Marialda Coury (Marialda de Amorim Coury Martins)

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Contato Marialda Coury

As mãos que criam, criam o que? 

Um chamado pelo resgate da história do homem do campo, pelas origens, raízes e tradição do artesanato com milho. Assim dá-se início essa jornada pela terra do milho. Da imensa profusão de objetos que fazem uso dessa matéria prima, as flores criadas e produzidas por Marialda de Amorim Coury Martins são definitivamente das mais belas. A matéria prima abundante na região, ela obtém quase sem custo, doações da empresa Agroceres. A palha passa por um processo de lavagem e higienização, depois armazenagem. Além do tingimento, que oferece aos buquês matizes vibrantes.

 

Quem cria?    

Tudo começou em 1997 quando Marialda, natural de Patos de Minas, sentiu a necessidade de um memorial na região, e revitalizar o trabalho de artesanato com milho, matéria-prima abundante em muitas fazendas. Optou inicialmente por resgatar a produção do artesanato local de forma mais ampla e convidou a artesã Maria Moreira, com domínio em tecelagem, para transmitir a técnica a pessoas interessadas. Iniciaram com um grupo de 13 inscritos. Assim ela reuniu informações, catalogou dados e histórico dessas mulheres. Trabalhou por 5 anos no projeto e conseguiu apoio para que o Memorial do Milho se concretizasse em 2002, hoje ponto turístico e de pesquisa de referência. O trabalho com o algodão, batizado de “multirão de fiandeiras” continuou e Marialda permaneceu até 2004, deixando o grupo encaminhado, dando continuidade. 

A frente da direção do Memorial, na etapa seguinte ela convidou Maria das Mercês para iniciar o mesmo trabalho, desta vez com a palha de milho. Marialda criou e desenvolveu flores em palha e outros produtos e passou a orientar as artesãs, senhoras da terceira idade, que hoje tecem e rasgam a palha. O projeto foi adiante, ela sempre na retaguarda como agente cultural. No processo de resgate, Marialda destaca o trabalho de Maria Mercedes Caixeta, primeira artesã da palha, no ano de 1975. Em sua homenagem, criou um dos modelos de rosa que leva o seu nome: Rosa Maria. Compartilha essa e outras histórias no livro que acaba de escrever: “Marias Artesãs, 15 anos”. O trabalho foi ganhando autonomia e ela pôde se dedicar a produções mais autorais. Vem reunindo obras em um acervo particular para futura exposição no Memorial. 

Nascida em 1947, casada e com um filho, Marialda é professora primária e artista plástica. Realizou pesquisas voluntárias com levantamento fotográfico de 92 a 2011 e campanhas com artistas plásticos para a produção e doação de trabalhos para o Acervo Cultural e Artístico das cidades de Patos de Minas de 85 a 2003. Curadora de artesanato, é responsável pelo Acervo do Memorial do Milho, diretora da Fundação Casa da Cultura do Milho e conselheira do Patrimônio Histórico de Patos de Minas. Como vice-presidente, está a frente da Associação Marias Artesãs que, por incrível que pareça, são Marias até no nome: Maria Abadia, Maria de Lurdes, Maria Salete e outras Marias. Foi reconhecida mestra-artesã pelo projeto Mestres da Arte e do Artesanato promovido pelo PAB (programa do Artesanato Brasileiro) e Centro CAPE. 

 

Onde criam?

Patos de Minas é a cidade considerada capital do milho, onde acontece há 61 anos a Festa Nacional do Milho. Uma região rica, de solo fértil, tipicamente agrícola onde a palha é abundante e de graça. Faz parte do bioma Cerrado, caracterizado pelas estações seca e chuvosa bem definidas. Sendo hoje um município essencialmente urbano, a vegetação original do município está praticamente extinta em função da expansão da agricultura, incluindo a cultura do milho. Nessas circunstâncias, as flores gentilmente esculpidas pela mestra na palha, representam essa terra e a preservação de suas tradições.

 

Fonte: Projeto Mestres da Arte e do Artesanato

Guia do Objeto Brasileiro

 

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