Família Teles

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Quem cria?

Geraldo Teles Oliveira (1913-1990) possui uma história inspiradora e instigante, assim como sua obra que marcou a história da arte popular brasileira, sendo considerado um dos mais importantes escultores do país. Atualmente seu filho, Mário Pereira Teles e seu neto Alex Pereira Teles, filho de Mário, seguem em suas criações artísticas, a partir das inspirações e do conhecimento passado por GTO.

O pai de GTO era filho de português com uma mulher negra que estava em situação de escravidão, subjugada à família. Quando a criança nasceu, foi doada para uma aldeia da etnia Aymorés. Já maior, foi para Goiás, onde se estabeleceu como agricultor. Um dia, de volta a Minas, conheceu uma mulher indígena da etnia Canindé, com quem se casou e dessa união nasceu GTO, na cidade de Itapecerica. Seus pais voltaram para Goiás e ele ficou em Minas Gerais, em Arraial do Divino, atual Divinópolis, onde foi criado por diferentes pessoas. Cresceu independente e com praticamente nenhum convívio com a família. 

Aos 12 anos, GTO e Maria Quirina, uma menina que também não vivia sob os cuidados da família, resolveram ficar juntos e se tornaram grandes companheiros. Viveram muitos desafios e GTO decidiu ir para o  Rio de Janeiro, sozinho, em busca de oportunidades de trabalho. Lá atuou como moldador, funileiro e fundidor. Retornou para Divinópolis e se estabeleceu como vigia noturno, em um hospital. Foi apenas em 1965, aos 52 anos, que chegou a inspiração para esculpir madeira. E a inspiração veio através de um sonho, em que recebeu instrução para começar a entalhar na madeira as imagens que chegariam por meio dos sonhos. 

Seis meses depois que GTO começou a entalhar, seu filho Mário Pereira Teles, passou a auxiliá-lo e a fazer as suas próprias peças também. Até que passou em um concurso público e no cargo que exercia viajava muito a trabalho. Nessa época, GTO começou a ficar mais debilitado e passou a contar com o auxílio do neto Geraldo Fernandes Oliveira e o sobrinho Milton Marcolino.

Depois que GTO faleceu, em 1990, Mário Teles seguiu com sua arte, sempre recebendo muitos pedidos. Foi quando seu filho Alex, conhecido como GTOzinho, por conta do cabelo comprido, como seu avô, decidiu sair da empresa onde trabalhava e se dedicar à arte e auxiliar o pai. 

“Há 6 anos atrás, eu acordei, peguei a madeira, olhando pra ela, foi como se a madeira estivesse falando comigo e peguei o formão e fui fazendo e quando meu pai viu se emocionou. E contou que antes do vô morrer, ele falou para tomar conta de mim que eu ia seguir”. Alex Teles

GTO ficou conhecido como artista universalista, foi premiado em diferentes lugares do mundo, pela singularidade de sua arte, e hoje suas obras se encontram em 142 países. Participou de importantes coletivas no Brasil e no exterior, como Biennale Formes Humaines, Musée Rodin, Paris, em 1974; 13ª Bienal Internacional de São Paulo - Sala Especial, em 1975; e Bienal de Veneza, Itália, em 1980. Muitos colecionadores buscam ter a obra das 3 gerações, GTO, Mário e Alex, em fina sintonia com a ideia que GTO tinha de uma trindade artística que seria formada por ele, um filho e um neto. 

As mãos que criam, criam o que?

"Meu avô dizia que as coisas vêm, porque cada artista tem o seu traço”. Alex Teles

Com o auxílio de um canivete e um formão, as três gerações de artistas esculpem blocos de madeira, criando a partir, muitas vezes, de formas geométricas, como o círculo e o retângulo, peças vazadas que nas bordas do vazio trazem construções simbólicas e arquetípicas complexas.

GTO possuía uma natureza de muita conexão com as plantas, com os animais, com a vida. Possuía uma percepção profundamente espiritual em relação ao mundo e à existência e isso se mostra com muita clareza em suas peças. Algumas imagens e símbolos são fundamentais em sua obra, como a “roda da vida”. Presente em diferentes tradições, a roda da vida representa os ciclos da vida e o círculo, também marcante em sua arte, traz o sentido de unidade em um âmbito planetário, em que todos os povos se encontram entrelaçados, sem distinção; e cósmico, uma vez que se encontram em uma mesma peça anjos e demônios, reis e pessoas comuns. A corrente também presente em muitas de suas peças, representando o regime escravocrata, tão presente em sua história, era feita por GTO sem o recurso de emendas.

Esses símbolos e sentidos seguem presentes nas obras de Mário e Alex, entretanto cada um possui uma abordagem temática e um traço. Mário, autodidata em desenho, sempre apresentou em seu entalhe formas mais geométricas e simétricas. Seu pai, GTO, dizia que ele seria ainda melhor artista que ele, pois sabia desenhar. Já Alex desenvolveu traços mais arredondados e anatômicos. Suas peças trazem influência do avô e do pai e ao mesmo tempo apresentam uma assinatura própria que é facilmente identificada.

Uma característica marcante na obra das três gerações e que ganhou profundidade na arte de Mário, principalmente, é a referência às manifestações populares, muito presentes na região onde vivem, como o congado, a folia de reis, além da religiosidade popular. 

“Meu avô a maior riqueza que ele deixou foi a humildade e a simplicidade dele”. Ele falava simplesmente que as árvores que o permitiram entalhá-las”.

Onde cria?

Divinópolis, a cidade do Divino, integra a mesorregião do centro oeste do estado de Minas Gerais. Com uma população de cerca de 230 mil habitantes, é conhecida como a princesinha do oeste, sendo um polo têxtil, siderúrgico e metalúrgico do Estado. Banhada pelos rios Itapecerica e Pará, a cidade é conhecida como a terra de Adélia Prado que traz em sua poesia o ambiente bucólico de Divinópolis. 

Em 1990, foi criado o Museu Residência Geraldo Teles de Oliveira, com a ideia de trazer para a cidade mais da história de GTO e de aproximar as crianças, principalmente, da arte.

Com esse objetivo, de estimular a arte na vida das crianças, como processo de aprendizado, Alex idealizou o projeto “Museu na Escola” juntamente à Secretaria de Educação, com a realização de cursos, oficinas e exposições de painéis nas escolas públicas da rede municipal de Divinópolis.

“Museu é lugar de criança sim, porque é um lugar que guarda memória, conhecimento e história. Esse é o legado de GTO, porque nesse local foram feitas todas as peças dele”.