta-se que o povoado de Santa Maria foi assim batizado, por conta da grande quantidade da erva de mesmo nome, cujas sementes eram utilizadas para a fabricação de pulseiras, colares e para enfeitar o maracá, instrumento musical de poder e cura, usado pelos Pajés. Em Santa Maria, se encontram cerca de 90 famílias que vivem principalmente da agricultura e da pesca de subsistência. O artesanato também está presente, sendo passado de geração em geração e ocupa um lugar central, cada vez mais, na geração de renda familiar.

A comunidade de Santa Maria está localizada no município de Alcântara, ao norte da baía de São Marcos, um estuário que recebe vários rios, como Grajaú, Pindaré e Mearim, famoso por suas pororocas que são ondas formadas quando o rio tem grande volume de água. Alcântara é uma cidade da primeira metade do século XVII, sendo uma das mais antigas do estado do Maranhão. Com igrejas antigas e casarões e ruínas do tempo das plantações de cana-de-açúcar e algodão, cuja produção era baseada na escravidão de negros e índios.

Aproximadamente 70% dos habitantes de Alcântara vivem na zona rural, sendo grande parte das comunidades remanescentes quilombolas. A cidade foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN, em 1948 e apenas recentemente passou por um processo de reconhecimento de 156 comunidades quilombolas, o que, de acordo com a Fundação Palmares, é maior concentração de comunidades certificadas no Brasil.

Em Alcântara, a brincadeira do Boi tem presença marcada, sendo uma das manifestações populares mais importantes da região. O bumba-meu-boi, como é chamado no Maranhão, tem profunda ligação com o ciclo do gado que por muito tempo constituiu elemento central na economia local. Era ele quem movia os engenhos, alimentava e vestia as pessoas. O mito que sustenta a manifestação gira em torno do empregado Pai Francisco, também chamado de Nego Chico, e sua esposa Mãe Catirina que estava com desejo de comer língua de boi. Nego Chico, então, mata o boi de estimação do proprietário, para satisfazer o desejo de Catirina. Quando descoberto, para escapar dos castigos, Nego Chico, com ajuda dos curandeiros e pajés, ressuscita o boi que volta à vida com muitos urros. O milagre é então comemorado por todos em uma grande festa que simboliza o batizado do boi.

Quem cria?

O artesanato de buriti no Maranhão está presente principalmente em grupos de produção familiar e é exercido na maior parte das vezes por mulheres que muitas vezes sustentam a casa com a renda obtida com o artesanato. A Associação dos Artesãos de Santa Maria nasceu no final de 2007, tendo como principal motivação a articulação em grupo, como estratégia para melhorar a produtividade.

Assim, as artesãs que antes trabalhavam de forma isolada, passaram a contar com o apoio técnico do Sebrae do estado, tendo acesso de diferentes capacitações, cursos e consultorias que trouxeram facilidades e importantes informações sobre produção e consumo. Os produtos que eram, em grande parte, para o consumo local, se expandiram para outros espaços, chegando aos mercados nacional e até internacional.

 

Saiba mais:

- Artigo: “TRABALHO ARTESANAL EM FIBRA DE BURITI NO MARANHÃO”, de Paulo Fernandes Keller.

- Artigo: “Trabalho e economia do artesanato no capitalismo contemporâneo”, de Paulo F. Keller, UFMA.

- Dossiê de registro do IPHAN: Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão, 2011.

- Programa Expedições, da TVBrasil apresenta o Bumba-Meu-Boi do Maranhão

- Artigo: Grupos Indígenas do Maranhão