Fórum Arte Brasileira e Rodadas de Negócios vão aproximar lojistas e artesãos

A proposta da Artesol, com as novas iniciativas, é promover debates importantes sobre o setor e fomentar negócios baseados no comércio justo entre os membros da Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro

 
Durante a pandemia, os polos de artesanato tradicional estão sendo prejudicados tanto pela interrupção do turismo, como pelo cancelamento das feiras de comercialização. Na foto de Marcelo Oséas, grupo Tuariarte Amazônia, no Pará

Fórum Arte Brasileira

Com o intuito de impulsionar a cadeia do artesanato no país, a Artesol - em parceria com o Coletivo de Fato (associação que reúne 36 lojistas do segmento de artesanato e arte popular) - convidou os artesãos da Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro a participarem do Fórum da Arte Brasileira. A iniciativa idealizada pelo Coletivo em 2020 já envolvia lojistas e gestores públicos e de entidades federativas.  A partir deste mês de agosto, o Fórum passou a promover encontros mensais incluindo também os artesãos com foco na troca de experiências e nos debates sobre o setor.

Para Josiane Masson, coordenadora executiva da Artesol, a expectativa é aproximar os elos da cadeia para estimular o comércio justo e ético do artesanato brasileiro e fomentar projetos e políticas públicas que valorizem a produção artesanal. “Acredito que, ao promovermos o diálogo entre tantas organizações e pessoas que se dedicam integralmente ao artesanato, vamos construir juntos alternativas de negócios que potencializem a economia criativa, o consumo consciente, a cultura popular e as produções sustentáveis de pequena escala”, afirma a gestora.   

Segundo Anny Darakjian, presidente da Associação Coletivo de Fato, um dos objetivos do Fórum  é discutir soluções criativas para os desafios do setor, especiamente no contexto da pandemia. "Dentro da cadeia produtiva, lojistas, varejistas e produtores de arte, design e artesanato estão buscando se reinventar e se adaptar, preservando a renda, os negócios e o abastecimento das lojas de e-commerce que, apesar de já existirem, não eram o foco até 2020”, afirma a empresária, que também é proprietária da Loja Fuchic

Na primeira conferência do Fórum, que aconteceu na quarta, 18, estiveram pressentes 73 pessoas que debateram questões como políticas públicas do setor, alternativas de comercialização diante do cancelamento das feiras de artesanato e o papel das associações, federações e confederações do universo artesanal, entre outros temas. 

A empresária Denise Spada, proprietária do Espaço Annesso, foi uma das participantes do evento. Segundo ela, a aproximação entre artesãos, designers, lojistas, jornalistas e formadores de opinião traz novas perspectivas para o futuro do segmento. "Fiquei muito emocionada no nosso primeiro encontro, por conhecer, mesmo que virtualmente, tantas pessoas com quem trabalho há tanto tempo, mestres e mestras que não conhecia pessoalmente, que já estão na minha loja e que eu já conto história dessas pessoas e me honro muito com isso. Isso me fortaleceu e me emocionou muito por perceber o quanto essa Rede é importante para os artesãos, para o fortalecimento do artesanato e da arte popular no Brasil. Vi o quanto a gente pode crescer se a gente der as mãos", afirma a lojista, que também é da diretoria do Coletivo de Fato.
 


Denise Spada, proprietária do Espaço Annesso, em São Paulo, é uma das participantes do Fórum da Arte Brasileira

Ciclo de Negócios 

Além do convite para o Fórum, a Artesol também está lançando uma nova ação junto os artesãos da Rede: rodadas de negócios que vão acontecer uma vez por mês. Nesta quarta, 25, a organização realizou a primeira rodada com os lojistas e os artesãos que integram o projeto através de uma conferência na plataforma Zoom. Nessa primeira edição participaram 14 lojistas e 6 grupos de bordados de todo o país. A ideia é que cada rodada seja focada em uma tipologia de artesanato. Para que o evento fosse possível, foi oferecida previamente uma mentoria para apoiar os artesãos na curadoria das peças e na criação de estratégias de precificação focadas no varejo. 

Josiane Masson lembra que as ações de comercialização direta com os artesãos durante a pandemia têm sido estratégicas para fortalecer as comunidades que vivem longe dos principais centros consumidores do país. “Diante de todas as dificuldades como a falta de feiras presenciais, a impossibilidade de receber turistas e de comercializar localmente suas peças, a gente acredita que colocar os artesãos da Rede em contato direito com esse grupo tão expressivo de lojistas é uma forma de ampliar suas oportunidades de negócios em um ambiente de comercialização que valoriza e respeita os produtores”, afirma a coordenadora.


Petrúcia Lopes, que é vice-presidente do Instituto do Bordado de Filé de Alagoas (Inbordal), foi uma das participantes do rodada de negócios

Camila Fantini, que é idealizadora da Loja Imaterial, afirma que achou muito interessante a possibilidade de entrar em contato com grupos pequenos e menos conhecidos no mercado através da rodada. "Isso é um ganho gigante que a iniciativa proporciona. O fato da  Artesol ter dado uma mentoria para preparar os artesãos acho que também fez diferença na dinâmica. O encontro foi objetivo e todo mundo teve a chance de falar e apresentar seu trabalho. Realmente, o bordado é um universo com o qual eu tenho pouca intimidade e foi muito interessante conhecer mais", conta a lojista.

Já Petrúcia Lopes, que está à frente do Instituto do Bordado de Filé de Alagoas, conta que foi a primeira vez que ela participou de uma rodada de negócios online e que ela só conhecia 2 dos lojistas dos 14 que estavam presentes. "Eu acredito que é esse formato de rodada que vamos ter para o futuro, porque conseguimos vencer os desafios das distâncias e os custos são muito baixos para expormos nossos produtos. Espero que o evento traga bons resultados de venda para todos os artesãos", afirmou Petrúcia. 

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