João Alves

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Quem cria?

João Alves nasceu no dia São João, 22 de junho. O catolicismo popular sempre esteve presente em sua vida. Seu tio era cantador nas festas de Folia de Reis - importante festa popular muito presente na região sudeste do Brasil - e na cidade de Taiobeiras, onde vive desde os seus 5 anos de idade, todos os anos a comunidade realizava uma novena, durante a qual, levavam uma imagem do menino Jesus de casa em casa. Cada casa tinha a tradição de montar o seu presépio para receber o “menino Jesus”.

A forte tradição do presépio foi o primeiro grande incentivo de João que com os seus 8 anos de idade deu os primeiros passos como artista, moldando no barro os personagens presentes no nascimento de Jesus. Os reis magos, os animais, os pais de Jesus, Maria e José, os anjos. Nessa época, quase não chegavam coisas de fora e o consumo como o conhecemos hoje não existia no interior do Brasil. Dessa forma, a própria comunidade criava e gerava a maior parte dos utensílios e objetos que usavam.

Com o tempo, a tradição do presépio foi enfraquecendo e João Alves decidiu experimentar outras temáticas. Como sempre gostou de escutar as histórias que os mais velhos contavam, fez delas a sua principal fonte de inspiração, assim como vai e vem dos dias em Taiobeiras. A primeira peça que fez foi a fiandeira, por conta de sua avó. “Eu olhava ela fiando, com o algodão no chão, e eu achava interessante”. Depois dessa peça criou muitas outras que contam histórias e desenvolveu uma expressividade muito própria que enche de vida as suas peças.

O seu pai trabalhava em uma olaria, na fabricação de telhas e sua mãe era ceramista. Dessa forma, o barro está em sua vida e nela ficou. Hoje, a arte de João Alves é reconhecida e se encontra em acervos importantes do país. Em 2005, conquistou o 4º lugar no prêmio da Unesco para a América Latina e Caribe.

“Eu amo a arte. Gosto de mais. Desde criança que eu buscava os mais velhos pra escutar as histórias. Eu gosto da simplicidade, de ir pra roça de ouvir os antigos”.

As mãos que criam, criam o que?

O barro depois que passa pelas mãos de João Alves se torna história. É possível perceber em cada de suas peças a sua capacidade de passar para o barro a sua experiência com cada cena que molda. As suas peças parecem respirar e exalam os sentimentos captados por João ao observar a cena retratada.

Possui uma alma observadora que sorve cada momento que se passa ao seu redor com total atenção e amor. O cuidado com os filhos, as atividades da roça, como o descascar do milho, o uso do pilão, o andor que leva a imagem de Nossa Senhora nas procissões, o momento da oração, do cozinhar no fogão a lenha. 

Onde cria?

O município de Taiobeiras está localizado na região Norte de Minas Gerais, na microrregião do Alto Rio Pardo. O povoado que deu origem a Taiobeiras se originou por ser lugar de passagem para as estradas que ligavam Teófilo Otoni aos municípios do sertão da Bahia, Brejo das Almas e Montes Claros. Dessa forma, o local tornou-se um entroncamento de tropeiros e viajantes que iam e vinham destas localidades.

E é na comunidade rural de Lagoa Grande que acontece, há mais de 25 anos, a Festa do Pequi, que retrata a cultura em torno do consumo do pequi na região. A festa, realizada pela EMATER-MG, inclui shows musicais, teatro, cavalgada, eco ciclismo, torneios esportivos, concurso de redação e de roedor de pequi, plantio de mudas de plantas do Cerrado e muito mais.