Geiza (Geiza Jesus dos Santos )

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Quem cria?

Geiza Jesus dos Santos vem de uma família de professores. O artesanato entrou em sua vida, a partir de um curso de capacitação para trabalhar com a fibra da piaçava, oferecido pela COOPRAP - Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da APA do Pratigi. Na época, trabalhava em uma loja de venda de moto, de onde saiu para trilhar seus próprios passos no universo do artesanato. 

Juntou-se à cooperativa, onde se dedicou a produzir biojoias. Ali, também desenvolveu o projeto Jóias do quilombo, patrocinado pela OI Futuro. Foram implantados 3 ateliers em 3 comunidades quilombolas, onde dava aulas, ensinando o processo de tratamento do coco da piaçava e de criação das peças.

Quando o trabalho acabou, decidiu criar uma marca própria e aprofundar em seu trabalho de criação. Além de valorizar os saberes tradicionais afro-brasileiro e indígena do uso da piaçava, Geiza também preza pelo processo criativo, sempre experimentando e arriscando novas formas, desenhos e combinações.

Cria o que?

“Às vezes eu preciso me controlar, porque é muita coisa que surge na minha cabeça, de ideias e modelos. E eu quero fazer tudo!”.

A piaçava é uma palmeira, cuja fibra que dá entre as folhas é muito usada para para produção de vassouras e artesanato. Também o coco, fruto da piaçava, é usado por Geiza na produção de suas peças. Além disso, a artesã também utiliza chifre de boi e madeira de refugo, de móveis descartados e troncos velhos. Com esse material, Geiza confecciona grande variedade de colares, brincos, pulseiras, anéis, além de peças decorativas, como o colar de mesa, objeto criado por ela.

Conhecido como marfim vegetal, o coco da piaçava é cortado, lixado e polido em formatos dos mais diversos para composição de . Na confecção das biojóias, são também utilizados outros materiais com chifres de boi, madeira de pupunha e outras sementes, unidos em cordões 100% algodão. 

Onde cria?

Ituberá é um município localizado no sul da Bahia. O local tratava-se de uma aldeia indígena da etnia Aimorés, onde os jesuítas se instalaram, no século XVIII. Mais tarde, os portugueses formaram ali o povoado de Santarém. 

A palmeira de piaçava, palavra de origem tupi que significa "planta fibrosa", é abuntante nas roças de Ituberá e importante fonte de renda da população local. Os homens são responsáveis pela coleta do material, que demanda treinamento e força para subir na palmeira e cortar a palha no local adequado. A técnica do trançado mistura a ancestralidade indígena e afrobrasileira muito presentes nas comunidades rurais da região, muitas já reconhecidas como terras de remanescentes quilombolas.

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