Artesanato Pássaros Caparaó

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As mãos que criam, criam o quê?

Bem-te-vi, Tie-sangue, Saira-sete-cores, Canário da Terra, Sabiá Laranjeira, Corrupião, são algumas das mais de 100 espécies já retratadas em cores e formas nas técnicas de bordado ponto cruz, bordado livre e crochê. 

A ideia inovadora de criar as esculturas têxteis surgiu a partir de um olhar atento ao contexto local, em busca de criar um produto com personalidade e identidade cultural. As artesãs vivem rodeadas pela exuberante natureza do Caparaó - ES, que atrai turistas e a observação de pássaros é uma atividade popular na região. Com esse conhecimento, as irmãs Josiane De Fátima Pirovani Camilo e Celma Helena Pirovani Domingos uniram seus conhecimentos em bordado e elaboraram a técnica para as famosas esculturas. 

Primeiro, realizam uma extensa pesquisa de imagens da espécie a ser trabalhada, a fim de captar o máximo de detalhes de sua forma, tamanho e cores. Com base em fotos, criam um gráfico para o bordado ponto cruz, transformando as linhas em pequenos quadrados que representam os pontos. No gráfico são feitas as combinações de cores que serão trabalhadas em fio de lã sobre base de algodão. 

O bordado é costurado e recheado com fibra, o que confere estrutura à forma. O primor da técnica une-se à graciosidade dos animais da fauna local e encantam a todos que conhecem esses pequenos seres encantados. 

Quem cria?

O artesanato sempre esteve presente na vida das irmãs Josiane e Celma, que já dominavam a técnica do bordado ponto cruz na época em que participaram do projeto Brasil Original promovido pelo SEBRAE. 

Porém, a prática comum de criar peças com base em gráficos de revista, não promovia a identidade local e por isso tais peças não eram vistas pelos turistas como um desejável souvenir. Durante o projeto, que durou de 2015 a 2017, receberam informações de marketing, preço e instruções sobre mercado e curadoria de produtos. Com base nisso, perceberam que era preciso inovar observando o entorno. 

Em um cenário cercado de belezas naturais, não foi difícil identificar as criaturas mais encantadoras, o difícil foi desenvolver a técnica que representasse sua graça. Josiane conta que foram muitas pesquisas até conseguirem elaborar os gráficos e dar forma às esculturas. 

A primeira coleção apresentada, de 20 espécies, foi um sucesso completo. A partir daí foram convidadas a participar da exposição Casa Bordada promovida pelo Museu A Casa, com curadoria de Renato Imbroisi. 

Com a divulgação e o trabalho dedicado das irmãs, os pedidos foram chegando e o grupo cresceu. Hoje são 5 artesãs que trabalham na criação das coleções. Além das esculturas têxteis bordadas, também constroem pássaros em crochês e bordam quadros. 

Onde criam

Divino de São Lourenço é conhecida como Cidade Natureza, cercada de cachoeiras de águas cristalinas, integra o Parque Nacional do Caparaó. Era originalmente habitada por indígenas da etnia Puri, foi ocupada no século XIX por desbravadores vindos de Minas Gerais que instauraram o cultivo de café na região. Hoje, com uma população de pouco mais de 5.000 habitantes, tem como principais atividades econômicas a agricultura e agropecuária, especialmente a produção de café e leite. 

O Parque Nacional do Caparaó foi criado em 1961 e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com área de 31.800 hectares, o parque recebe turistas, de todo Brasil e do mundo, interessados na observação das mais de 370 espécies de aves já catalogadas.