Grupo Mulheres do Algodão de Guanambi

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Contato Ana Fiuza Caires

As mãos que criam, criam o quê?

Como o próprio nome do grupo sugere, Mulheres do Algodão de Guanambi trabalha com a fibra por muitos conhecida como ouro branco, ou ouro colorido no caso. A macia pluma plantada e colhida pelas mulheres é beneficiada e transformada nos mais belos produtos para casa, como toalhas, almofadas e colchas. 

Um dos diferenciais da produção revela-se já nesta etapa. Além do convencional branco, o grupo cultiva também as espécies de algodão colorido nas cores marrom, rubi e verde. Com a matéria prima abundante, o grupo que conta hoje com 15 mulheres divide-se em suas atividades produtivas.

Após descaroçar e cardar o algodão colhido, a fibra é manejada com destreza pelos ágeis dedos das fiandeiras. É preciso coordenar os movimentos dos pés no pedal da roca com as mãos que esticam e torcem a fina penugem a ser fiada. 

A partir do fio, formam-se meadas com as quais monta-se a urdidura no tear, que é o conjunto de fios que sustenta a trama. A navete contendo o fio da trama atravessa de um lado à outro a extensão do urdume, formando o tecido.

O tecido manual, que já carrega toda essa memória e trabalho, é por fim lindamente adornado com bordados em ponto de cruz, macramê e crochê. 

Quem cria?

Ana Fiuza Caires trabalha com artesanato há mais de 30 anos, herdou o ofício de sua mãe que dominava todas as etapas da cadeia, desde o plantio do algodão até a finalização dos produtos. Ao longo dos anos seu trabalho ficou muito conhecido e procurado, o que a levou a articular um grupo de mulheres para que tivessem uma produção mais estruturada e valorizada. 

Juntas desde meados dos anos 2000, as mulheres produzem peças de cama, mesa e banho que são comercializadas nas principais feiras de artesanato nacionais e lojas especializadas. 

Onde criam

Às margens do rio Carnaíba de Dentro, em terras antes pertencentes à fazenda Caraníba, estabelece-se a freguesia de nome Beija Flor no final do século XIX. A localidade ascenderia a município nas primeiras décadas do século XX com o nome de Guanambi.

Localizada a 796 km da capital Salvador, na região sudoeste da Bahia, o município tem uma população de pouco mais de 84 mil habitantes. A região é pertencente à Bacia do Rio São Francisco em um território abrangido pelo Polígono das Secas. Abriga junto a Caetité e Igaporã o maior complexo eólico da América Latina e figura como um dos municípios mais desenvolvidos do estado. As principais atividades econômicas hoje são do setor de serviço e educacional. 

Nas décadas de 70 e 80 Guanambi destacou-se como importante pólo algodoeiro, cuja produção contribuiu para seu crescimento econômico e estruturação urbana. Porém o cultivo da fibra já existia como cultura na região, com solo bastante fértil para a produção. Dessa relação com algodão é que muitos dos conhecimentos de beneficiamento e produção artesanal se desenvolveram. São fiandeiras, tecelãs e bordadeiras que têm no artesanato, muito procurado por lojistas e consumidores de todo o país, a principal fonte de renda.