Mestre Fida (Valfrido de Oliveira Cezar)

Localização Iumas do Timbó, Quilombo Timbó - Distrito Iratama - Garanhuns/PE - CEP 55290-000
Contatos AbrirFechar
E-mail mestrefida@gmail.com
Telefone (87) 99163-5556
Contato Mestre Fida

Utilize o formulário abaixo para entrar em contato com este membro da Rede Artesol.

Enviando mensagem. Por favor aguarde.
Sua mensagem foi enviada! Aguarde o retorno do membro da rede contactado, ou fale com a Artesol.
Infelizmente ocorreu um erro no envio da sua mensagem. Por favor utilize uma das formas de contato abaixo.

As mãos que criam, criam o que? 

Amarelo, madeira típica de Garanhuns. Outro nomes e espécies afins são: Amarelão, Amarelinho, Amarelo-Cetim, Cetim, Limãorana, Muiratana, Pau-Cetim, Piquiá-Cetim. O trabalho é único e a madeira também: “Não tem ninguém que trabalha com ela não. Só existe na região”. Reaproveitando galhos mortos das encostas da mata, nunca verdes, Mestre Fida utiliza apenas três instrumentos para esculpir suas peças: serrote, escopo e facão. Artista por acaso, como se descreve, autodidata por vocação. Valeu-se de suas memórias de infância para compor sua primeira peça, há cerca de vinte anos. Assim surgiu o Homem Cata-Vento, uma escultura articulada com braços grandes e pás sensíveis à ação do vento. Seu primeiro contato com a principal temática de sua obra ocorreu ainda criança. Seu pai tinha um amigo que fazia cata-ventos e lhe presenteava. Conta que “cresceu com isso na cabeça” e certo dia arriscou: “Eu nem sabia se o boneco ia girar ou não, mas eu tentei”. Deu certo.  

Das lembranças dos cata-ventos da infância, herdou a forma, ainda sem rosto. Que mais tarde ganharia corpo e feições - sublinhadas pelo nariz, inspirado em seu próprio. Os traços marcados e bem definidos se transferiram para os icônicos ex-votos, que lembram os misteriosos monumentos da Ilha de Páscoa. Mera coincidência, pois ele não conhecia, sequer tinha ouvido falar. Também para os bonecos e totens. Sua peça “Nossa Senhora Aparecida”, com personalidade e acabamento impecável, também figura entre suas obras mais emblemáticas.

Quem cria?    

Fida trabalhava no bombeamento da barragem de Inhumas, na época em que conheceu Wagner Porto, um jovem e versátil artista plástico recém chegado a cidade. Da convivência, começou a se interessar por arte. Aos poucos passou a produzir e Wagner, que tinha família em Olinda e conhecia muitos lojistas, sempre levava suas peças nas visitas à terra natal e comercializava. Fida trabalhava fora o dia todo e não tinha tempo para cuidar das vendas - atuaram juntos dessa forma por muito tempo. Mas aos poucos, observando Wagner, ele foi aprendendo a vender. Estimulado pelo amigo a produção do mestre tomou impulso. E ele foi dando continuidade. Pouco depois surgia em cena a conterrânea Janete Costa, acreditando na arquitetura como forma de promover uma transformação sociocultural e exaltando o artesanato brasileiro junto a movimentos culturais como o art noveau e o art déco. Fida reuniu-se com ela “e as coisas foram clareando mais, ela entendia muito”. Dizia que que seu trabalho era único, não existia nada parecido no mundo. Como uma espécie de curadora, Janete passou a orientá-lo sobre suas melhores peças, foi quem fez a encomenda de seu primeiro barco grande, logo em seguida outro e outros mais.

Guardião de tradições ancestrais, Fida é herdeiro dos saberes materiais do povo Quilombola do Timbó e de antigos mestres como o contador de histórias Ciço de Rosinha, que marcam fundamentalmente sua formação artística. É nesse universo grandioso que o artista se destaca. Seu trabalho está presente nas principais coleções de arte popular de Pernambuco, do Brasil e de diversas partes do mundo. É presença constante na Alameda dos Mestres desde a primeira edição da Fenearte em 1999, a maior feira de artesanato da América Latina: “Eu me sinto é honrado por ter meu nome junto de tanta gente boa”. Suas obras já fizeram parte de diversas exposições pelo Brasil, dentre elas a Mostra do Redescobrimento, ocorrida em São Paulo no ano 2000 em comemoração aos 500 anos de descobrimento do Brasil. São exportadas para todo o mundo. Reconhecido como um grande representante da arte popular brasileira contemporânea, teve sua história documentada na série Invenções da Alma - arte popular brasileira em uma coprodução com o Canal Arte 1. Sobre a importância de sua arte, ele afirma: “Não tinha muito interesse. Mas agora pronto, agora é tudo”. 

Onde cria?

Valfrido de Oliveira Cezar é nascido em 1957, no Sítio Cavaco, uma dos sítios que compõem a comunidade Quilombola do Timbó, localizado no distrito Iratama, no município de Garanhuns. Agreste de Pernambuco. Sessenta e dois anos se passaram e Mestre Fida continua morando em Garanhuns. Produz suas peças em seu próprio ateliê, em casa, no centro da cidade, sozinho. Quando tem uma encomenda muito grande, pede ajuda ao cunhado. Legítimo representante da Cidade das Flores, é também construtor e em sua comunidade faz barbas, corta cabelos, dá conselhos e é o centro avante do "Barcelona do Timbó". Tem sete filhos, dois homens e cinco mulheres, porém nenhum deles se interessou em aprender e dar continuidade a arte do pai. Está começando agora um trabalho voluntário junto as escolas que o convidaram, em companhia de outros mestres, pra dar palestras para as crianças, a fim de que reconheçam sua história, origens, e cultura. Sereno, segue adiante: “Cada dia você está aprendendo alguma coisa. Aprende até com quem não sabe, a gente tá aprendendo”. 

Fonte: Artesanato de Pernambuco / Arte Popular Brasil / Galeria Pontes 

Saiba mais: Youtube 1 / Youtube 2  

Localização
Técnica relacionada