Mãos que produzem - Cerâmica de Itararé

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As mãos que criam, criam o quê?

A cerâmica produzida em Itararé conserva as raízes indígenas da prática. A produção inicia-se na retirada do barro dos barreiros da região, que é deixado de molho em um coxo até que esteja a ponto de amassar com pilão. Isso torna a massa homogênea e pronta para modelagem, que é feita com a técnica de rolinho, rolete ou cordel. Os rolinhos, feitos a partir da manipulação do barro, são sobrepostos de acordo com o formato da peça que se deseja e depois são alisados com as mãos e com ajuda de utensílios. Depois de moldadas, secas e alisadas, as peças são queimadas em um forno a lenha por longas horas até adquirirem a resistência necessária ao uso.

Graças às mestras da região, o modo de fazer cerâmica ancestral foi preservado, sendo passando de geração em geração. A técnica da cerâmica que antes era utilizada para a produção de panelas para o cozimento, cuias para beber água, reservatórios de alimentos e água, urnas funerárias, ganhou com o tempo outros usos, sendo produzidas outras peças utilitárias, como gamelas, moringas e vasos, além de peças de decoração. 

Quem cria?

As artesãs de Itararé mantêm viva a tradição cerâmica da região e há gerações, transformam o barro em peças decorativas e utilitárias. A associação fundada há 10 anos tem sede própria, onde funciona uma oficina de modelagem, o forno para queima e uma loja para comercialização das peças.

Onde criam

Itararé, em tupi-guarani, significa  "pedra que o rio cavou". Não só o nome do município, bem como toda sua história, esteve atrelada ao rio de águas caudalosas que cruza suas terras. Situado em uma área conhecida como Campos de São Pedro, Itararé era inicialmente habitada por índios Guaianazes e tornou-se conhecida por bandeirantes e tropeiros, como ponto de descanso e travessia do rio. Isso porque na altura da conhecida Barreira de Itararé, o rio estreita-se e suas margens se unem, fornecendo uma passagem natural para seguirem seus caminhos rumo ao sul do país. 

Localizada na divisa entre São Paulo e Paraná, Itararé é também conhecida como Chapada Paulista. A cerca de 300 quilômetros da capital do estado,  a região conserva belas cachoeiras, canyons, cavernas e paredões rochosos em um clima ameno e agradável. Destacam-se no cenário o Lajedo Grande, com queda de 45 metros de altura formando um poço natural, a cachoeira do Corisco, de mais de 100 metros de altura, e a Trilha das Cachoeiras, trajeto de quinze quilômetros com cinco quedas.