Mestre Costinha (Raimundo Nonato Costa)

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As mãos que criam, criam o que? 

A arte santeira é considerada bem de inestimável valor cultural para a formação da identidade piauiense. Reconhecida como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Arte Santeira do Piauí se configura um ofício e modo de fazer próprios e compreende um inestimável valor etnográfico. A criatividade em dotar a madeira de formas com temáticas religiosas fez surgir o ofício de santeiro, detentores desse saber tradicional, legítimos representantes das artes populares. Mestres e aprendizes que fazem o entrelaçamento de estética e outros domínios do pensamento em construções simbólicas que conduzem a experiências e vivências do homem consigo mesmo, com o outro e com a sociedade no mundo contemporâneo. Uma prática revestida pela identidade dos santeiros e que agrega valores históricos e culturais. Objetos de madeira talhados pelos escultores das camadas populares que inclui santos, anjos, oratórios, entalhes, figuras regionais e ex-votos. Dos 45 santeiros catalogados após essa ampla pesquisa que resultou em um Manual de Aplicação do IPHAN denominado “Senhores de seu ofício: arte santeira do Piauí”. Costinha é um de seus representantes. Conhecido por um acabamento primoroso, é autor de uma grande coleção de anjos, santos, talhas regionais, painéis, baús coloniais, oratórios e gamelas.

Quem cria?    

Costinha começou a trabalhar com artesanato em 1980, como discípulo de Mestre Dezinho, considerado precursor da arte santeira no Piauí. Já fazem mais de 30 anos. Chegou até lá através do Mestre Dim - foram colegas de ofício. Começaram juntos, e hoje são compadres. Dim seguir por um tempo e depois saiu. Costinha permaneceu por cerca de 13 anos, até Mestre Dezinho alcançar bastante idade, e por fim falecer. Ao longo dos anos, foram em muitos, ajudando o mestre na produção de suas peças. No fim eram em 4 ou 5 ajudantes. Como todos os outros, Costinha começou lixando suas obras, fazendo os desenhos, e o acabamento. Aos poucos foi dando continuidade a tradição da arte santeira imprimindo seu próprio estilo.

Na época do falecimento do Mestre Dezinho, Costinha já desenvolvia seu trabalho autoral, em casa, a noite. Logo que investiu em sua arte de forma independente, passou a atender muitos pedidos e encomendas, para vários estados do Brasil. Os mestres santeiros do Piauí começaram a ser descobertos, reconhecidos, e a venderem bastante. Costinha atendeu muitos clientes lojistas, colecionadores, galeristas de arte, como a renomada colecionadora Ana Maria Chindler, da Galeria Pé de Boi, no Rio de Janeiro, entre outros. Suas obras são bastante conhecidas e procuradas. Autor do belíssimo painel “Decoração Infantil”, que se encontra no prédio onde funcionou a Creche Risoleta Neves no Centro Administrativo do Estado, Costinha participou de várias exposições e feiras realizadas em Teresina e outros estados como o VII Salão de Artes Plásticas do Piauí (1981 e 1983), a Mostra de Presépios em Teresina- PI (1986), Mestres do Piauí em Brasília – DF (1987), a Exposição de Arte Popular Santeira em Teresina – PI (1992), entre outras. Está sempre presente em feiras nacionais em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, e também da Fenneart e possui clientes em várias cidades incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Tiradentes. Foi reconhecido Mestre de Ofício pelo governo do estado, citado no importante livro Eu Me Ensinei, da autora Edna Matosinho e possui peças até no Vaticano, presenteadas ao Papa Francisco em 2018. Também foi premeado 4 vezes no Salão de Arte Santeira do Piauí.

Onde cria?

Desde que deixou o atelier de Mestre Dezinho, Costinha passou a criar, produzir e expor peças em sua própria casa. Nascido em Teresina, Piauí, em 1968, Raimundo Nonato Costa integra um seleto grupo de mestres santeiros. Lá mesmo, berço dessa tradição, já transmitiu a outros 4 ou 5 artesãos a arte desse ofício, com alguns inclusive expondo ao seu lado em feiras de repercussão nacional. Cuidam em preservar a tradição de buscarem, todos eles, estilos diferentes: “No Piauí ninguém copia o estilo de ninguém, há um acordo aqui que cada um crie o seu próprio estilo”. Costinha segue produzindo, mas sem grandes perspectivas para a arte popular de maneira geral: “Espero que melhore, senão muita coisa vai se acabar”.

Fonte: Artesanato Piauense  / Piauí Gov