José Alves da Cruz

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Quem cria?

Para José Alves da Cruz, quando criança, as bananeiras eram um universo de possibilidades de criação. Com uma faca pequena, talhava a carne macia do tronco, criando casas, bonecos e o que mais a sua imaginação lhe soprasse aos ouvidos. Os vizinhos reclamavam com sua mãe que o filho estava a estragar as suas bananeiras. 

Seu pai, Joaquim Alves da Cruz, tinha gosto por fazer alguns brinquedos feitos de madeira e de lata, trazendo desde cedo para Zé Alves a referência da criação. Quando faleceu, Zé Alves tinha 14 anos, e seguiu fazendo artesanato, criando bonecos de madeira que vendia na rua. Com 17 anos, foi convidado por Sílvia Coimbra, dona da Galeria Nega-Fulô Artes e Ofícios, em Recife, a trabalhar em seu espaço. Lá conheceu Manoel Fontoura, o Nhô Caboclo (1910-1976) que se tornaria seu mestre e professor.

Muito pouco se sabe sobre a história desse grande artista que vivia na rua e foi convidado por Sílvia para viver e se dedicar à sua arte em sua galeria. Apenas que foi um grande artista que explorava a madeira, o metal e as folhas de flandres. Com o tempo, Zé Alves foi sendo considerado o discípulo de Nhô Caboclo, tendo assimilado a técnica e algumas das temáticas que o professor explorava, como guerreiros indígenas, lendas populares, como o saci-pererê, e peças que se tornaram emblemáticas, como o catavento e os barcos.

Após o falecimento de Nhô Caboclo, José Alves seguiu na Galeria por mais alguns anos, até que decidiu se mudar para a cidade de Olinda e a partir daí passou a assinar as suas peças como Zé Alves de Olinda. Com a contribuição da arquiteta Jenete Costa (1932-2008), a arte de Zé Alves chegou a muitos estados brasileiros e viajou para além mar, assim como o próprio artista que viajou para Portugal em duas ocasiões, França e Suiça, representando a arte popular brasileira.

A arte de Zé Alves é bem recebida onde quer que chegue e se encontra em galerias e museus no Brasil, na França, no México, nos Estados Unidos, na Espanha, na Suíça, na Bélgica, entre outros. A sua maior peça é um quadro com quase seis metros que se encontra em Portugal.

As mãos que criam, criam o que?

Suas esculturas são feitas em madeira louro canela, que possui um forte aroma, e cipó canela. São navios negreiros, sacis-pererês, representações de indígenas, guerreiros tribais, casas de farinha, biombos e estruturas complexas como casas de farinha articuladas. As peças são todas pintadas nos tons preto e vermelho que eram as cores utilizadas por Nhô Caboclo.

Onde cria?

Em um dos pontos mais altos do bairro de Águas Compridas, em Olinda, se encontra a casa-ateliê do mestre Zé Alves. Olinda é um município brasileiro do estado de Pernambuco que pertence à Região Metropolitana do Recife. Foi fundada em 1535, sendo a mais antiga entre as cidades brasileiras declaradas Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO. Título que recebeu em 1982, após Ouro Preto - MG. 

A cidade abriga dezenas de igrejas e conventos barrocos e mantém o seu estilo colonial. Olinda chegou a ser a vila mais rica do Brasil Colônia entre o século XVI e as primeiras décadas do século XVII, chegando a ser referida como "Lisboa pequena", tendo sido sede do Brasil colonial entre 1624 e 1625 por ocasião das invasões neerlandesas.

A vila manteve-se próspera até a invasão holandesa à Capitania de Pernambuco, quando os neerlandeses, após retirar os materiais nobres das edificações para construir suas casas na capital da Nova Holanda (Recife), incendiaram Olinda. Com o término da Insurreição Pernambucana, Olinda voltou a ser a sede da capitania, perdendo o posto em meados do século XIX.

Em 2006, Olinda foi eleita a primeira Capital Brasileira da Cultura, após concorrer com as cidades de Salvador e João Pessoa, por ser um importante núcleo de manifestações populares e do artesanato de tradição.