SOARTE - Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina

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Contato Carmem Silva Alves Pereira

As mãos que criam, criam o quê?

Os bordados de Turmalina têm uma identidade bem definida, marcada pelos intensos tons das linhas e padrões florais que enfeitam colchas, redes de dormir, toalhas de mesa, almofadas, entre outros itens de decoração. A produção artesanal, presente na região há muitas gerações, inicia-se na fabricação do tecido feito no tear, e isso pode ser feito com linhas fiadas na roca ou barbantes de algodão manufaturados. 

Para os fios artesanais, colhe-se o algodão, limpa e descaroça, carda, e assim a fibra em pluma está pronta para fiação. Com as linhas, monta-se o urdume e trama no tear mineiro com dois quadros de liço que chega a ter 2 metros de largura. Ainda que seja um ofício tradicional que muitas artesãs da comunidade dominem, pela escassez da matéria prima e limitação do tamanho dos teares locais, grande parte dos tecidos que servem de base para os bordados são produzidos pelas artesãs da cidade vizinha, Berilo. 

Nessa rede que fortalece o artesanato do Vale do Jequitinhonha, as artesãs seguem com sua rica e colorida produção de bordados ponto cruz barreadas de crochê. 

Quem cria?

A SOARTE - Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina foi criada no ano de 1995, pela Sra. Valdete Médice e Nildete Mendes (D. Duquinha), artesãs que tiveram grande influência na comunidade. 

A associação é formada por 15 sócias, muitas das quais estão unidas desde sua formação. Além de fortalecer a produção do bordado turmalinense, a SOARTE é um projeto social e cultural, valorizando as raízes da cultura local. 

Onde criam

Localizada a 489 quilômetros da capital Belo Horizonte, no Vale do Jequitinhonha, o município de Turmalina é banhado pelos rios Fanado e Araçuaí. 

Habitado pelo povo indígena Aranã, o território teve em sua história inúmeras investidas exploratórias, que visavam sua ocupação para mineração e criação de gado. No início do séc. XX foram encontradas as pedras preciosas que deram nome ao vilarejo até então conhecido como Povoado de Piedade.

Apesar de ter surgido em decorrência da mineração, a cidade se desenvolveu com base na agricultura e comércio. Hoje, a principal atividade econômica presente no Vale é o cultivo de eucaliptos pelo agronegócio, que tem trazido consequências graves que atingem as comunidades e o ecossistema, como o desemprego, a crise hídrica, e os impactos na diversidade da fauna e da flora locais.

Na contramão do desenvolvimento predatório, as mulheres do Vale têm exercido um papel fundamental na geração de emprego e renda através do artesanato têxtil e cerâmico.  Também atuam na recuperação do meio ambiente e garantia da segurança alimentar através do cultivo agroecológico. Assim, ao longo de gerações, vêm garantindo a subsistência de suas famílias com autonomia e valorização de seus conhecimentos.