Tiago Amorim

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Quem cria?

“O barro é uma matéria modelável, né? Eu acho que tem uma coisa muito forte para o homem, porque na hora que você tá modelando, você tem que ter concentração e consciência, né? Então você modela de fora, enquanto tá modelando por dentro. O que você tá descobrindo como forma, tá te levando a uma psicanálise, a uma análise, né? (...) É uma coisa que acalma. O barro te transporta para outras esferas, ele dá outras dimensões, né?” Tiago Amorim

Sebastião Wilson Ferreira de Amorim (1943) decidiu, quando estava no mosteiro São Bento, em Olinda, como beneditino, a mudar o seu nome, pois não lhe agradava o nome Sebastião. Escolheu então o nome Tiago, “o vencedor”. Quando entrou para o mosteiro, Tiago tinha 19 anos e havia estudado no colégio São Bento que é vinculado ao mosteiro. A partir dessas instituições teve acesso, para além do ensino escolar, a diferentes oficinas, como pintura, cerâmica, tapeçaria, marcenaria, culinária, entre outras, e ali começou a experimentar as diferentes linguagens artísticas.

Depois que saiu do mosteiro começou a criar um movimento de pesquisa, debate e criação artística com os ceramistas com os quais havia estabelecido relação no mosteiro. Também teve contato com o Teatro Popular do Nordeste e com os artistas que naquele momento movimentavam e faziam acontecer a arte pernambucana, como Abelardo Rodrigues, Abelardo da Hora, Maria Carmem de Queiroz Bastos e Montez Magno. O contato com esses artistas influenciou a percepção e as pesquisas artísticas de Tiago Amorim, principalmente sobre a “pop art”. 

Pop Art foi um movimento artístico que tinha como proposta desenvolver uma percepção crítica da cultura de consumo e da cultura de massa, vinculadas à Televisão, à publicidade e ao estilo de vida americano. Foi uma vertente de construção artística que estimulava a aproximação da arte com a vida cotidiana e com as expressões e símbolos presentes no imaginário cultural local. Todos esses estímulos impulsionam Tiago a viajar para as cidades de Caruaru e Tracunhanhém para conhecer o modo tradicional de fazer cerâmica dessas regiões. 

E a partir desse conhecimento e do que já havia experimentado, expandiu a sua arte na modelagem do barro. Muito estimulado pelos estudos e reflexões filosóficas, ontológicas e artísticas e também pela experiência profunda com os saberes populares, Tiago estabeleceu trocas com muitas pessoas de diferentes áreas e com diferentes histórias e vivências. Conviveu com muitos músicos como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee, a arquiteta Janete Costa, entre outros.

Passo a passo foi ganhando mais confiança em seu saber e passou a ensinar a arte da cerâmica, através do projeto Alto da Mina, bairro da cidade de Olinda, que propõe oficinas de música, alfabetização e de transformação com os pés e as mãos no barro. Além da cerâmica, Tiago se dedica também à pintura em tela, à escultura e à xilogravura. Busca uma manifestação de arte que toque e sensibilize as pessoas e que melhore a vida das pessoas, “porque a arte é uma ação com expressão e sabedoria”.

“Se você pode jogar uma luz, porque você vai jogar uma treva?”

As mãos que criam, criam o que?

“Em arte e artesanato o perfeito é o inacabado. Quem vai comprar um trabalho de arte, de artesanato vai complementar aquele trabalho com a sua própria força, com a sua própria criatividade, porque são pessoas de sensibilidade”.

A arte de Tiago Amorim expressa muito de sua natureza que se encanta e se permite experimentar diferentes universos e com eles dialoga com a facilidade com que conversa com a vida. Tiago além de passear por diferentes linguagens, técnicas e texturas, também passeia por diversas referências culturais e estéticas, tanto da cultura popular, tão pulsante em Olinda, onde vive há muitas décadas, como da cultura acadêmica, sem se prender a qualquer estilo.

Com o barro, a madeira e as cores tem criado um universo habitado por pássaros, peixes e mulheres. Integra em seu processo de criação os cinco elementos água, terra, fogo, ar éter, criando peças zoomórficas a partir de jarras, potes e moringas. 

“A coisa mais simples que você pode ter como forma é uma gota. E essa gota virou mulher”. 

Onde cria?

Alto da Mina

Onde a visão é luz

E a paisagem não termina

O horizonte é lá

E a moldura Olinda

Ocupando os meninos

Acolhendo as meninas

Dançarinos, criadores, sofredores

Por 12, 38 chacinas

Tanto talento

Desejos perdidos na rotina

Cultura maior do mundo

Olinda é a Mina

Ouvir paz em lugar de jazz

Soprano, tenor, contralto

Ocupando o lugar do assalto

Ocupando a vadiagem com trabalho e luta

Tornando grande a mulher

Anulando a puta

Porque o homem é ser divino

Nunca animal racional.

E o brasileiro mestiço é grande

E em Olinda o maior astral.

A cultura do povo não se manipula

Sob qualquer suspeita

Está acima e abaixo

Não é turismo

Mas turismo é cultura

É de vida, dádiva necessidade

É frevo, ciranda, baião, maracatu

Milho, pamonha, tapioca, angu.

Assim é o Alto Mirante da beleza

Se a Mina foi explorada não temos certeza

Que Olinda que é só pros olhos

Será só riqueza

 

Tiago Amorim