OIBI - Associação Indígena da Bacia do Içana

Localização Avenida Álvaro Maia, 242 - Manaus/AM - CEP 69053-350
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E-mail alfredobaniwa@socioambiental.org
Contato Alfredo Feliciano Miguel Brazão (os contatos devem ser feitos preferencialmente via whatsapp)

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As mãos que criam, criam o quê?

Os balaios, urutus, peneiras e jarros baniwa são objetos utilizados cotidianamente nas aldeias para as mais diversas atividades, como beneficiamento da mandioca e armazenamento de alimentos. Carregam em seus padrões trançados a sabedoria ancestral e comunicam a cosmologia baniwa aos povos não indígenas. Além de gerar renda, a arte baniwa busca equilibrar desigualdades e manter a tradição milenar de uso tradicional. 

O arumã é uma espécie de cana, cresce em regiões semi-alagadas e é utilizado por povos indígenas amazônicos há séculos. A confecção de uma peça inicia já na colheita. Na mata selecionam somente as hastes em bom estado, realizam a primeira raspagem para retirada da casca verde. Após lavar com areia, iniciam o tingimento que é feito com cinza, que confere a cor preta, e urucum e crajiru o avermelhado. Os tons são fixados com breu, jacitara e tucum. 

Após o tingimento, o arumã ainda precisa ser desfibrado e aberto em hastes mais finas para o trançado, processo chamado de descorticar. Para cada peça são utilizadas de 150 a 200 talas que são trançadas formando padrões dos mais diversos. 

Hoje são conhecidos mais de 25 diferentes desenhos, as chamadas sílabas gráficas.  Os grafismos tradicionais associados à natureza reavivam a memória e a história da vida do povo durante as horas de confecção das cestarias. 

Quem cria?

Fundada em 12 de julho de 1992, a Oibi tem como missão promover o desenvolvimento regional sustentável e garantir o bem-viver do povo Baniwa, tendo a interculturalidade como metodologia de ação. Desde a sua fundação vem mobilizando o povo Baniwa-Coripaco com o apoio de parceiros estratégicos como a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), o ISA, a Fiocruz, a Funai, o Instituto ATÁ, a Natura, a Fundação Rainforest da Noruega, a Aliança pelo Clima e outros parceiros pontuais. Trabalham organizado comercialmente a cestaria de arumã desde 1998 via projeto e marca Arte Baniwa, lançada no de 2000.

Em 2020 a associação conta com 8 mulheres e 19 homens com idades entre 26 e 65 anos. Porém possui uma formação bastante dinâmica, considerando que o artesanato é presente culturalmente em todas as aldeias e aprendido como afazer doméstico, esse número varia de acordo com o interesse dos artesãos e artesãs em comercializar suas produções. Outra atividade de geração de renda nas comunidades específicas de mulheres Baniwa é a Pimenta Jiquitaia Baniwa

Devido a visibilidade nacional do projeto e prêmios recebidos nacionalmente, hoje é tema de aprendizagens nas escolas Baniwa, impactando positivamente os jovens da comunidade. 

Onde criam?

Os Baniwa fazem parte de um complexo cultural de 22 povos indígenas diferentes, de língua aruak, que vivem na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela, em aldeias localizadas às margens do Rio Içana e seus afluentes Cuiari, Aiairi e Cubate, além de comunidades no alto Rio Negro/Guainía e nos centros urbanos rionegrinos de S. Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos (AM).

Tiveram seus direitos reconhecidos entre 1996/98 pelo o governo federal finalmente que demarcou um conjunto de cinco terras contínuas, com cerca de 10.6 milhões de hectares na região do alto e médio Rio Negro e nas quais estão incluídas as áreas de ocupação tradicional dos Baniwa no Brasil.

O grupo de artesãos das OIBI são de várias comunidades distantes umas das outras. Com representantes do rio Içana, Ayari, que levam até 6 dias em motor rabeta para chegar até a cidade, como também aqueles que vivem em sítios mais próximos à cidade, tendo assim mais facilidade em entregar seu artesanato para comercialização na sede localizada em Manaus.