Núcleo de Artesãos de Pêssanka de Porto União

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Contato Angela Zapotoczny

As mãos que criam, criam o quê?

A arte da pêssanka é permeada por elementos simbólicos, com profunda relação com a cultura eslava. A palavra pêssanka, vem do verbo ucraniano pyssaty (писати), que significa escrever. Trata-se, assim, de ovos escritos, desenhados, com traços que contam história. A sua origem remonta às antigas celebrações do início da primavera, em agradecimentos à Dajbóh (deus do Sol), comemorando seu retorno após o rigoroso inverno.  Para as antigas tradições ucranianas, a pêssanka é um amuleto de proteção e, por isso, um presente muito especial.

Artesanato trazido pelos imigrantes ucranianos em meados do século XIX, a pêssanka escrita no Brasil se diferencia das encontradas em outros países da diáspora ucraniana e até mesmo das encontradas no próprio país de origem. Isso porque, na pêssanka brasileira insere em suas composições tradicionais, elementos locais, como pinheiro araucária, gralha azul e Nossa Senhora Aparecida. 

A base para as escritas são cascas de ovos de diferentes aves: codorna, galinha, pata, gança, emu e ema. Os ovos são esvaziados por um pequeno furo feito com agulha e higienizados antes da pintura. 

A pintura é feita com uma técnica de reserva, ou seja, com cera de abelha isola-se parte por parte do desenho a cada banho de cor. Para isso, a escrita é feita com um bico de pena ou kistka,  uma ferramenta especial composta de uma espécie de funil metálico fixado em um cabo de madeira, que  é aquecido na chama de uma vela, para manter a cera de abelha derretida e assim fazer os traços das pêssankas. 

Por fim, o ovo é aquecido na chama da vela e as camadas de cera derretem, revelando as cores e formas dos símbolos inscritos. Um processo mágico que conecta os fazeres contemporâneos com conhecimentos ancestrais. 

Quem cria?

O Núcleo de Artesãos de Pêssanka de Porto União iniciou suas atividades em oficinas com o pesquisador Vilson José Kotviski, autor do livro Pêssanka: da Ucrânia para o Brasil, que já repassou esse conhecimento a centenas de pessoas. 

Durante a formação, aprende-se a técnica e também o simbolismo da escrita. Assim, é possível exercitar a liberdade artística sem descaracterizar o trabalho tradicional. Caso contrário, o trabalho poderia ser somente um ovo pintado. 

As inspirações vêm principalmente de buscas online, onde é possível acessar estilos antigos e contemporâneos de vários lugares do mundo. 

Os oito artesãos que integram o grupo trabalham de forma independente, cada um em sua casa, mas sempre trocando informações sobre a técnica e inspirações com os outros membros. 

Os artesãos que dedicam-se exclusivamente à produção de pêssankas chegam a produzir 90 unidades por mês, em tamanhos variados. Comercializam as peças em feiras locais, lojas especializadas e online. 

Onde cria?

Porto União e União da Vitória são as Gêmeas do Iguaçu, como são conhecidas as cidades que têm a divisa entre os estados demarcada por um trilho de trem. A primeira pertence a Santa Catarina, enquanto a segunda ao Paraná. Assim, por mais que o Núcleo de Artesãos de Pêssankas esteja oficialmente localizado em Porto União, o trânsito entre os dois municípios é intenso e inevitável; é comum encontrar pessoas que vivem em um estado, mas trabalham em outro.

Em meados do século XIX a região foi um centro da migração eslava, principalmente polonesa e ucraniana. Os núcleos que se formaram conservam até os dias de hoje muitas das práticas sociais e culturais dos países originários. 

Nesse cenário, as comunidades estão integradas à vida social das cidades, compondo também a cultura local. São mais de 15 igrejas ucranianas na região, além do Clube Ucraniano, grupo folclórico, grupo musical e o grupo de artesãos de pêssankas, formado por Vilson, através de projeto cultural.