Mestre Nivaldo Santeiro (Nivaldo Gomes dos Santos)

Localização Av. Inês Rolim, 174, Laje - Ibimirim/PE - CEP 56580-000
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E-mail nivaldo.santeiro@hotmail.com
Telefone (87) 3842-1435 / (87) 98844-6650 Whatsapp / (87) 99616-5400
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As mãos que criam, criam o que? 

A religiosidade é um dos pilares das manifestações artísticas populares no nordeste do Brasil, onde assume uma proporção mítica e tradicional ao conjugar a representação de santos católicos com a religiosidade forte e presente em quase todos os lares. E a arte santeira é um dos mais significativos braços da cultura popular. Em Ibimirim, uma tradição transmitida por gerações. Seus mestres apresentam a habilidade em talhar todos os tipos de imagens em madeira e a delicadeza em manter a simplicidade nas peças que expressam sua visão de mundo. Um dos mais antigos, é Nivaldo Santeiro.

Quem cria?    

Até certa altura da vida Nivaldo Gomes dos Santos não tinha nenhuma relação com artesanato. Trabalhava como encarregado de obra, ficou desempregado em 1984. Casado, não queria partir em direção à São Paulo em busca de trabalho (que era o destino de todo nordestino). Resolveu fazer uma tentativa e investir na arte. Deu certo. E nela está até hoje. “Olha só que história legal que eu vou te contar”. Nivaldo sacou o dinheiro recebido em sua rescisão e reservou uma parte para comprar madeira. Guardou cerca de 60% restantes, como uma reserva, uma garantia caso sua aposta não desse certo. Começou a fazer “talhas” (peças em madeira entalhadas a mão). As pessoas diziam que ele não sabia fazer, que seu investimento não daria certo. Insistiu. Fez 18 peças e levou para Recife na tentativa de vendê-las. Se dirigiu até orla onde havia uma concentração de artesãos e venda de artesanato local e a caminho, fez as contas dos gastos com a madeira, das horas de trabalho e chegou ao preço que deveria vender cada uma para obter um pequeno lucro. Se desse certo, ele poderia sobreviver daquele trabalho dali em diante. Mas teve um pressentimento, de que talvez não devesse vender as peças por aquele valor e pensou: “Porque não tentar vender por um valor maior?” Com essa intenção, atendeu o primeiro interessado, que perguntou o valor de uma das imagens. Nivaldo informou e a pessoa disse que queria um desconto, que a obra valia um pouco menos (o equivalente a mais do que o dobro do que ele havia calculado inicialmente). Muito satisfeito, fechou o negócio. Vendeu as 18 peças e nunca mais parou. Ganhou o apelido de Nivaldo Santeiro.

Desde então aperfeiçoou seu trabalho e integra há 6 anos a Alameda dos Mestres na Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte). Bastante detalhista em suas obras, muitos se encantam pelo acabamento das peças e pela pintura envelhecida que ele acidentalmente criou, e transformou em sua marca. Com o trabalho voltado à arte sacra e estilo marcado pelo “primitivo avançado”, como ele define, Nivaldo repassa seu conhecimento a outros moradores da região. “A maioria dos santeiros de Ibimirim nasceu aqui no meu ateliê. Tem vários deles que já abriram o próprio ateliê. Todo mestre gosta de deixar sua história, né? E eu afirmo que nenhum santeiro de Ibimirim formou mais mestres do que eu. Na verdade, eu sou o mestre mais antigo daqui, e eu tenho o maior orgulho disso”.

Empreendedor nato, de lá pra cá desenvolveu atividades em outras áreas que também representam de certa forma a cultura de seu estado: criou bode e hoje é apicultor (o segundo maior da cidade de Ibimirim). Durante o dia trabalha com a produção de santos e a noite com as abelhas. Começou há uns 15 anos atrás, e quase desistiu - no início levou muita ferroada. Houveram anos em que sua produção chegou a alcançar 15 toneladas de mel. A sugestão de investir na área foi de um amigo, argumentando que ninguém roubava abelha e na época havia muito roubo de bode por ali. Nivaldo foi convencido.

Onde criam?

Nivaldo é morador de Ibimirim. Sertão do estado de Pernambuco, caatinga, semi-árido. Único bioma que só existe no Brasil, exclusivo da gente. Tem cara de deserto, mas só para os desavisados pois a caatinga surpreende: de repente depara-se com uma árvore, brasileiríssima, nativa da caatinga: a umburana. Com ramos de crescimento tortuoso, dotada de espinhos agudos e fortes, e nome popular derivado de palavras em língua tupi que significa “falso imbu”. Muito popular, empregada localmente para a escultura primitiva e a arte santeira. As madeiras brutas concentradas nas frentes das casas indicam que ali tem algum santeiro, como são chamados os artesãos dessa arte. 

Ibimirim tem sua história vinculada ao povoamento das terras pernambucanas, através dos primeiros colonizadores portugueses e descendentes, que se concentravam na região litoral e zona da mata e fundaram povoados, vilas e engenhos. No início da colonização, a criação de gado era realizada próximo aos engenhos, o que ocasionava estragos aos canaviais e a ocupação de terras férteis. Então deslocaram as atividades pecuárias para o sertão, intensificando seu povoamento. No município ainda são presentes os engenhos de rapadura (do povoado de Moxotó e Puiú), com moenda ainda movida por tração animal. 

Fonte: Artesanato de Pernambuco / Diario de Pernambuco 

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